Governo Cristian é pressionado a agilizar segurança nas escolas
Há promessa de vigilantes/porteiros e conserto e instalação de gradis, mas sem prazo definido
Cachoerinha – Depois do atentado em uma creche particular em Blumenau, Santa Catarina, na semana passada, e mais uma ameaça de chacina contra estudantes da escola estadual Rodrigues Alves em Cachoeirinha, a prefeitura de Cachoeirinha anunciou que vai contratar vigilantes/porteiros para todas as escolas municipais e instalar gradis e consertar os que estão estragados. Além disso, a Patrulha Escolar, cujo anúncio aconteceu antes do atentado em Santa Catarina, será ampliada. A secretaria de Educação vai ceder duas viaturas para a Guarda Municipal.
As medidas não agradaram parte da comunidade escolar porque não há um prazo definido para isso. Na Sessão da Câmara desta terça-feira (11), um grupo de pais, professores e mães de alunos foram cobrar os vereadores. A Sessão teve momentos tensos com uma mãe se dirigindo ao secretário de Segurança Pública, Marco Barbosa, fazendo cobranças aos gritos. O presidente da Câmara, Paulinho da Farmácia, chegou a interromper a Sessão depois de explicar mais de uma vez que a plateia não pode se manifestar, conforme está previsto no Regimento Interno da Casa.
Barbosa usou a Tribuna do Legislativo, por iniciativa própria, para tentar trazer tranquilidade à comunidade escolar, mas o tom do discurso não agradou. Ele havia sido convocado para comparecer na reunião da Comissão de Segurança do Legislativo na manhã desta quarta-feira (12) e como se antecipou, o requerimento foi retirado da Pauta. O secretário tentou tranquilizar a comunidade escolar e a mensagem, no entanto, foi entendida por muitos pais e professores como um sinal de que não há muita preocupação em agilizar implementação de medidas de segurança na rede municipal.
Segundo Barbosa, o homem que invadiu a escola não foi motivado por nenhum tipo de jogo, como chegou a circular em redes sociais. Ele frisou que na cidade não há nenhuma ameaça de um possível ataque e que Cachoeirinha está com índices muitos baixos de criminalidade. Para o secretário, a ação em Blumenau ocorreu por um ato de desiquilíbrio do homem que pulou um muro. Desta forma, não adiantaria muito colocar um Guarda Municipal em cada escola.
O prefeito Cristian Wasem chegou a fazer uma live no Facebook ao lado do vice-prefeito, João Paulo, do secretário Marco Barbosa e da secretária de Educação, Isabel Fonseca. Os quatro conversaram por pouco mais de uma hora e, novamente, a falta de objetividade no que interessava para a comunidade escolar, gerou muitas críticas. A live ficou parecida com um bate-bapo entre amigos e as informações que interessavam se perderam no meio da conversa.
A secretária de Educação explicou que nesta quarta os diretores devem dar retorno sobre o termo de referência para a realização da licitação para a contratação de vigilantes que irão trabalhar também como porteiros nas escolas. A documentação será encaminhada para Superintendência de Compras e Licitações realizar o processo de contratação, mas não há um prazo para isso.
A colocação de gradis nas escolas que ainda não possuem, segundo a secretária, será iniciada na semana que vem. Há também a necessidade de conserto em estruturas que caíram, como na escola Jardim do Bosque, segundo revelou o vereador Uilson Droppa, na Tribuna. O pedido para o conserto foi feito há bastante tempo e ainda não atendido.
Outra medida é a cedência de dois carros para a Guarda Municipal ampliar a Patrulha Escolar. Este serviço não agrada muito porque os guardas apenas passam pelas escolas fazendo uma ronda. Na Câmara, Barbosa destacou que todas as escolas possuem câmeras de vigilância e que haverá uma ampliação até o final do ano.
Tudo o que foi dito até a Sessão da Câmara sobre a ampliação da segurança não agradou nem o presidente do Legislativo, Paulinho da Farmácia. “Eu sou governo, mas eu sou pai. Eu quero é efetividade. Ir para reuniões e falar eu já estou cheio”, salientou. Paulinho disse que gostaria que a secretária de Educação estivesse na Sessão para ouvir o que os vereadores e integrantes da comunidade escolar cobram. “Quero ver solução”, frisou.
O vereador Mano do Parque criticou o governo porque não se dispôs a cogitar na possibilidade de as aulas serem suspensas por um tempo até que todas as medidas de segurança fossem implantadas. A secretária de Educação, durante a live na prefeitura, descartou a antecipação das férias adotada em Blumenau até a contratação de segurança privada. Para ela, a manutenção da rotina é uma sinalização de que tudo está dentro da normalidade e que isso pode contribuir para inibir uma eventual tentativa de um atentado.
Durante a Sessão, o vereador Fernando Medeiros chegou a sugerir que a prefeitura compre detectores de metais portáteis para serem usados na revista de quem entra nas escolas. Também chegou a ser comentada a possibilidade de haver um botão de pânico dentro das escolas. Na live, o prefeito Cristian Wasem não viu vantagem no instrumento uma vez que existem telefones celulares.
“O 153 é o botão de pânico”, disse Barbosa ao citar o telefone da Guarda Municipal. O secretário de Segurança salientou em sua manifestação na Tribuna que por mais medidas que venham a ser adotadas, nenhuma escola estará livre de uma ação como a do homem desequilibrado de Blumenau, que pulou o muro. Ele chegou a citar que uma pessoa fora de si poderia, inclusive, entrar na Câmara e “metralhar todo mundo”. “Eu não vim aqui para mentir para a comunidade, fazer discurso fácil. Nós estamos trabalhando”, destacou na Tribuna.


