Festival de reclamações marca "rave" que acontece na Ritter - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Evento deveria ter iniciado na sexta, mas organização não havia cumprido exigências dos Bombeiros - Fotos: Reprodução perfil do vereador Manoel D`Ávila no Facebook

Festival de reclamações marca “rave” que acontece na Ritter

Organização demorou para cumprir exigências dos Bombeiros, proibiu água para quem não entrou na sexta e som alto incomoda moradores das proximidades

Cachoeirinha – Era para ser um festival de música eletrônica, com outras atividades em paralelo, mas acabou se transformando em um festival de reclamações. O Orion Festival – A Journey to the New World, que Acontece em uma área cedida pela Ahumas na avenida Frederico Ritter, próxima do acesso ao bairro Granja Esperança, deveria ter iniciado na sexta-feira (15), mas a organização só conseguiu atender aos pedidos dos Bombeiros no sábado e a festa foi autorizada quase no final do dia.

As apresentações, contudo, começaram só no início da madrugada quando o primeiro DJ subiu ao palco. E aí as reclamações que estavam até então entre centenas de pessoas que compraram ingressos para três dias de evento e terão somente a metade da programação, passou para o lado de fora. O alto volume do som incomodou moradores da Granja e de um condomínio fechado que fica quase em frente da área.

A moradora da Granja, Fernanda Bavier, fez contato com a reportagem às 4 horas da madrugada. Sem conseguir dormir por causa do barulho, ela relatou que chegou a ligar para a Polícia. “Disseram que isto foi autorizado pela Prefeitura e que por isso não podiam fazer nada. Tenho duas crianças pequenas em casa, que graças a Deus, dormiram antes desse inferno começar e não acordaram”, disse.

Outros moradores das imediações usaram as redes sociais para reclamar. Foi o caso da jornalista Dilea Fronza: “Gostaria de dar os parabéns às autoridades de Cachoeirinha que liberaram a realização de um festival/ festa rave/ chamem do que for em uma região repleta de casas. Dormir é privilégio de poucos.”

Entre aqueles que compraram ingressos, o festival de reclamações seguiu. Boa parte pedia devolução do dinheiro, ou parte dele, já que os três dias da programação foi reduzidos à metade. Muitos tentaram vender seus ingressos com desconto, cuja modalidade mais cara custava R$ 320,00, para tentar recuperar parte do prejuízo. A organização chegou até a proibir a entrada de água, uma das liberações previstas para quem escolheu acampar.

Entrada com água só era permitida na sexta para quem fosse acampar. Como a programação do evento não aconteceu na sexta, frequentadores quiseram entrar com água no sábado e a organização não permitiu

O jovem Guilherme Azambuja protestou na página do evento: “O ingresso previa a entrada de água até ontem (sexta), só esqueceram que previa festa também. É muita falta de respeito com o público, mas tem gente que gosta de ser feita de trouxa mesmo.”

Já Everton Borges fez cobrança da devolução de parte do dinheiro: “E quem comprou ingresso de sexta-feira? Vai ser ressarcido da diferença?” Outro a se queixar foi Gabriel Guerguem: “Vocês estão sendo completamente míopes. Foderam o role de quem comprou o Epic Full Pass – o público mais fiel de festivais e raves – e ainda por cima não querem liberar água. Tudo bem, vocês vão ganhar uma graninha em cima da gente no domingo ao proibir a água, mas saibam que em evento da Cyclus não vou mais”, avisou.

Pássaros mortos

Alguns frequentadores defenderam a organização argumentando que imprevistos acontecem. A festa deveria ter iniciado na sexta, mas a organização deixou os preparativos da área para a última hora apesar de o festival estar marcado há vários meses. Na quinta-feira (14) ainda estavam construindo uma estrada e uma pancada forte de chuva a transformou em um lamaçal e no dia seguinte, o caminhão dos Bombeiros atolou durante vistoria, que só foi acontecer no final da tarde de sábado depois das várias exigências serem cumpridas.

Na página do festival, a apoiadora Ivete Lankoski, defendeu a organização e revelou que no Sul do país os eventos desta natureza vêm sofrendo restrições por diversos motivos, entre eles a morte de pássaros provocada pelo alto volume do som.

“Não adianta vocês caírem matando em cima da produção, eles não tem culpa! Sabemos que aqui pra esses lados do Sul estão fazendo o possível para acabar com esses eventos, ou pelo menos restringir ao máximo que aconteçam, principalmente por questões ambientais ( em relação aos pássaros e etc que morrem devido ao som alto) e preconceituosos mesmo, porque se fosse só questão de som é só limitar os decibéis igual já aconteceu em outros eventos”, escreveu.

Vereador Manoel informa a liberação posando para foto

Vereador Manoel

O vereador Manoel D`Ávila, que é voluntário da Ahumas e esteve todo o tempo acompanhando a montagem da estrutura, fez postagens de fotos no seu perfil anunciando a liberação dos Bombeiros. “Está liberado pelos Bombeiros a área com toda a segurança e requisitos atendidos para o maior festival de todos os tempos. Venha curtir com sua vibe, direto sábado e domingo.”

Já o presidente da Comissão de Segurança da Câmara de Vereadores, Marco Barbosa, que esteve no local na quinta depois de receber denúncias de irregularidades e enviou ofício ao prefeito Miki Breier solicitando cópia da documentação e pedido para que fossem feitas fiscalizações, fez uma postagem no Facebook neste sábado: “Sobre o evento Festival Orion: Fiz minha parte! Cabe ao poder Executivo quem libera este tipo de evento aprovar ou não! Mas, pelo visto, liberaram sem a devida legalidade.”

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