Especialista fala como os relacionamentos estão reagindo à pandemia

Pessoas casadas e solteiras estão revendo valores e prioridades na hora de buscar ou manter a relação
A quarentena não mudou apenas a rotina das pessoas, mas, principalmente, as relações interpessoais. Tanto para solteiros, quanto para os casados, o momento é de reflexão e mudanças.
De acordo com a sexóloga e especialista em relacionamentos, Lucinara Costa, nos últimos cinco anos, a cada cinco casamentos realizados em cartório, três acabaram em divórcio. Esse dado mostra que há algum tempo as pessoas estão mudando seus valores e princípios que geram felicidade. “O que antes mantinha uma pessoa presa a um casamento, como questões religiosas e culturais, já não é prioridade. Hoje o que se busca são relações mais saudáveis, entre duas pessoas que queiram estar juntas por respeito, com mais aceitação e tolerância, onde cada um consegue manter suas escolhas profissionais e pessoais. A pandemia está fazendo as pessoas reavaliarem suas vidas. Principalmente os casados estão se debatendo mais por ter este tempo maior de convivência. Já avaliam se vale à pena manter uma relação que não agrega”.
Para quem está solteiro, ou ficou durante a quarentena, a história é outra. As restrições fecharam bares, casas noturnas, shopping centers e até a circulação por praças e parques está sendo monitorada para evitar aglomerações. Nesse contexto, sem a alternativa de locais públicos, onde se possa haver uma melhor interação social, os solteiros estão recorrendo, ainda mais, aos aplicativos de relacionamentos e redes sociais.
Para a sexóloga, nos apps de relacionamentos a comunicação fica mais rasa e as pessoas têm pressa em conhecer, mas há desconfiança . “A pandemia aumentou essas características, pois ficou mais difícil ir para o presencial, por não haver lugares públicos disponíveis para esse encontro, que garantam certa segurança. Isso faz com que as pessoas fiquem por mais tempo na relação virtual”.
Lucinara explica que toda a situação gerada pelo novo coronavírus está fazendo com que as pessoas tenham mais sensibilidade e menos pressa, para realmente mostrar seus valores e entender a biologia dos relacionamentos. “Não adianta só se dar bem com o outro. Todos relacionamentos iniciam a mil maravilhas e depois começam a dar errado. Muitas vezes as pessoas não se separam por falta de amor, mas por falta de uma boa comunicação. Não basta só você falar o que o outro quer ouvir, e sim como o outro atende as tuas necessidades e vice-versa, como você identifica os sentimentos. Hoje as pessoas estão buscando se conhecer mais. A tecnologia veio para tornar tudo mais rápido e avançado, mas a principal necessidade é a possibilidade de as pessoas estarem conectadas de alguma forma”.
A pandemia veio para que as pessoas possam refletir e expandir sua consciência de que os relacionamentos interpessoais estão passando por grandes transformações. “Uma das dores da humanidade é a solidão. É importante, quanto homem ou mulher, se sentir com mais propósito. Estar em quarentena trouxe à tona a importância das conexões. Solteiros querem criar experiências para se relacionar e a forma como buscam isso vem mudando. Estão procurando aprender mais, buscando novos recursos como profissionais da área e também aprender mais como entender a mente das mulheres e dos homens, através de conteúdos online.
Segundo a especialista, homens e mulheres usam formas diferentes de comunicação e esse é o principal motivo de conflito. “Pensando nessa barreira, criei um aplicativo de relacionamentos, baseado nas leis da física quântica, com o objetivo de atrair pessoas com perfis cerebrais próximos. Após responder um questionário, as pessoas são interligadas de acordo com os objetivos em comum e valores. Por exemplo, uma pessoa está no app, mas não quer ter filho, e começa a conversar com outra que quer. Depois de horas de conversa é que se dão conta de que não buscam os mesmos objetivos, e se perde um tempo precioso, se conectando a uma pessoa que não compartilha das mesmas aspirações”.





