Entenda os motivos da chuva intensa no Rio Grande do Sul
De acordo com a Defesa Civil estadual, pelo menos 51 municípios registraram ocorrências como alagamentos, deslizamentos de terra, inundações e bloqueios em estradas

Mesmo sem a presença do fenômeno El Niño, o Rio Grande do Sul enfrenta desde o último sábado (14) um novo episódio de chuva extrema. Segundo a MetSul Meteorologia, o volume acumulado de precipitação agravou-se entre a noite de segunda-feira (16) e a quarta-feira (18), afetando especialmente o Vale do Rio Pardo e a Região Metropolitana de Porto Alegre.
De acordo com a Defesa Civil estadual, pelo menos 51 municípios registraram ocorrências como alagamentos, deslizamentos de terra, inundações e bloqueios em estradas. Mais de 1,3 mil pessoas estão fora de casa, sendo que mil delas estão em abrigos e outras 1.336 alojadas em residências de familiares ou amigos. O município de Jaguari concentra o maior número de desalojados, com mais de mil pessoas afetadas.
As regiões mais atingidas pela chuva incluem Missões, Oeste (especialmente São Borja), Centro do estado, Vale do Rio Pardo e Grande Porto Alegre. Em muitos desses locais, os volumes de chuva registrados nos últimos dias superaram a média histórica de todo o mês de junho. Entre os maiores acumulados medidos até a tarde de quarta-feira (18) pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) estão:
- Santa Maria: 302 mm
- Encruzilhada do Sul: 286 mm
- São Borja: 279 mm
- Rio Pardo: 271 mm
- São Vicente do Sul: 251 mm
- Camaquã e Caçapava do Sul: 182 mm
- Tupanciretã: 172 mm
- Serafina Corrêa: 169 mm
- Soledade: 162 mm
- Porto Alegre: 152 mm
Fatores climáticos explicam a instabilidade
A MetSul destaca que, mesmo com o Oceano Pacífico em fase neutra – sem El Niño nem La Niña –, eventos extremos como este não são incomuns. A meteorologia aponta três fatores principais que explicam o cenário atual: bloqueio atmosférico, frente semi-estacionária e gradiente térmico.
Bloqueio atmosférico
Um sistema de alta pressão atua sobre o Sudeste do Brasil, impedindo o avanço de frentes frias pelo território nacional. Esse bloqueio, que se prolonga por vários dias, faz com que sistemas meteorológicos fiquem parados, concentrando a instabilidade no Sul do país. Enquanto o Sudeste e Centro-Oeste registram tempo seco e temperaturas elevadas, o Rio Grande do Sul permanece sob influência de chuvas intensas.
Frente semi-estacionária
A presença do bloqueio mantém uma frente fria praticamente parada sobre o estado. Isso explica a diferença nos padrões de chuva entre o Rio Grande do Sul e os estados vizinhos. Santa Catarina e Paraná, por exemplo, registram tempo firme, e mesmo a região Norte do território gaúcho tem sido menos afetada.
Gradiente de temperatura
O estado encontra-se atualmente entre duas massas de ar com características distintas – uma quente ao norte e outra fria ao sul. Essa diferença de temperatura, conhecida como gradiente térmico, intensifica a instabilidade atmosférica. A combinação de ar quente vindo da Bolívia com o ar frio da Argentina favorece a formação de chuvas persistentes e volumosas.
O fenômeno apresenta semelhanças com o evento climático registrado no final de abril e início de maio de 2024, quando enchentes atingiram o estado. No entanto, à época, o gradiente térmico era mais intenso devido a uma onda de calor no Centro do Brasil e frio extremo na Argentina.
A MetSul Meteorologia segue monitorando a situação e alerta que novas ocorrências podem ser registradas nas próximas horas.






