POLÍTICA

Documento mostra que Cristian concordou com acordo que agora diz ser escandaloso

Conforme os cálculos do acordo judicial, a Prefeitura obteve uma economia de R$ 8,1 milhões

Cachoeirinha – O prefeito cassado Cristian Wasem usou seu perfil no instagram para classificar de escandaloso um acordo judicial firmado pelo governo interino de Jussara Caçapava com a Construtora Brasília Guaíba. Fez menção a presença no nome da empresa na Operação Lava Jato e disse que iria pedir uma investigação ao Ministério Público.

Cristian, contudo, não contou no vídeo que o acordo havia sido proposto no seu governo em documento assinado por ele tendo em vista que seria o melhor caminho para evitar mais prejuízos aos cofres públicos. E também não falou sobre a auditoria do Tribumal de Contas do Estado e processo judicial.

O imbróglio teve início no governo Vicente Pires em 2014, quando foi assinado um contrato do Pró-Transporte, programa do Governo Federal, gerido pelo Ministério das Cidades e operacionalizado pela Caixa para financiar projetos de mobilidade urbana e infraestrutura viária. Cerca de R$ 40 milhões foram destinados para Cachoeirinha para ciclovias, calçadas, a avenida Fernando Ferrari e a revitalização da Frederico Augusto Ritter, entre outras.

A Prefeitura deixou de fazer os reajustes no contrato e a Brasília Guaíba abandonou as obras quando ainda tinha para executar cerca de R$ 19 milhões. A R. Schaeffer Construções assumiu a finalização do contrato depois que a Caixa exigiu a conclusão ou devolução dos recursos. A última obra foi a pintura de uma ciclovia sobre um trecho de calçada na Fernando Ferrari que acabou virando notícia nacional já que foi sobre um piso tátil e próximo de portas de lojas.


Cristian assina documento que cita o acordo

Documento enviado ao TCE

Em 7 de agosto de 2020, já no Governo Miki, o Tribunal de Contas do Estado instaurou auditoria e proibiu a celebração de qualquer tipo de acordo com a Brasília Guaíba. O processo seguiu e em 25 de agosto de 2022, a empresa ajuizou ação distribuída para a 2ª Vara Civil de Cachoeirinha cobrando valores que deixou de receber a título de reajustes.

Um documento de 24 de maio de 2023, assinado pelo Procurador-Geral Rodrigo Silveira e direcionado à Unidade Central de Controle Interno para ser remetido ao TCE, sugeria que a melhor alternativa seria uma composição amigável com a empresa para evitar maiores prejuízos ao Município. O documento, revelado pelo jornalista Rafael Matinelli, do site Seguinte, também foi assinado por Cristian Wasem, que hoje diz que o acordo é escandaloso sem citar os processos no TCE e Judiciário.

Prefeitura economizou R$ 8,1 milhões

O processo no TCE já foi encerrado e na Justiça também depois da homologação do acordo em 25 de fevereiro desse ano, conforme sentença do juiz da 2ª Vara, Cássio Benvenutti de Castro. A Prefeitura vai pagar três parcelas de R$ 1,5 milhão e mais 23 de R$ 400 mil e mais uma de R$ 121 mil. O total da conta chega a R$ 13,8 milhões. Conforme os cálculos do acordo judicial, a Prefeitura obteve uma economia de R$ 8,1 milhões.

Artigos relacionados

error: Não autorizamos cópia do nosso conteúdo. Se você gostou, pode compartilhar nas redes sociais.