Cristian é criticado por criar nova secretaria e 94 cargos
Prefeito recebeu duras críticas pelo gasto com cargos para aliados deixando de investir na cidade
Cachoeirinha – O prefeito Cristian Wasem recebeu duras críticas de vereadores da oposição na Sessão desta terça-feira (25) da Câmara em função do projeto que enviou criando a secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade e mais 94 cargos. São 36 para preenchimento com indicações de partidos que integram a base aliada e outros 58 para funções gratificadas destinadas a servidores alinhados com o governo. O vereador Deoclécio Mello ressaltou que o prefeito deixará de investir na conclusão das obras da escola Natálio Schlain e na compra de medicamentos.
A necessidade de medicamento, salientou o parlamentar, tem sido grande e o Município não tem conseguido atender as necessidades da população. Na farmácia comunitária Viva Vida, conforme citou, são atendidas todos os sábados cerca de 200 pessoas que vão em busca do que não encontram na farmácia municipal.
O mais incisivo nas críticas foi o vereador David Almansa. “Vai endividar a cidade e gastar dinheiro com aliado político.” Ele explicou que depois de uma manobra fiscal para não extrapolar o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal para obter o financiamento de R$ 80 milhões com a Caixa, o prefeito começou a ampliar os gastos com pessoal. O limite para que a prefeitura tome empréstimos é de 51,30% de comprometimento da receita líquida com despesas de pessoal.
Cachoeirinha fechou o primeiro quadrimestre deste ano com 51,26% e consegui fazer o empréstimo. “Quando celebraram um novo empréstimo faltava 0,04% para atingir o limite prudencial, por isso contratou.” O limite legal de gastos é de 54% e para o parlamentar, o prefeito vai inviabilizar a capacidade da prefeitura de fazer investimentos. O vereador Mano do Parque acrescentou que a prefeitura, com a aprovação da nova reforma administrativa, chegará a quase 300 cargos, mais do que Gravataí. “Onde vamos parar?”, questionou.
A base aliada, que tem cargos no governo, não se manifestou, exceto Brinaldo Mesquita para dizer que secretarias como Mobilidade Urbana, criada na última reforma, e a do Meio Ambiente, a ser criada, conseguem gerar receita para sustentar suas despesas.
O governo enviou ao Legislativo nesta terça uma mensagem retificativa ao projeto acrescentando o cargo de secretário que havia esquecido. Na comparação do número de cargos em comissão da lei em vigor e a nova a ser votada, a reportagem encontrou 36 a mais. Na planilha de impacto financeiro anexada ao projeto, com a retificação, o governo aponta a criação de 35 novos, além dos 58 para funções gratificadas. O projeto começou a tramitar nesta terça e poderá ser votado já na próxima semana permitindo ao governo iniciar as contratações. O custo da nova estrutura corresponde a uma despesa extra de aproximadamente R$ 5 milhões por ano.


