Comissão do Parque da Matriz pede buzinada pelo Mato do Júlio
Morador afirma que área evita alagamentos no bairro, mas não há estudo comprovando
Cachoeirinha – Com a discussão do estudo previsto no Plano Diretor para definir a função do Mato do Júlio e zoneamento de parte dela sendo travada no Conselho Municipal do Plano Diretor, as atenções de moradores do Parque da Matriz se voltaram para a preservação da área. O morador Diogo Alberto publicou um reel em redes sociais nesta quarta-feira (11), em nome da Comissão de Moradores, pedindo que quem passar na frente da prefeitura dê buzinadas. Não há um buzinaço organizado.
Segundo a postagem, o Mato do Júlio funcionaria como uma esponja para absorver a água da chuva evitando que o bairro seja ainda mais castigado em períodos de muita chuva, como ocorreu na enchente de maio. Ele afirma que o mato evitou que de 6 a 8 mil pessoas tivessem sido atingidas pela enchente. Não existe, contudo, nenhum estudo técnico que comprove a afirmação. E nem que o Parque da Matriz sofreria com mais alagamentos.
O dado de que o Mato do Júlio serviria como uma esponja surgiu a partir da divulgação do vereador eleitor e integrante do Coletivo Mato do Júlio, Léo da Costa, a partir de uma publicação do Mapbiomas, formado por ONGs, e que nunca esteve em Cachoeirinha para realizar nenhum estudo.
O Mapbiomas publicou, conforme Costa disse em entrevistas, que o Mato do Júlio teria retido 35% da água da chuva que caiu em um dia específico, 4 de maio. “Fizemos um cálculo de área coberta pela água e população do Parque da Matriz e concluímos que o mato foi responsável por segurar 35% da água em 4 de maio. Sem ele, em torno de 6 a 8 mil pessoas teriam sido afetadas pela enchente”, disse em uma entrevista. Não existe, portando, um estudo técnico que comprove que o Parque da Matriz sofreria com mais alagamentos.
Além disso, o presidente do Conselho Municipal do Plano Diretor, André Lima, explicou na última reunião para tratar do tema Mato do Júlio, que a prefeitura irá implantar uma casa de bombas no Parque da Matriz. Um eventual aumento de volume de água no bairro, por conta de zoneamento de parte do mato, não traria nenhum problema para os moradores.
Está em discussão a realização do estudo previsto no Plano Diretor de 2007, mas realizado pelos proprietários. Para isso, será necessário a Câmara aprovar mudança na lei. O estudo irá apontar se deve ser criada uma Unidade de Conservação de Proteção Ambiental, Unidade de Uso Sustentável ou zoneamento urbano. Não significa, necessariamente, que toda a área pode ser enquadrada em uma situação ou outra. Após a empresa apresentar o estudo, a prefeitura irá formar uma comissão com técnicos especializados, podendo fazer contratação, para analisar a documentação e dar um parecer. Audiências públicas deverão ser realizadas durante o estudo.
Além disso, a prefeitura quer fazer o prolongamento do Corredor Misto da Flores da Cunha da sua sede até os Bombeiros, o que também precisa ser feito com aprovação da Câmara. Com a mudança, seria permitido a urbanização de 15% da área do Mato do Júlio que fica de frente para a Flores da Cunha. Os proprietários poderiam construir edificações para comércio, serviços e moradia. Seriam utilizados cerca de 32 hectares dos 202 que ficam entre a Flores da Cunha e a Freeway. Lima destacou nos últimos dias que um eventual zoneamento não significa que empreendedores vão devastar a área porque será necessário obter licenciamentos ambientais. Ela ainda frisa que o Mato do Júlio apresenta uma vegetação “rala” e não é uma floresta como o Parque Tancredo Neves, “o verdadeiro pulmão de Cachoeirinha”.
A nota divulgada pelo morador do Parque da Matriz:
“A posição da comissão dos moradores do Parque da Matriz é que vamos defender o Mato do Júlio. Porque o Mato do Júlio atua como uma esponja natural. O solo tem alta capacidade de infiltração, ajudando na prevenção de enchentes e na preservação da biodiversidade local.
O Mato do Júlio é um refúgio climático e ambiental indispensável para grande Porto Alegre. Segundo alguns estudos, na inundação de maio, o Mato do Júlio salvou entre 6 a 8 mil pessoas de serem atingidas pelas águas.
Pedimos ao prefeito Cristian que dê prioridade aos estudos e obras de contenção para evitar novas enchentes. Nesta quarta feira quem cruzar na frente da prefeitura buzine o carro pra dizer que defende o Mato do Júlio. Orgulho de vocês vizinhos aguerridos e bravos.”


