Comerciantes contam como se viram para manter negócios vivos

Quando muitos buscam fôlego para alavancar vendas através da redes sociais, alguns investem na experiência e na clientela fiel
Cachoeirinha – Em época de quarentena, onde muitos têm de se reinventar utilizando redes sociais e criando novos produtos para conseguirem vencer as dificuldades impostas pelo surgimento do novo coronavírus e a queda considerável na renda, alguns comerciantes apostam no conhecimento de negócio e nos clientes fiéis para se manterem.
Há mais de 20 anos com ponto fixo, Moacir Luft, 55 anos, mantém seu restaurante na parada 55, junto com a esposa Lizete, 53, que é a responsável pela comida servida no local e muito elogiada pelos frequentadores. Com o aviso da quarenten,a em meados de março, o casal viu-se obrigado a encerrar as atividades. “Não sabíamos o que iria acontecer, a população ficou em pânico. Fechamos as portas como se um ciclone estivesse chegando”, ilustra o proprietário.
Como possuíam compromisso de entrega de marmitas para empresas, decidiram que, até algo fosse definido, permaneceriam com a produção direto de casa, no bairro Planaltina, em Gravataí. “Depois de uma semana fechados, reabrimos apenas com prato feito (PF), pois sempre tivemos buffet. O povo chegava e eu já avisava que por conseqüência da situação e por não ter noção de como seria o movimento, por um bom tempo seria assim”, conta Lizete.
O período servindo PF se estendeu por mais de 30 dias, até que algumas regras fossem definidas de como seria seguro receber o público. “Quando foi estabelecida a obrigatoriedade do uso de máscaras e o distanciamento de lugares dentro do restaurante, voltei a liberar o buffet”, explica a cozinheira.
Moacir conta que no início das novas regras houve resistência por parte de alguns clientes em entender a necessidade do uso de máscara desde a entrada no restaurante, durante o uso do buffet, até sentar-se, mantendo distância para poder retirar e comer. “Teve um dia que quase deu uma briga aqui entre clientes, pois um homem entrou sem a máscara e queria se servir e outra cliente se levantou e reclamou, mas depois foi tudo resolvido”.
A auxiliar de cozinha, Karolayne Santos, 20 anos, moradora do Jardim Betânia, essa resistência deu-se pela falta de informação e visão dos fatos. “Quando todo mundo parou, surgiu o pânico, mas ainda estávamos longe de ver pessoas contaminadas. Aí o povo foi relaxando, achando que era algo que não chegaria até aqui. Agora a situação está ficando feia de verdade”, desabafou.
O casal conta que sempre foi organizado nas finanças e conseguiram manter as três auxiliares que trabalham no restaurante. Desde a alteração da bandeira de laranja para vermelha em Cachoeirinha, há duas semanas, o restaurante está atuando apenas com tele ou pegue e leve, ou seja, retirada de alimentos no local. “Nos preocupamos muito com a segurança, nossa e dos clientes. É preciso ser responsável nesse momento. Se for preciso fechar totalmente, fecharemos de novo, sem problemas”, ressalta Lizete.

Segundo Giovane Corrêa, 50 anos, proprietário de farmácia na avenida Flores da Cunha há quase três décadas, a quarentena mudou um pouco a rotina do seu comércio. “O fluxo de clientes na farmácia reduziu bastante, mas, em compensação, as compras por teleentrega aumentaram muito”, conta.
Desde o início da pandemia, o faturamento da farmácia se manteve estável. “Em alguns aspectos até aumentou, por causa do ramo que atuo, e consegui manter meus dois funcionários”, explica Giovane.
O dono de farmácia ressalta que alguns cuidados dentro do estabelecimento foram tomados para limitar proximidade e garantir a segurança de quem compra e de quem vende. “Colocamos cordão de isolamento para manter a distância do balcão, disponibilizamos álcool em gel e permitimos o acesso apenas com máscara, como determinam as regras de convivência para evitar o contágio do novo coronavírus”.
Giovane declara que ainda não usa as redes sociais para alavancar as vendas. “Confesso que é uma falha da minha gestão, e deve ser implementada futuramente, mas ainda me mantenho no padrão da venda física e tele”.




