Cidade tem três casos de dengue e prefeitura fará força-tarefa - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Combatendo o Aedes aegyti - Foto: Arquivo/oreporter.net

Cidade tem três casos de dengue e prefeitura fará força-tarefa

Mais dois casos foram confirmados e um deles, no Jardim América, a doença foi contraída dentro da cidade

Cachoeirinha – Com três casos de dengue confirmados, sendo um deles de um homem de 47 anos que contraiu a doença dentro da cidade e não em Porto Alegre como divulgado pelo secretário da Saúde, Paulo Abrão, a Prefeitura decidiu seguir uma orientação da 2ª Coordenadoria Regional de Saúde e vai formar uma força-tarefa para combater focos do mosquito.

Todas as secretarias municipais e representantes de diversos segmentos da sociedade, como Ministério Público, Câmara de Vereadores, Centro das Indústrias de Cachoeirinha, Associação Comercial de Cachoeirinha, Brigada Militar, igrejas, associações de moradores de bairros e escoteiros, serão convidados para uma reunião no próximo dia 28, às 14 horas, na Prefeitura.

Os casos de dengue confirmados até o momento foram nos bairros Canarinho, Nova Cachoeirinha e Jardim América. Segundo o coordenador da Vigilância em Saúde, o ex-vereador Gelson Braga, nos dois primeiros bairros a doença foi adquirida fora da cidade. O mais delicado, explica, é o caso do Jardim América porque a doença foi contraída dentro de Cachoeirinha. “O mosquito pode ter vindo dentro de um veículo, por exemplo, de Porto Alegre para cá. Não temos como saber exatamente como ele chegou em Cachoeirinha”, explica.

Nesta sexta-feira (16), o primeiro fumacê será realizado no bairro, caso não chova. Outras aplicações serão realizadas nos dias seguintes. Além disso, salienta Braga, os agentes de endemias já realizaram um trabalho na região onde mora o homem doente e coletaram larvas para análise.

Gelson Braga

Um fumacê também foi realizado na Nova Cachoeirinha com EPIs emprestados pela Prefeitura de Gravataí e na Canarinho não chegou a ser realizado por falta de equipamentos. O secretário da Saúde explica que equipamentos faltaram porque a empresa fornecedora atrasou a entrega. “Hoje não falta nada”, garante. Já Braga destaca que nestes dois bairros os casos são importados e que outras medidas de controle foram realizadas não sendo indispensável o fumacê.

População também é responsável

O coordenador da Vigilância em Saúde salienta que a obrigação de atuar na prevenção ao mosquito Aedes Aegyti não é exclusiva da Prefeitura. “Toda a população é a responsável, começando por cada um na sua residência limpando locais que podem se tornar foco do mosquito”, afirma.

A secretaria da Saúde, conforme Gelson, não tem apenas sete agentes de endemias atuando na prevenção, como afirmado nas redes sociais. Os agentes comunitários, vinculados aos postos da Estratégia em Saúde da Família, também realizam o trabalho de esclarecimento nas visitas a domicílios. “Fizemos um treinamento em 2017 e todos estão preparados”, complementa o secretário Paulo Abrão. Tanto ele quanto Braga não sabem ao certo quantos agentes são. Braga acredita que sejam 76 ou 77. Abrão estima em cerca de 70.

Atuando há 13 anos em ações da dengue na cidade, Braga, quando foi vereador, criou uma lei obrigando escolas das redes municipal, estadual e particular a trabalhar a prevenção da dengue. A lei caiu no esquecimento e Braga ressalta que na reunião da força-tarefa para definir o plano de ação, a secretaria municipal da Educação poderá reativar o trabalho.

“Eu tinha criado até o projeto agentes mirins da dengue. As atividades nas escolas são simples de serem executadas e atingem milhares de pessoas”, frisa.

Quem não limpa terreno pode ser multado

O secretário da Saúde revela que a fiscalização tem atuado. “Recentemente multamos o proprietário de uma casa por causa de uma piscina. As pessoas podem fazer denúncias pelo telefone do SUS, o 131, e também pela Ouvidoria da Prefeitura”, afirma.

O telefone da Ouvidoria é 3041.7107. Oreporter.net testou o serviço na manhã desta quinta-feira (16). A ligação demorou para ser atendida e quando foi a atendente explicou detalhadamente o que poderia ser feito para formalizar a denúncia contra um vizinho. É possível fazer uma denúncia anônima. Outra opção é fazer a denúncia pelo site da Prefeitura. Clique aqui para acessar.

Segundo o secretário, a fiscalização tem atuado. “As denúncias chegam em poucas horas para nós e são passadas para os fiscais com pedido de prioridade”, garante.

Marco Barbosa critica Prefeitura

Na última sessão da Câmara, o vereador Marco Barbosa criticou a Prefeitura destacando que trabalhos de prevenção não vinham sendo realizados. O vereador mostrou um ofício da Coordenadoria Regional de Saúde de abril de 2018 apontando que a cidade tinha apenas sete agentes quando deveria ter 45. No documento é relatada também a falta de EPIs. Marco descobriu na semana passada que há agentes em desvio de função, como um que atua no setor jurídico da secretaria da Saúde. “Queremos explicações”, afirma.

Há um ano, documento alertava para o risco de uma epidemia em Cachoeirinha

O que é dengue?

O vírus da dengue é um arbovírus. Arbovírus são vírus transmitidos por picadas de insetos, especialmente os mosquitos. Existem quatro tipos de vírus de dengue (sorotipos 1, 2, 3 e 4). Cada pessoa pode ter os 4 sorotipos da doença, mas a infecção por um sorotipo gera imunidade permanente para ele.

O transmissor (vetor) da dengue é o mosquito Aedes aegypti, que precisa de água parada para se proliferar. O período do ano com maior transmissão são os meses mais chuvosos de cada região, mas é importante manter a higiene e evitar água parada todos os dias, porque os ovos do mosquito podem sobreviver por um ano até encontrar as melhores condições para se desenvolver.

Os principais sintomas da dengue são:

No entanto, a infecção por dengue pode ser assintomática (sem sintomas), leve ou grave. Neste último caso pode levar até a morte. Normalmente, a primeira manifestação da dengue é a febre alta (39° a 40°C), de início abrupto, que geralmente dura de 2 a 7 dias, acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e articulações, além de prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e coceira na pele. Perda de peso, náuseas e vômitos são comuns. Em alguns casos também apresenta manchas vermelhas na pele.

Na fase febril inicial da dengue, pode ser difícil diferenciá-la. A forma grave da doença inclui dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes e sangramento de mucosas. Ao apresentar os sintomas, é importante procurar um serviço de saúde para diagnóstico e tratamento adequados, todos oferecidos de forma integral e gratuita por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

Dengue tem cura?

A dengue, na maioria dos casos, tem cura espontânea depois de 10 dias. A principal complicação é o choque hemorrágico, que é quando se perde cerca de 1 litro de sangue, o que faz com que o coração perca capacidade de bombear o sangue necessário para todo o corpo, levando a problemas graves em vários órgãos e colocando a vida da pessoa em risco.

Como toda infecção, pode levar ao desenvolvimento Síndrome de Gulliain-Barre, encefalite e outras complicações neurológicas.

Transmissão da dengue

A dengue é transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. Após picar uma pessoainfectada com um dos quatro sorotipos do vírus, a fêmea pode transmitir o vírus para outras pessoas. Há registro de transmissão por transfusão sanguínea.

Não há transmissão da mulher grávida para o feto, mas a infecção por dengue pode levar a mãe a abortar ou ter um parto prematuro, além da gestante estar mais exposta para desenvolver o quadro grave da doença, que pode levar à morte. Por isso, é importante combater o mosquito da dengue, fazendo limpeza adequada e não deixando água parada em pneus, vasos de plantas, garrafas, pneus ou outros recipientes que possam servir de reprodução do mosquito Aedes Aegypti.

Em populações vulneráveis, como crianças e idosos com mais de 65 anos, o vírus da dengue pode interagir com doenças pré-existentes e levar ao quadro grave ou gerar maiores complicações nas condições clínicas de saúde da pessoa.

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