CCs da Câmara integrariam esquema de páginas do Facebook denunciado ao MP - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí

CCs da Câmara integrariam esquema de páginas do Facebook denunciado ao MP

Cachoeirinha figura na denúncia feita pelo vereador de Gravataí, Dilamar Soares (PDT), ao Ministério Público, relatando uma organização que favoreceria grupo político

Cachoeirinha – Um esquema de páginas, grupos e comunidades no Facebook, visando favorecer grupo político nas eleições, foi denunciado ao Ministério Público de Gravataí. A representação “Fake news, criação e administração de páginas, perfis falsos e propaganda eleitoral antecipada por via difusa”, traça o mapa de uma rede na Região Metropolitana que teria até um vereador de Gravataí no comando da estrutura. Cachoeirinha integraria o esquema através de uma pessoa que exerce Cargo de Confiança na Câmara de Vereadores ligado à Mesa Diretora, além de um CC vinculado a um vereador. Mesmo em horário de trabalho, as redes sociais deles e até um site são atualizados, podendo haver o uso de computadores e internet do Legislativo, pagos com dinheiro público.

O site oreporter.net teve acesso a Notícia de Fato 01597.000.199/2020 onde aparecem printes de páginas e grupos, incluindo o CC da Câmara de Cachoeirinha e do CC de um vereador. A denúncia, conforme Dilamar, traça uma cronologia da criação das páginas, grupos e também perfis falsos destinados a destruir reputações. Para o jornalista Rafael Martinelli, em matéria publicada pelo site Seguinte, de Gravataí, na última terça-feira (19), o vereador disse que “as pessoas são convidadas, ou participam desses grupos acreditando que são serviços para a comunidade, ou páginas de notícias, e depois são enganadas por organizações com interesses políticos e econômicos. Como o algoritmo busca o engajamento, são postadas notícias sensacionalistas, pinga sangue, e no meio disso políticos e aspirantes a políticos usam o alcance, que passa de 2 milhões, para atacar adversários sem dar direito de resposta e fazer campanhas de promoção pessoal e política.”

Na investigação, Dilamar contou com a ajuda do delegado aposentado da Polícia Federal, Átilo Cerqueira. Um organograma foi montado mostrando a ligação de políticos com mandato e pré-candidatos a vereador, boa parte filiada a um partido político. A rede criada envolve praticamente todos os municípios da região metropolitana e há ainda páginas e grupos no interior do Estado.

Na rede, os administradores e moderadores atuariam de forma concatenada para manipular informações. Notícias distorcidas e fake news seriam publicadas com o intuito de desconstruir opositores. Na busca de curtidas e seguidores, as páginas e grupos publicam assuntos diversos que atraem a atenção das pessoas, especialmente da área de segurança. As estratégias utilizadas são diversas.

Há casos de compra grupos com muitos seguidores, que muda de nome e foca outros assuntos, abrindo caminho para a manipulação das pessoas com a publicação de notícias falsas ou distorcidas. Isto aconteceu com um grupo criado para venda de carros que depois mudou de nome passando a atuar na defesa do presidente Bolsonaro.

No documento que a reportagem teve acesso, Dilamar aparece cobrando integrante de um grupo sobre o fato de ter publicações suas deletadas. O assunto era uma denúncia falsa envolvendo uma creche publicada por um perfil fake. Para os seguidores do grupo, ele escreveu: “… Cuidado para não serem usados, mais posts deste virão, peço que antes de agredirem as pessoas, procurem a verdade dos fatos”.

Até tentativa de extorsão pode estar presente no modo de atuação das páginas e grupos. Na denúncia é relatado um diálogo de um administrador de grupos com representante da Prefeitura de Gravataí. O assunto era a destinação de verba pública para anúncios. Conforme a reportagem apurou, o valor mensal pedido ficaria em torno de R$ 40 mil. Diante da dificuldade na negociação, o administrador escreveu para quem negociava: “Vamos ouvir outros, como o …[nome de um vereador é citado] e ver qual a proposta que eles têm para nossos grupos”.

Depois da representação de Dilamar, outras informações vieram à tona. A chantagem faria parte do modo de atuação de donos de páginas e grupos. Além de verba pública, Cargos de Confiança seriam exigidos de políticos para que eles não passassem a publicar notícias falsas ou distorcidas para gerar desgaste junto à população. A denúncia de Dilamar deixa claro que seguidores são manipulados pela organização, pois são levados a interpretações erradas contra os desafetos políticos.

Não faz parte da denúncia, mas a reportagem apurou que administradores citados nela, além de outros, integram um serviço da Brigada Militar para receberem informações privilegiadas sobre ocorrências policiais, que deveriam ser destinadas apenas para jornalistas vinculados a empresas jornalísticas registradas. Um deles tem uma página em Cachoeirinha e nela há postagem feita por perfil fake anunciando o aluguel de pontos da Sky, um golpe que já fez centenas de vítimas na região metropolitana.

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