POLÍTICA

Campo Belo comemora escolas, mas também quer posto de saúde

Associação de moradores cobra promessa de construção de UBS; Prefeitura afirma que obra será incluída na segunda etapa do financiamento de R$ 200 milhões

Cachoeirinha – A previsão de construção de duas escolas no bairro Campo Belo, em Cachoeirinha, foi comemorada pela associação de moradores, mas também reacendeu a cobrança por uma Unidade Básica de Saúde (UBS). A presidente da entidade, Cátia Siqueira, afirma que a prefeita Jussara Caçapava prometeu, em reunião realizada no dia 21 de agosto, que o bairro receberia tanto as escolas quanto o posto de saúde. Entretanto, a UBS não aparece entre os investimentos previstos na primeira etapa do financiamento de R$ 200 milhões que a Prefeitura pretende contratar com a Caixa Econômica Federal.

O projeto que prevê a aplicação dos primeiros R$ 80 milhões foi aprovado por unanimidade pela Câmara de Vereadores na Sessão desta terça-feira (20), inclusive com votos da oposição. Para o Campo Belo, estão previstas uma Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI), com capacidade para 352 crianças, e uma Escola Municipal de Educação Básica (EMEB), que poderá atender 1.150 alunos.

Publicidade
Planeje suas conquistas com o Sicredi
Publicidade
Sogil, há 72 anos em novimento

Cátia afirma que ficou satisfeita com a inclusão das escolas, uma reivindicação antiga da comunidade. Entretanto, demonstrou preocupação ao verificar que os investimentos na saúde contemplam a construção de uma nova Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na Zona Norte, com previsão de R$ 6 milhões, sem mencionar a UBS prometida ao Campo Belo.

Publicidade

“Estamos satisfeitos com a escola? Com certeza. Mas o que foi prometido também foi uma UBS e eu não vi falarem ali na UBS. Falaram somente numa UPA da Zona Norte”, afirmou.

Publicidade
Envie sua sugestão de reportagem

Segundo a presidente, durante a reunião de agosto, a prefeita informou que os recursos para os investimentos no bairro já estavam disponíveis. Cátia conta que chegou a questionar a definição das áreas onde as escolas seriam construídas e mencionou a possibilidade de buscar recursos por intermédio de uma deputada, mas recebeu a informação de que o município já dispunha dos valores necessários.

“Na ocasião, nessa reunião, também ela falou que nossa UBS ia ser construída na mesma ocasião da escola e agora eu nem vi falar de UBS do Campo Belo”, relatou. A dirigente teme que a construção da unidade de saúde seja novamente adiada, apesar da necessidade de atendimento à população do bairro.

Prefeitura confirma UBS na segunda etapa do financiamento

Procurada pelo O Repórter, a assessoria de comunicação da Prefeitura confirmou que o Campo Belo receberá uma Unidade Básica de Saúde. Entretanto, a obra deverá ser incluída na segunda etapa do financiamento, prevista para 2027.

“Vai ter UBS. Na segunda parte do financiamento, que já será ano que vem”, informou a assessoria. A Prefeitura também afirmou que inscreveu a proposta em um programa do Governo Federal, buscando uma alternativa de financiamento para a construção da unidade.

O município possui autorização da Câmara para contratar até R$ 200 milhões em operações de crédito, divididos em três etapas. A primeira, de R$ 80 milhões, está prevista para 2026. Outros R$ 80 milhões deverão ser contratados em 2027, enquanto os R$ 40 milhões restantes ficarão para 2028.

Falta de serviços públicos é problema antigo

A cobrança da associação de moradores ocorre mais de três anos depois de o O Repórter publicar uma matéria mostrando as dificuldades enfrentadas pelas famílias que se mudaram para os novos loteamentos da região.

Em abril de 2023, a reportagem intitulada Sonhos viram pesadelos em novos loteamentos em Cachoeirinha mostrou que o Campo Belo e os empreendimentos vizinhos enfrentavam problemas relacionados à falta de escolas, postos de saúde, policiamento, transporte coletivo, abastecimento de água e iluminação pública.

Na época, o loteamento Campo Belo, da construtora Bolognesi, tinha previsão de aproximadamente quatro mil casas. Considerando os demais empreendimentos da região, o número projetado ultrapassava cinco mil moradias, com população estimada em cerca de 15 mil pessoas.

A associação de moradores havia sido criada em fevereiro daquele ano justamente para pressionar o poder público a oferecer serviços essenciais à comunidade. Entre as principais reivindicações estavam a construção de escolas, uma creche e uma unidade de saúde.

Na administração do então prefeito Cristian Wasem, representantes do bairro chegaram a se reunir com o governo municipal. Segundo Cátia, a resposta recebida na ocasião foi de que a Prefeitura não possuía recursos e estrutura técnica para executar os projetos.

A falta de equipamentos públicos também obrigava famílias a buscar atendimento e vagas escolares em Canoas, município vizinho. Moradores relatavam dificuldades com o transporte e a necessidade de percorrer grandes distâncias para acessar serviços básicos.

Mais de três anos depois, a inclusão das duas escolas no financiamento representa um avanço no atendimento às reivindicações da comunidade. Entretanto, a associação mantém a cobrança pela construção da UBS, considerada necessária para acompanhar o crescimento populacional do loteamento.

Botão Voltar ao topo