CACHOEIRINHA

Cachoeirinha se destaca no Serviço de Peles e Ostomias

A UBS Odil Silva de Oliveira, localizada no bairro Anair, oferece o Serviço de Peles e Ostomias, atendimento especializado para pessoas ostomizadas e também para quem tem feridas e lesões de pele, que recebem tratamento com uso de laser

Cachoeirinha – A luta da cantora Preta Gil, que faleceu recentemente, contra um câncer colorretal, deu evidência a uma classe de pacientes que nem sempre são vistos: os ostomizados. A ostomia, também chamada de estomia, é o procedimento cirúrgico que cria um novo caminho para a eliminação de resíduos corporais (fezes ou urina). O local precisa de atenção e cuidado e as pessoas ostomizadas são consideradas portadoras de deficiência física, podendo usufruir dos direitos garantidos em lei.

Cachoeirinha se destaca no tratamento às pessoas ostomizadas. A UBS Odil Silva de Oliveira, localizada no bairro Anair, oferece o Serviço de Peles e Ostomias, atendimento especializado para pessoas ostomizadas, incluindo o fornecimento de bolsas coletoras e acompanhamento de enfermagem.

Além disso, a unidade foi pioneira na disponibilização de um banheiro adaptado para pessoas ostomizadas e conta com uma equipe de saúde para atendê-las. A equipe é composta por enfermeiros, técnicos de enfermagem e um médico vascular, que atuam no acompanhamento e orientação dos pacientes.

“O trabalho do ambulatório tem extrema importância porque ele oferece um atendimento especializado para todas essas pessoas ostomizadas. É um atendimento técnico que auxilia na adaptação e reabilitação das pessoas para que elas possam ter não só uma melhora na qualidade de vida, mas também uma reinserção social desses pacientes”, afirma a secretária municipal de Saúde, Bianca Breier.


No atendimento, há usuários com incontinência urinária, ileostomia, colostomia, gastrostomia, entre outros. Os pacientes são encaminhados dos seus postos de saúde para o local e recebem atendimento, o material necessário e, principalmente, orientação de como higienizar e cuidar da sua bolsa. Uma média de 120 usuários utilizam os serviços, sendo eles crianças, jovens, adultos e idosos.

“Mais do que atender, nosso objetivo é acolher o paciente e os seus familiares. Principalmente no início do uso da bolsa, quando há muitas dúvidas e inseguranças”, explica a enfermeira Luciana Kist, chefe do setor.

Profissionais que são anjos

Marlene Hammes tem 66 anos e há 31 convive com uma ileostomia. Para ela, a sala do posto Odil foi “a melhor coisa que a Secretaria da Saúde fez para nós. Ali é um espaço onde nos sentimos à vontade, recebemos um tratamento muito bom”, afirma. Ela conta que antes do local, que funciona desde 2023, tudo era mais difícil. “Não havia uma sala adequada, nem um banheiro. Hoje somos muito bem atendidos da recepção à saída. Os profissionais sabem o que estão fazendo, a consulta é maravilhosa. Eles são anjos”, conta.

Portadora de um problema genético, ela não é a única ostomizada da família. A filha Fabiana, de 37 anos, também faz uso do equipamento. “No início não é fácil, é um tabu. Precisa mudar alimentação, se adequar à bolsa, organizar até mesmo a vida social. A gente tem que se aceitar e tendo uma equipe de saúde preparada para dar o suporte muda tudo”, acrescenta Marlene que é presidente da Federação Gaúcha de Estomizados (FEGEST).

Trabalho de conscientização

Não só de orientação dentro do posto Odil vive o Serviço de Peles e Ostomias. O trabalho foi para as ruas. Atividades ao ar livre, palestras e até bloco de carnaval fazem parte das ações realizadas pelos profissionais. O bloco Girassol, flor que é o símbolo das deficiências ocultas, foi criado com o intuito de tornar a causa mais presente.

“Através do bloco, movimentamos o assunto, com a entrega de informativos, trabalhamos a autoestima dos pacientes, falamos das políticas públicas. É um chamado para a conscientização”, explica a técnica em enfermagem Magali Borges.

No dia 22 de agosto, no Shopping do Vale, será realizado o 2º Estomia Consciente com o tema “O Estomizado e a afetividade”. A ação é proposta pela FEGEST e contará com o apoio da equipe do posto Odil.

Sala de curativos

Além dos pacientes ostomizados, a sala está preparada para atender feridas e lesões de pele. Ali são realizados curativos com produtos específicos para acelerar a cicatrização. A sala conta, também, com um aparelho de laserterapia que fez de Cachoeirinha a pioneira no uso, na rede pública, na região.

De forma pioneira, também, a sala começou, há pouco tempo, a fazer uso de matriz de fibrina, uma rede de proteínas produzida naturalmente pelo corpo durante a cicatrização. Para isso, o sangue do paciente é coletado e processado ali mesmo pelos profissionais. “Este é um atendimento inovador. Não tem em outros municípios”, explica Rogério Silva, técnico em enfermagem.

Em média, são realizadas 500 consultas por mês a pacientes com feridas crônicas. A aposentada Ida Zilda Borges, 84 anos, frequenta a sala há 2. Ela tem uma lesão no pé provocada por problemas vasculares. Acompanhada do marido Enedino Borges, ela fez a troca do curativo. “Aqui a gente se sente muito bem. São todos muito atenciosos. Sei que sempre que volto, vão me cuidar bem”, garante.

Como buscar atendimento

Os pacientes são encaminhados pelos seus postos de saúde ao Serviço de Peles e Ostomias. A Unidade Básica de Saúde (UBS) Odil Silva de Oliveira, também conhecida como antigo 24 horas, fica na Rua Paranaguá, 105, no bairro Anair.

Artigos relacionados

error: Não autorizamos cópia do nosso conteúdo. Se você gostou, pode compartilhar nas redes sociais.