Cachoeirinha lança Melhor em Casa para atendimento de pacientes no domicílio
Programa prevê acompanhamento multiprofissional, capacidade para até 60 pacientes por equipe e funcionamento diário das 7h às 19h
Cachoeirinha – A Prefeitura de Cachoeirinha lançou nesta quarta-feira (28), no Plenarinho Saul Lazzarotto da Câmara de Vereadores, o programa Melhor em Casa, voltado ao atendimento pelo SUS de pacientes que precisam de acompanhamento de saúde no domicílio. O serviço terá como público prioritário pessoas acamadas ou com dependência importante de terceiros, mediante avaliação técnica, e prevê assistência todos os dias da semana, das 7h às 19h.
A prefeita Jussara Caçapava destacou o trabalho coletivo na implantação do Melhor em Casa e agradeceu aos profissionais que aceitaram o desafio de estruturar o serviço após atuarem na UPA. Durante o lançamento, realizado no Dia do Servidor Público, ressaltou a importância de compreender a realidade dos pacientes e das famílias e defendeu a divulgação contínua do programa para que a população conheça o atendimento. “Amanhã ou depois, a gente pode precisar desse atendimento”, afirmou. Já a secretária da Saúde, Cris Mesquita, salientou que a humanização do serviço de saúde é uma meta que vem sendo perseguida pela atual gestão.
A equipe começou a organizar o trabalho em setembro e, até a apresentação, havia realizado a avaliação de cinco pacientes. Segundo Bruna Garcez, enfermeira responsável técnica (RT) da Secretaria Municipal de Saúde, os primeiros casos chegaram a partir de demandas judiciais encaminhadas ao município. Na ocasião do lançamento, o fluxo de encaminhamentos pela rede de saúde ainda estava em organização.
A capacidade informada é de até 60 pacientes por equipe. A proposta municipal está estruturada na modalidade de Atenção Domiciliar 2 (AD2), destinada a situações que exigem acompanhamento multiprofissional e procedimentos específicos em casa. Entre os objetivos estão permitir a continuidade do tratamento após a alta hospitalar, apoiar as famílias e contribuir para a utilização dos leitos hospitalares.
O atendimento não terá restrição de idade. Crianças, adultos e idosos poderão ser avaliados, desde que apresentem condições clínicas e assistenciais compatíveis com o serviço. Estar acamado ou ter dificuldade para sair de casa, isoladamente, não garante a inclusão.
Encaminhamento pela rede de saúde
Conforme o fluxo apresentado, a identificação dos pacientes ocorrerá em hospitais, unidades básicas de saúde, UPA, Samu e demais serviços indicados pela rede municipal. O acesso será por encaminhamento profissional, com formulário padronizado, e não por inscrição direta das famílias.
O documento deverá conter o histórico de saúde, a situação assistencial e a identificação de um cuidador ou responsável. Após receber as informações, a Equipe Multiprofissional de Atenção Domiciliar (EMAD) analisará os critérios e realizará a avaliação na residência. O encaminhamento, portanto, não representa admissão automática.
Hospitais de outros municípios também poderão encaminhar moradores de Cachoeirinha que necessitem desse acompanhamento para retornar ao domicílio. Entre as situações mencionadas na apresentação estão a continuidade de medicamentos intravenosos iniciados durante uma internação, cuidados após cirurgias, reabilitação e cuidados paliativos, sempre sujeitos à avaliação da equipe.
Primeira visita define o acompanhamento
Segundo Bruna, a intenção é realizar a avaliação inicial com a maior brevidade possível. Na fase inicial, a equipe vinha trabalhando com um intervalo de aproximadamente dois dias, mas o prazo dependerá da demanda e da necessidade clínica de cada paciente. Casos que precisam manter uma medicação já iniciada no hospital, por exemplo, exigem organização para evitar interrupções.
A primeira visita pode durar cerca de duas horas e reúne avaliação médica, de enfermagem e social. Além das condições de saúde, os profissionais observam a estrutura da residência, a organização familiar e as possibilidades de cuidado.
A partir desse levantamento, será elaborado o Plano Terapêutico Singular (PTS), com definição dos procedimentos, frequência das visitas e responsabilidades compartilhadas entre profissionais, paciente e cuidador. Os retornos serão ajustados conforme a evolução e as necessidades de cada caso.
Cuidador participa do plano de atendimento
A presença de um cuidador ou familiar responsável é uma condição para o acompanhamento, conforme os critérios apresentados pelo município. Essa pessoa receberá orientações e capacitação para dar continuidade aos cuidados entre as visitas.
“Sem esse cuidador, a gente não consegue assumir esse paciente”, explicou Bruna. Segundo ela, o plano será construído com a participação de quem acompanha o paciente no dia a dia, incluindo orientações sobre procedimentos e manejo de dispositivos utilizados no tratamento.
O serviço também pretende apoiar os cuidadores diante de dúvidas e dificuldades. A equipe não assumirá tarefas rotineiras de higiene pessoal, como banho e troca de roupas. Os curativos não serão diários e poderão ser realizados conforme a necessidade identificada pela equipe e a previsão no plano terapêutico de cada paciente.
De acordo com a delimitação apresentada pela Prefeitura, moradores de instituições de longa permanência para idosos não serão incluídos. O atendimento será direcionado a pacientes que estejam no próprio domicílio, com cuidador ou responsável identificado.
Assistência também nos finais de semana
O funcionamento previsto é das 7h às 19h, de segunda a segunda. Nos finais de semana, a assistência será realizada pela equipe de enfermagem quando houver procedimentos programados, como administração de medicamentos, além de apoio para orientações aos cuidadores.
Em situações de emergência, a orientação apresentada é acionar o Samu e comunicar a ocorrência à equipe do programa, para registro e acompanhamento.
A composição proposta inclui um enfermeiro responsável técnico, três enfermeiros assistenciais, seis técnicos de enfermagem, dois médicos, uma assistente social e um motorista. A apresentação também destacou a necessidade de integração com os demais serviços de saúde para exames, transporte e atendimento de intercorrências.
*colaborou, Rodrigo Alves

