Aumento no abandono de animais durante pandemia preocupa - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Protetora Aline: preocupação com aumento do abandono - Foto: Álbum pessoal

Aumento no abandono de animais durante pandemia preocupa

Os bichinhos são excelentes companhias durante a quarentena, mas é preciso responsabilidade ao adotar

Cachoeirinha – Há 15 anos na proteção voluntária, Aline Waskow, faz um alerta sobre o aumento do abandono durante a pandemia. “Cresceu consideravelmente o número de animais nas ruas e, com isso, nosso trabalho aumentou. Sempre há uma desculpa para o abandono, seja a falta de emprego, a diminuição na renda, mas o animal de estimação deve ser tratado como um membro da família”.

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Ela ressalta para a importância de que se a adoção for uma opção para enfrentar a solidão durante a quarentena, que o adotante seja consciente. “Os animais não são descartáveis e a pessoa não deve adotar se após a pandemia não tiver tempo, nem disponibilidade de cuidar e manter seu bichinho”.

Apesar de os animais serem excelentes companhias, Aline que trabalha mais com cachorros, não sentiu aumento na procura por adoção pelos caninos, mas por felinos. “Houve uma procura crescente por gatos, tanto que cada vez que me procuram, repasso o adotante para uma amiga que trabalha resgatando esses animais”.

Vera e sua companheira, Chanel – Foto: Álbum pessoal

Para Vera Lúcia Bairros, 55 anos, advogada e professora aposentada, a quarentena trouxe, além dos períodos de solidão, a coragem necessária para ter novamente um animal de estimação. “Sou apaixonada por animais, mas há 12 anos não tinha cachorro. Tinha vontade mas estava sem coragem, pois viajo bastante. Sou viúva e com a pandemia a solidão bateu forte, teve dias em que estava bem pra baixo”, desabafa.

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Vera, que reside em Porto Alegre e ajuda algumas ONGs de proteção animal há muitos anos, conheceu a Aline em Cachoeirinha. “Quando ela me incentivou a adotar fiquei meio receosa, exatamente por causa do pós-pandemia. Então conversei com uma amiga e minha irmã, que se prontificaram a me ajudar nos períodos de viagem, ficando com o bichinho, caso necessitasse. Foi quando decidi conhecer a mocinha e me apaixonei. A Chanel é um doce, é uma cadelinha de porte pequeno. Desde a adoção ela já engordou um quilo. Ela me faz muito bem, é uma doçura!” derrete-se pela mais nova companheira.

Para veterinária, convívio com animais alivia o estresse e a ansiedade – Foto: Álbum pessoal

Segundo a veterinária Juliana Thiesen, o convívio com os animais está sendo ainda mais importante durante esse período, principalmente com a presença constante dos donos em casa, o que mudou a rotina dos animais. “Além de serem seres adoráveis e que nos dão amor incondicional, estão ajudando a aliviar e muito os sintomas de estresse e ansiedade”.

Ela ressalta que eles também precisam de alguns cuidados, assim como as pessoas, para que se evite a transmissão do vírus. “Por isso é importante que se faça a higienização das patinhas ao retornar para casa depois do passeio diário”. Juliana fala sobre os boatos que circulam de que animais domésticos seriam transmissores e que nada foi comprovado.

“Sabemos muito pouco sobre o novo coronavírus e estudos são feitos diariamente para se conhecer melhor, mas não há nada que comprove que esse tipo de transmissão seja possível”. A veterinária ressalta para o aumento do abandono de animais durante a quarentena. “Não são seres descartáveis. São inteligentes, carinhosos e que exigem respeito acima de tudo!”

Gabriel decidiu que era o momento certo para adotar e encontrou o Scooby – Foto: Álbum pessoal

O assistente social, Gabriel Teixeira Generoso, 24 anos, morador da vila Imbuí, decidiu que esse era o momento certo para se ter um companheiro de quatro patas. “Sempre quis adotar um cãozinho, desde pequeno. Entretanto nunca achava que era o momento. No início desta pandemia resolvi ser guardião de um. Fui atrás de algumas ONGs e perfis de protetores, e encontrei o Scooby”.

Gabriel conta que passou por todo o processo exigido para adotar o amigo e assumiu o compromisso com a castração, vermífugos e vacinas, até poder levá-lo para casa. “Reafirmo que este foi o momento certo para a adoção, pois o amor recíproco que um cachorro consegue transmitir é tão puro e genuíno e o senso de proteção que ele tem é imensurável”.

Neste momento em que o isolamento social é indispensável, ter a companhia de um cãozinho não tem preço, mas Gabriel chama a atenção para a responsabilidade da adoção. “Eles vêm com traumas passados e precisam de muito carinho, amor e paciência e além de alimentação adequada. Ter um cãozinho não é por um período, mas para a vida toda, e digo com toda a certeza meu 2020 está sendo muito melhor com ele”.

Ao adotar é necessário ter um local adequado para o animal escolhido. “Se for gato, é preciso que as janelas sejam teladas, principalmente se for em apartamentos. No caso dos cachorros, ter uma casinha, em um local seco, além de todos os outros cuidados com castração, vacina, alimentação adequada. Na escolha pelo animal deve-se levar em conta a rotina da pessoa. Se trabalha e fica muito tempo fora de casa, é bom que seja um gato ou um cão que fique no pátio, e não sozinho preso dentro de casa”, frisa a protetora.

Em setembro de 2019, o município inaugurou o Centro de Saúde Animal 4 patas, para pessoas de baixa renda que precisam de atendimento para seus bichinhos. “Esse foi um grande passo para Cachoeirinha. O trabalho é muito bem feito, os profissionais são atenciosos, são realizadas castrações e atendimentos clínicos”, conta Aline.

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