GRAVATAÍ

37ª Feira do Livro de Gravataí homenageia nomes do cinema e das artes

Trajetórias de Itamar Antônio Fonseca, Luiz Itamir Fonseca, Celso Ricardo Fonseca e Sirmar Antunes serão reconhecidas

Gravataí – A história cultural de Gravataí é construída por pessoas que transformaram o cinema em ponto de encontro, preservaram a memória da cidade e fizeram da arte uma forma de expressão. Na 37ª Feira do Livro de Gravataí, essas trajetórias serão celebradas com uma homenagem a Itamar Antônio Fonseca (in memoriam), Luiz Itamir Fonseca, Celso Ricardo Fonseca e Sirmar Antunes Corrêa (in memoriam).

Publicidade
Invista em Gravataí/RS

A cerimônia acontece no dia 4 de novembro, às 18h30, durante a abertura da Feira, no Parcão. O reconhecimento reúne histórias ligadas ao Cine Metrópole, que marcou gerações de gravataienses, e ao legado de um dos grandes nomes das artes cênicas gaúchas.

Publicidade
Planeje suas conquistas com o Sicredi
Publicidade
Sogil, há 72 anos em novimento

Cine Metrópole: uma história de família

Publicidade

Itamar Antônio Fonseca (1921–2009) foi o fundador e administrador do Cine Metrópole, considerado o maior cinema de rua de Gravataí. Localizado na Avenida Loureiro da Silva, 1422, o estabelecimento funcionou entre 1946 e 1978 e movimentava a cidade, especialmente aos domingos, com sessões lotadas e filmes de Teixeirinha, José Mendes e grandes produções de Hollywood.

Publicidade
Envie sua sugestão de reportagem

Construído no local de um antigo sobrado erguido no século XIX pelo coronel Antônio Rodrigues da Fonseca, bisavô de Itamar, o cinema tornou-se parte da memória afetiva de gerações.

Seu Itamar também se destacou como memorialista, registrando histórias da cidade nos livros Um Fonseca na Aldeia (1992) e Um Andar pela Aldeia (2007), hoje esgotados. Casado com Nilda Rocha Fonseca, foi pai de Luiz Itamir e Celso Ricardo, que também trabalharam no cinema. Participou ainda da idealização do Parcão da 79, inaugurado em 1999, que o tem como patrono.

Luiz Itamir e Celso Ricardo Fonseca: os bastidores do cinema

Engenheiro civil aposentado, Luiz Itamir Fonseca atuou como projecionista do Cine Metrópole, sendo responsável por operar os equipamentos que levavam os filmes à tela. No documentário Pelas Salas de Cinema de Gravataí: Uma história, ele relembra a alegria do público ao vê-lo subir para a cabine de projeção. Com criatividade e conhecimento técnico, chegava a improvisar mecanismos para operar os projetores quando estava sozinho.

Seu irmão, Celso Ricardo Fonseca, começou ainda criança, ajudando a mãe na lojinha do cinema, onde vendia balas e bombons. Mais tarde, assumiu a bilheteria e guarda na memória o último longa-metragem exibido no Metrópole: o faroeste Keoma (1976), dirigido pelo italiano Enzo G. Castellari. Atualmente contador, Celso também compartilha suas lembranças no documentário, contribuindo para preservar a história de um dos espaços culturais mais emblemáticos de Gravataí.

Sirmar Antunes: um operário da arte

Sirmar Antunes Corrêa (1955–2022) dedicou 48 anos de sua vida ao teatro e ao cinema, tornando-se um dos grandes nomes das artes cênicas do Rio Grande do Sul. Participou de dezenas de peças, filmes, documentários e minisséries, incluindo o curta O Dia em que Dorival encarou a guarda (1986) e o longa Netto perde sua alma (2001).

Morador de Gravataí durante anos, Sirmar participou de diversas edições da tradicional Paixão de Cristo, uma das produções marcantes do teatro local. Também se destacou pela defesa da valorização da negritude, pelo resgate da história do povo negro e pela diversidade cultural, recebendo a alcunha de “Lanceiro Negro” do cinema gaúcho. O próprio artista se definia como um operário das artes.

Homenageado pela Feira do Livro em 2019, ainda em vida, dá nome ao palco principal do evento desde 2022. Seu legado também foi celebrado pelo FETEG, em 2022, e pelo 1º Festival de Cinema de Gravataí, em 2025. Durante a Feira, o público poderá conhecer mais sobre sua trajetória na exposição “Sirmar Antunes: Operário da Arte”, no saguão da Casa de Cultura de Gravataí. A mostra reúne cartazes, figurinos, projeções e objetos de seu acervo pessoal, preservado pela irmã, Silvia Antunes Corrêa.

A iniciativa integra a programação da 37ª Feira do Livro de Gravataí, apresentada pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura, com patrocínio-máster da Corsan e Farmácias São João e patrocínio cultural da Marquespan, Grupo Zaffari e Cestto Atacadista.

A coordenação cultural é da Engenho da Arte. A realização é da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), Prefeitura de Gravataí e Ministério da Cultura.

Botão Voltar ao topo