20 de Setembro em Cachoeirinha: tradição, união e superação
Um dia dedicado a celebrar nossas tradições farroupilhas
Cachoeirinha – O 20 de Setembro, data que celebra o Dia do Gaúcho e o início da Revolução Farroupilha, começou com um clima fechado, mas, aos poucos, com a ajuda de São Pedro, os primeiros raios de sol começaram a brilhar. Eles aqueceram os corações de um povo que, assim como lutou na Revolução, hoje segue batalhando para se reerguer das recentes catástrofes climáticas que atingiram o estado. Apesar das adversidades, o espírito gaúcho de alegria, união e amor às tradições permanece inabalável. Esse foi o cenário vivido pelos milhares de peões, prendas e amantes da cultura gaúcha espalhados pelos quatro cantos do Rio Grande do Sul, especialmente na 37ª Ronda Crioula de Cachoeirinha.
Por volta das 12h desta sexta-feira, o movimento de público ainda era moderado nas dependências do Parque de Eventos da APAT, mas intenso nos piquetes, onde o som das músicas gaudérias se misturava ao barulho das facas e espetos, preparando o tradicional churrasco para o almoço. No Piquete Mário Batista, a correria começou cedo, às 7h. O patrão Fabiano Batista e o assador profissional Jaire Prestes temperaram mais de 200 quilos de carne, que foram ao fogo para o 1º Costelaço dos Piqueteiros, marcado para a noite. “Só tenho a agradecer aos piqueteiros que doaram os costelões e um meio porco. Nós, gaúchos, somos um povo unido e sempre prontos a ajudar o próximo. O costelaço é prova disso. Aqui, a integração e o amor por todos prevalecem. Viva o gaúcho!”, declarou Fabiano Batista, presidente da Associação de Apoio ao Tradicionalismo de Cachoeirinha.

O assador Jaire Prestes compartilhou do mesmo sentimento: “É muito gratificante ajudar os amigos e o próximo, especialmente nosso povo que passou por tantas tragédias. Cada tempero, cada virada de espeto no fogo de chão é feita com experiência e, principalmente, com amor. Não há nada mais prazeroso do que ver a satisfação no rosto de quem saboreia um alimento preparado por nós.”
Aniversário dos Cavaleiros de Cachoeirinha
A tarde seguia, o sol ficou mais forte, e o público aumentava. Já passava das 16h quando, em frente ao Piquete dos Tutanos, foi montada uma mesa com um bolo e uma vela com o número 4. Os Cavaleiros de Cachoeirinha, que comemoravam quatro anos de existência, cantaram um “parabéns” bem gaudério. “São quatro anos de muita dedicação às nossas tradições. Nosso grupo começou forte e decidido a levar o nome de Cachoeirinha para os quatro cantos do RS e do Brasil. Hoje, só temos motivos para comemorar”, afirmou Junior Cardoso, patrão do Grupo Cultural e Tradicionalista Cavaleiros de Cachoeirinha (GCTCC).

Cardoso relembrou que, ao longo desses quatro anos de atuação no tradicionalismo em Cachoeirinha, o grupo já elegeu dois patronos para a Ronda Crioula: o primeiro foi Miro, e o segundo, o atual patrono, Espíndola. Além disso, realizaram diversas ações sociais e participaram de várias cavalgadas, bailes e rodeios.
Extinção da Chama Crioula

Ao entardecer, com o céu tingido de laranja e azul e ao som do hino Rio-Grandense, a Chama Crioula foi extinta no galpão cívico, marcando o encerramento oficial da 37ª Ronda Crioula. No entanto, os festejos farroupilhas continuam até domingo (22). O patrono, Airton de Souza Espíndola, agradeceu o empenho de todos: “Só tenho a agradecer pelo carinho, pela acolhida e pela união de todos aqueles que amam nossas raízes culturais. Aqui na Ronda Crioula, o que mais se viu foi integração e acolhimento, mostrando que somos um povo acolhedor.”
O representante do governo municipal, André Lima, destacou: “Não há sucesso no mundo que compense o fracasso no lar. A presença de todos aqui, com suas famílias, demonstra que este evento é resultado de um legado que passa de geração em geração. Um evento dessa magnitude, em um estado que já enfrentou tanto, mostra que estamos no caminho certo.”
Natália Cardoso, representante do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) e Primeira-Secretária da 1ª Região Tradicionalista do Vale do Gravataí, também expressou sua gratidão: “Foi uma semana de grande sucesso e união. Agradeço a todos que se dedicaram a buscar a Chama Crioula e a cuidar do nosso símbolo maior. Que tenhamos um bom restante de 20 de Setembro e Ronda Crioula até domingo.”
Clédson Motta, comandante da Cavalgada, finalizou emocionado: “É uma honra conduzir e guardar a Chama. O tradicionalismo não é feito apenas de galpões, mas das pessoas e da união delas. O que torna este movimento tão forte é a base familiar. Cada um que esteve aqui levará essa centelha no coração até setembro de 2025.”

Por volta das 20h, subiu ao palco Paulinho Mocelin, seguido pelas apresentações das invernadas artísticas. O encerramento da noite ficou por conta de Roger Sou Rio Grande, que animou as mais de 9 mil pessoas presentes no parque, de acordo com os organizadores.





