Zaffa é pressionado a retomar obra do Complexo de Educação Especial
Manifestação “Pró-Inclusão e Educação” está marcada para a próxima segunda-feira (30)
Gravataí – Uma obra orçada em R$ 8,1 milhões, que poderia significar um melhor atendimento para mais de mil crianças com deficiência em Gravataí está parada e o prefeito Luiz Zaffalon vem sendo pressionado para retomá-la. O Complexo de Educação Especial Irmã Soledade foi iniciado em junho de 2020 pelo prefeito Marco Alba e tinha previsão de conclusão para 2021, primeiro ano do governo Luiz Zaffalon. No local também seriam construídos um ginásio poliesportivo e um auditório com capacidade para 120 lugares.
A obra foi paralisada e frustrou a expectativa de mães de crianças que poderiam ter um melhor atendimento. A coordenadora do Movimento Extraordinário Pró-Inclusão (Mepi), Virgínia Maia, conta que até o momento só ouviu promessas do prefeito. “Ele nos disse no início do ano que iria incluir a obra no orçamento de 2024 e não tivemos mais nenhum retorno”, conta.
A Mepi e o movimento Inclusão & Ação decidiram realizar a manifestação “Pró-Inclusão e Educação” na próxima segunda-feira (30), iniciando às 14h30min na frente da secretaria de Obras Públicas. Depois da concentração, será feita uma caminhada até o local da obra, na esquina da rua Divineia com José Franklin Alves, no bairro Aliança. “Somos mães, pais, professores, crianças, familiares. Não somos apenas números. Existimos e queremos a garantia de nossos direitos.”
Mãe de uma menina de quatro anos com autismo, Virgínia salienta que há hoje na cidade 1.826 crianças com deficiência matriculadas na rede municipal de ensino que poderiam receber um melhor atendimento. “Nós temos muitas outras sem um laudo diagnóstico que poderiam ser atendidas se o completo já estive concluído”, frisa.
Sem o complexo, segundo ela, pais precisam aguardar na fila do SUS para obterem um diagnóstico que vai garantir um atendimento diferenciado para que seus filhos possam desenvolver capacidades que permitam uma inclusão de fato.
Virgínia destaca que a Comissão Especial de Educação Especial do Conselho Municipal de Educação de Gravataí publicou uma resolução em 2015 estabelecendo as diretrizes para a Educação Especial na rede municipal de ensino. Nem tudo o que consta no documento estaria sendo colocado em prática pela falta da estrutura prevista para o prédio cuja construção foi abandonada. “Tudo está atrelado ao Centro de Atendimento Educacional Especializado. Por isso, precisamos que a obra seja concluída e os serviços sejam oferecidos como previsto”, argumenta.
Alba, quando assinou a ordem de serviço para o início da obra, disse que ela era a mais importante do seu governo. “Este complexo de educação especial visa a dar melhores condições para que nossas crianças e jovens sejam atendidas nas suas especificidades e possam se desenvolver”, afirmou na época.
Inicialmente, o prédio, além do Centro de Atendimento, abrigaria a Escola Cebolinha, que dobraria o número de vagas, passando de 80 para 160.
A prefeitura enviou a seguinte nota após a publicação da matéria:
Informamos que a Smed de Gravataí esteve sempre aberta ao diálogo com a comissão de mães da EMEE Mercedes Helena Vicentini, antigo Cebolinha. Inclusive a própria secretária da educação, Aurelise Braun, recebeu pessoalmente o grupo de mães, em 16 de agosto do corrente ano.
Além disso, o secretário adjunto da Smed, Luiz Henriques, esteve pessoalmente no Complexo Irmã Soledade para receber as mães, no dia 5 de outubro, quando lá esteve também a TV RECORD, em reportagem para o programa Balanço Geral. Na ocasião, dois compromissos foram assumidos pela Smed:
1) As obras seriam retomadas em 2024.
2) Que a secretaria apresentaria ao grupo de mães um novo espaço – espaço de transição – que abrigaria os alunos da escola a partir de 2024 até a conclusão das obras do Complexo, ou seja, as crianças não ficaram mais na sede atual (APAE).
Assim sendo, recebemos duas representantes das mães na sede da Smed, logo na semana seguinte, e convidamos a TODAS as mães/responsáveis, juntamente com a direção da escola, para fazermos uma visita ao novo espaço, prometido na entrevista, que é a antiga EMEI Mundo de Zacarias, que receberá reformas e adaptações (cujo projeto está em pleno andamento) para receber os alunos a partir de fevereiro de 2024.
No dia 17 de outubro, fizemos a visita ao local, porém somente 4 mães se interessaram em comparecer para visitar o espaço aonde seus filhos irão ser transferidos, de maneira provisória. Nesse momento, as mães foram ouvidas, opinaram sobre as reformas, tiraram fotos do prédio e saíram aparentemente satisfeitas.
Ressaltamos nossos compromissos assumidos e mantemos nossa disponibilidade de diálogo, como vem ocorrendo até então.
Atualizada – 27/10/2023 – 16h14min



