Violência doméstica: denúncias e prisões marcam ações em Cachoeirinha
Em Cachoeirinha, esse trabalho tem entre as principais frentes de atuação a Patrulha Maria da Penha do 26º Batalhão de Polícia Militar (26º BPM), que desenvolve ações de proteção e prevenção à violência doméstica e familiar
Cachoeirinha – A violência contra a mulher pode começar com ameaças, humilhações, controle e perseguições, antes mesmo de chegar às agressões físicas. Identificar esses sinais e interromper esse ciclo exige acompanhamento das vítimas, fiscalização das medidas judiciais, orientação e denúncia. Em Cachoeirinha, esse trabalho tem entre as principais frentes de atuação a Patrulha Maria da Penha do 26º Batalhão de Polícia Militar (26º BPM), que desenvolve ações de proteção e prevenção à violência doméstica e familiar.
Segundo a Brigada Militar, somente em outubro, a Patrulha Maria da Penha realizou 225 visitas e 139 fiscalizações de medidas protetivas de urgência. No mesmo período, foram confeccionadas 225 certidões e efetuadas seis prisões por descumprimento de determinações judiciais. Até o final do mês, 94 medidas protetivas estavam vigentes no município e eram acompanhadas pelas equipes.
O trabalho envolve visitas às mulheres que possuem medidas protetivas, verificação do cumprimento das determinações judiciais e identificação de possíveis situações de risco. Durante os acompanhamentos, as equipes também orientam as vítimas sobre os mecanismos de proteção e os procedimentos para comunicar novas ameaças ou agressões.
A atuação não se restringe à fiscalização. A Patrulha Maria da Penha também participa de ações educativas, blitzes de conscientização e palestras, com orientações sobre a violência doméstica, os direitos das mulheres e os canais de denúncia. As atividades buscam ampliar o acesso à informação e incentivar que vítimas e pessoas próximas procurem ajuda diante de situações de violência.
Rede de proteção reúne atendimento e segurança
Além do trabalho da Brigada Militar, Cachoeirinha conta com iniciativas de outras instituições para ampliar a rede de proteção às mulheres. Em setembro, o 26º BPM entregou a nova estrutura da Sala Lilás, espaço destinado ao atendimento de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. O ambiente passou por reformas e recebeu equipamentos para oferecer privacidade durante os acolhimentos, orientações e acompanhamentos realizados pela Patrulha Maria da Penha.
Outra iniciativa é a instalação de três Bancos Vermelhos em diferentes pontos da cidade: em frente à Prefeitura, junto à Secretaria Municipal da Mulher e em frente ao Fórum. Os equipamentos integram uma campanha de conscientização sobre o feminicídio e a violência contra as mulheres.
A inauguração do terceiro banco, em frente ao Fórum, em setembro, foi marcada por uma situação que demonstrou a importância de manter espaços de acolhimento e orientação. Poucos minutos depois da solenidade, uma mulher procurou ajuda e relatou anos de violência e perseguição praticadas pelo ex-companheiro.

Totem permite acionar o socorro em situações de risco às mulheres
A rede de proteção também conta com recursos tecnológicos. No Parcão da Paz Ignácio Aloysio Herbert, no Parque da Matriz, foi instalado um Totem Botão do Pânico que permite acionar a Guarda Municipal em situações de risco. O equipamento possibilita comunicação direta com a central de atendimento e conta com seis câmeras, incluindo dispositivos com visão de 360 graus. As imagens são transmitidas ao Centro Integrado de Comando e Controle (CICC).

Antes mesmo da inauguração oficial, em agosto, o totem foi acionado em uma ocorrência de ameaça. A Guarda Municipal mobilizou uma equipe, a mulher recebeu atendimento e o homem apontado como responsável pelas ameaças acabou preso. As iniciativas se somam às atividades educativas e preventivas desenvolvidas pela Brigada Militar e pela Polícia Civil, que incluem palestras em escolas, blitzes e orientações à população sobre os tipos de violência previstos na Lei Maria da Penha e os caminhos para buscar proteção.
Comando reforça importância da denúncia
O comandante do 26º BPM, tenente-coronel Alexsandro Goí, destaca que o enfrentamento à violência doméstica depende do acompanhamento das vítimas e da participação da comunidade. “A prevenção e a denúncia são fundamentais para combater a violência contra a mulher. A Patrulha Maria da Penha acompanha as vítimas, fiscaliza as medidas protetivas e orienta sobre os mecanismos de proteção. É importante que as mulheres procurem ajuda e que familiares, vizinhos e a comunidade não se omitam diante de ameaças e agressões. Uma denúncia pode permitir a intervenção das forças de segurança e evitar que a violência continue”, ressalta.

O tenente-coronel Goí reforça que situações de emergência devem ser comunicadas à Brigada Militar pelo telefone 190. Já o Disque 180 é o canal nacional de atendimento à mulher, que recebe denúncias e oferece orientações. Em Cachoeirinha, o enfrentamento à violência doméstica reúne acompanhamento policial, fiscalização de medidas protetivas, atendimento especializado, ações educativas e recursos de segurança. A identificação dos sinais de violência e a denúncia são fundamentais para interromper o ciclo de agressões e ampliar a proteção às mulheres.


