Vereador relata o drama da Covid e a experiência na UPA - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Paulinho fez relato na Câmara - Foto: Reprodução

Vereador relata o drama da Covid e a experiência na UPA

Paulinho da Farmácia revela que um Raio-X do pulmão, sugerido por um amigo infectologista, evitou que seu quadro de saúde tivesse sido agravado

Cachoeirinha – Angústia, medo de morrer e solidão são palavras que resumem os 16 dias que o vereador Paulinho da Farmácia enfrentou a Covid-19. Ele revelou que teve a doença, e hoje já é considerado recuperado, na Sessão da noite desta terça-feira (7) da Câmara de Vereadores.  Os primeiros sintomas, conforme o parlamentar contou à reportagem na manhã desta quarta-feira (8), foram sentidos na noite de uma quinta para sexta-feira.

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“Tive uma tosse seca e algo como uma arranhão na garganta. Sempre tive tosse nesta época que começa a esfriar. No outro dia me deu um calafrio e de madrugada eu saí do quarto e foi para o quarto da minha filha que estava na casa da sogra. E já me isolei. Pedi para a minha esposa pegar o nosso outro filho e ir para a casa da mãe dela”, contou.

Ficar sozinho por uns dias foi difícil, segundo Paulinho. “A gente se sente só, não come, bate uma angústia. Eu perdi sete quilos nesses dias todos”, revelou, salientando que conforme os dias foram passando o medo de algo mais grave acontecer foi grande. A febre continuava persistente. Ele chegou a ir até a UPA e prescreveram medicação, mas não resolveu.

Cadastrado no aplicativo Cachoeirinha Contra o Coronavírus, o vereador recebeu uma equipe em sua casa na quarta-feira seguinte, para ser submetido ao teste, que deu positivo. E pediu para a esposa retornar para casa para aliviar a solidão. “Ela já chegou arranhando a garganta. Ela fez o exame particular e deu positivo, mas não apresentou nenhum outro sintoma diferente da irritação na garganta”, explicou.

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Os dias iam passando a a febre nunca cessava. No sétimo dia, depois de conversar com um amigo infectologista que atua em hospital de Porto Alegre, o vereador seguiu a recomendação e fez um raio-x do pulmão. “Se tem febre, há uma infecção. E no raio-x apareceu uma nuvem. Eu levei o exame na UPA e o médico me disse que tinha uma leve pneumonia. Foi aí que me receitaram um remédio para tratar o pulmão.”

A radiografia do pulmão, segundo Paulinho, foi fundamental para evitar que o quadro de saúde piorasse. Com a medicação adequada, a febre começou a baixar depois do quarto dia de tratamento. “No quinto dia ela deu certo. O raio-x do pulmão foi fundamental. Se eu ficasse em casa tomando diporona e paracetamol durante 14 dias, não sei se estaria aqui hoje. Se alguém tiver febre, no sétimo dia não pode esperar. Tem que exigir o raio-x. Foi esse exame que me salvou”.

Confira o que o vereador relatou na Câmara:

Fala do vereador Paulinho da Farmácia no espaço das Comunicações.

Posted by Câmara Municipal de Cachoeirinha on Tuesday, July 7, 2020

UPA precisa melhorar

Paulinho, sem nunca se apresentar como sendo vereador, procurou a UPA em mais de uma oportunidade. “Eu sou uma pessoa comum como qualquer outra. Quando levei o exame do raio-x me medicaram. Jorrou sangue do meu braço. Me medicaram ali embaixo da lona, no frio, e mandaram eu aguardar. O médico saiu ao meio-dia e retornou às 13h30min. Tinha que ter um plantonista para trocar. Está faltando pessoas para trabalhar ali no atendimento”, pontuou.

Um dia de madrugada, depois de chamar um amigo, o vereador foi até a UPA porque não estava se sentindo bem. Chegou lá por volta das 1h30min e bateu palmas durante um tempo até uma mulher sair do container. “Eu estava tossindo demais e sentindo falta de ar. Estava 4 graus e a senhora disse que eu teria que aguardar. É muito frio”, disse.

Para Paulinho, a prefeitura deveria colocar outro container no local para não deixar pacientes sob à lona. Na manhã desta quarta, o vereador conversou com o prefeito e relatou o drama que muitas pessoas com sintomas gripais estão passando na barraca de lona. “Eu falei para o prefeito e ele me disse que iria tomar medidas. Eu disse para ele o secretário da Saúde [Dyego Matielo] leva para ele informações dizendo que está tudo bem e não é verdade. Não está tudo bem”, afirmou.

Paulinho recebeu alta no último domingo e foi acompanhado pela médica Fernanda pelo aplicativo disponibilizado pela prefeitura. Nesta quarta ele iria tomar o último comprimido da medicação para o pulmão. O resultado dos exames dos filhos ainda não saíram, mas como não tiveram sintomas e ele e a esposa já estão curados, Paulinho acredita que os resultados darão negativo.

O caso do lonão e do frio foi relatado pelo esposo de uma mulher suspeita de Covid em vídeo divulgado no Facebook. Ele já tem mais de 50 mil visualizações e mais de 1,7 mil compartilhamentos. Nos comentários do vídeo, um homem, que seria esposo da coordenadora da UPA, fez uma postagem e contou que tinha visto o prontuário da mulher.

O caso poderá parar na Justiça, uma vez que informações de pacientes são sigilosas. A reportagem tentou contato com o autor do vídeo, mas ele não respondeu até a publicação desta matéria. A assessoria de imprensa da prefeitura também foi procurada para se manifestar sobre a suposta violação de informações da paciente, mas também não respondeu até a publicação desta matéria.

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