Vereador critica novo modelo de alfabetização adotado em Cachoeirinha - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Conteúdo racista é um dos problemas, segundo o vereador David Almansa - Foto: Reprodução

Vereador critica novo modelo de alfabetização adotado em Cachoeirinha

Para David Almanda (PT), programa possui conteúdos racistas e tira autonomia das escolas

Cachoeirinha – O novo modelo de alfabetização implantado na rede municipal de ensino de Cachoeirinha, atingindo cerca de 4,5 mil crianças da educação infantil até o final do 2º ano, além de 220 professores, sofreu duras críticas na última Sessão da Câmara. O vereador David Almansa (PT) apontou que o material didático possui conteúdos racistas e denunciou que o programa retira a autonomia dos professores transformando-os em meros reprodutores de conteúdos.

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O vereador se referiu ao convênio Pacto pela Educação assinado pela prefeitura com o Instituto Raiar que utiliza material didático do Instituto Alfa e Beto. Ele prevê um investimento de R$ 3,6 milhões ao longo dos próximos três anos bancados por apoiadores do Raiar.

A secretária de Educação, Rosinha Lippert, será convocada pela Câmara para prestar esclarecimentos na Comissão Educação, Cultura, Desporto e Lazer atendendo a pedido do presidente, vereador Marco Barbosa (PP).

Na Tribuna, na tarde desta terça-feira, Almansa afirmou que o método de ensino foi imposto pela secretaria de Educação sem haver diálogo com professores e direções das escolas. “Na prática, ele [o programa] nega tudo o que foi construído até aqui, inclusive com a supervisão deste governo no que diz respeito a elaboração do plano político pedagógico das escolas”, disse.

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O material didático, segundo o parlamentar, já foi alvo de denúncias na Bahia por conteúdo racista e no que foi distribuído para crianças na cidade também estaria presente. “Num dos trechos as crianças são chamadas a assinalar palavras que vem antes no alfabeto e entre as palavras está escravo, peludo e feioso. Ora, desde quando se fala em escravidão para alfabetizar criança, ainda mais com esses termos pejorativos?”, questionou.

Outra passagem de um livro citado por ele aborda o personagem Saci e também de forma inadequada. “A peça ainda retrata o Saci, que é um dos únicos personagens negros do folclore brasileiro e que é deficiente físico como alguém que é feio mas é feliz, induzindo a naturalização do racismo.”, salientou.

O parlamentar ainda afirmou que as aulas em vídeo recomendadas são maçantes além de exigirem que os pais tenham internet algo que está muito distante da maioria das famílias com crianças em idade de alfabetização. Uma das mentores, afirmou Almansa, sugeriu durante o processo de formação de professores que as crianças procurassem wi-fi no comércio. Outra comentou que, conforme a evolução do aluno, uma planilha deveria ser preenchida.

“Eles [professores] têm uma planilha que tem que pintar conforme o avanço da criança e as cores mais escuras significam que elas evoluíram mais e a fala dela foi que esta era a única vez que a cor preta significava algo bom. Nós não vamos admitir esse tipo de material. Estamos fazendo uma denúncia ao Ministério Público e ao Conselho Municipal de Educação para barrar esse retrocesso autoritário imposto”, disse.

O que diz a secretária de Educação

Rosinha Lippert explicou à reportagem que no Brasil e em Cachoeirinha mais da metade dos estudantes não possuem as habilidades esperadas de leitura ao final do 3º ano do ensino fundamental, contexto que impacta fortemente nos indicadores de repetência e evasão escolar.

Segundo a secretária, o Pacto pela Alfabetização é uma iniciativa que tem como objetivo mudar o cenário da alfabetização no município, aumentando as chances de as crianças avançarem em sua trajetória escolar. O Pacto é totalmente financiado pelo Instituto Raiar, com recursos de doadores, não havendo desembolso de recursos por parte da prefeitura.

“A metodologia que está sendo implantada em Cachoeirinha é chamada de Sistema de Ensino Estruturado. No país é a metodologia que tem as melhores evidências de resultados na melhoria de indicadores de aprendizagem. A respeito da alegação do conteúdo racista dos materiais, esclarecemos que as fotos que estão circulando na internet estão descontextualizadas de sua utilização e, por isso, podem gerar interpretações equivocadas. O material de alfabetização é todo baseado em contação de histórias e fábulas. No exercício apresentado na foto, a palavra peludo se refere a fábula do Curupira. Já a palavra escravo se refere a fábula que será trabalhada sobre o Negrinho do Pastoreio”, explicou.

Qualquer inadequação constatada no material, conforme Rosinha, será reportada aos autores como sugestão de melhoria. “Ressaltamos que primamos pelo respeito a diversidade em todas as práticas pedagógicas. A gestão da secretaria municipal da Educação está focada em melhorar os indicadores de alfabetização. Esta deve ser a principal pauta de diálogo do poder público e da comunidade, uma vez que este pacto representa uma possibilidade real de promover a mobilidade social das crianças mais pobres”, enfatizou.

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