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Alexis mostra a Carteira de Trabalho brasileira e conta seu drama

Venezuelano conta o drama do seu povo


Jovem fugiu do seu país para arrumar trabalho e ajudar sua mãe a sobreviver na Venezuela


No térreo da nova moradia dos venezuelanos as cadeiras antes usadas pelos fiéis da igreja evangélica foram aos poucos sendo ocupadas. A maioria jovens com no máximo 30 anos. Depois do longo vôo no avião cedido pela Força Aérea e mais uns quilômetros de ônibus até Cachoeirinha, eles finalmente se depararam com a nova realidade.

No lado direito, um deles estava com o olhar fixo no infinito em completo silêncio. Com o cabelo por cortar, blusa surrada, assim como a calça jeans, esta rasgada no joelho esquerdo, e um tênis sujo calçado como se fosse um chinelo, ele tentava compreender o que as autoridades falavam. Já no meio dos 40 compatriotas, outro exibia um sorriso, como se fosse de alívio.

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No grupo, as expressões eram as mais variadas. Uns indicavam felicidade. Outros deixavam claro que refletiam e tentavam imaginar o futuro. Deixaram para traz os pais, namoradas e amigos em busca da sonhos destruídos pelo governo bolivariano de Nicolás Maduro.

O jovem Alexis Anibal, 21 anos, era um dos esperançosos. Deixou a mãe, de 55 anos, e fugiu de Maracay, capital do estado Aragua, em busca de uma oportunidade para a evitar que a mãe morra de fome. Tinha dinheiro para ir até Santa Elena de Uairén, que fica 15 quilômetros da fronteira com o município brasileiro de Pacaraima.

Esse trecho, fez parte a pé e outra pedindo carona. Já no Brasil, vivendo na rua e passando fome, encontrou um sargento do Exército que arrumou um emprego de auxiliar de pedreiro. Alexis conta que conseguiu trabalhar apenas uma semana. O patrão disse que ele era muito lento e estava muito fraco. Ficou sem emprego.

O dinheiro que conseguiu foi o suficiente para ir até Boa Vista. Alexis entrou no Brasil no dia 3 de agosto e se deparou com o desespero enfrentado por muitos compatriotas na capital de Roraima. A interiorização adotada pelo Governo Brasileiro trouxe um pouco de esperança.

Alexis tem um objetivo imediato: arrumar um emprego para mandar dinheiro para a mãe. Ela trabalha como auxiliar de serviços gerais em um órgão público. O salário, hoje, na moeda brasileira, chega a R$ 50,00. O jovem estudava. Já tinha iniciado o curso superior de enfermagem e depois do primeiro semestre abandonou tudo para fazer o mesmo que milhares de venezuelanos que estão fugindo do seu país.

Ele diz que tem fé em Deus, acredita em uma divindade, mas não na possibilidade de seu país mudar de rumo tão cedo. Alexis prefere se colocar no grupo dos realistas e tem uma posição política alinhada com quem defende a libertação do seu país da ditadura de Maduro. Votou no oposicionista para Henri Falcon, que obteve 21% dos votos na última eleição, vencida pelo bolivariano.

Pelas ruas da Venezuela, segundo ele, há muita miséria. Há gente passando fome. Remédios para as doenças mais comuns, não existe. Se no Brasil há muita corrupção e muitos criminosos estão na cadeia, na Venezuela o grupo liderado por Maduro esmaga a oposição. Na visão de Alexis, o maior problema do seu país é justamente a corrupção. Muitos cidadãos, explicou, vendem seus votos por promessas de facilidades, como comida e saúde. São pessoas que preferem a comodidade de receberem tudo do governo em vez de construírem suas histórias. O que ele espera espera do Brasil? Um emprego para se sustentar, salvar a mãe da miséria, e a oportunidade de retomar o curso de enfermagem.

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