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Tuberculose tem tratamento e cura - Foto: Arquivo/oreporter.net

Tuberculose tem tratamento humanizado em Gravataí

A doença milenar ainda é um problema preocupante de saúde pública

Gravataí – Em 2018, Willian Pereira Fortes Neto sentia fortes dores no corpo, tosse e escarrava sangue. Procurou atendimento médico para investigar a causa. Após exame e diagnóstico da doença, ele começou o tratamento contra a tuberculose no Serviço de Assistência Especializada (SAE) de Gravataí.

“Eu cheguei a ficar com dificuldade de andar, pois logo de início foi constatado que eu tinha um tipo resistente da doença, que demora 18 meses de tratamento”, lembra Willian.

O rapaz enfrentou o que ainda é um problema preocupante de saúde pública. A tuberculose acomete principalmente os pulmões, mas pode afetar outros órgãos. Ela é transmitida a partir do espirro, da tosse ou da fala de uma pessoa que esteja com a tuberculose pulmonar. Somente a forma pulmonar é contagiosa.

Após inalar o bacilo da tuberculose, ele pode ficar alojado no corpo durante vários anos e se manifestar quando há um comprometimento do sistema imunológico. As situações mais comuns são: infecção pelo HIV, diabetes e uso prolongado de corticosteroides.

A coordenadora do coordenadora do SAE, Tatiane Silva, explica que é complexo o controle da tuberculose. “Eu posso inalar o bacilo, o sistema de defesa do corpo faz ele dormir por muitos anos e quando o sistema imunológico se deprime, por conta do envelhecimento ou de outra doença, o bacilo da tuberculose se desperta. Por isso ela é de difícil controle”.

Willian teve que ficar hospitalizado por três meses no Hospital Sanatório Partenon, na capital, referência no tratamento de tuberculose, em especial, para pessoas em situação de vulnerabilidade social. “Só com os comprimidos a tuberculose dele não iria curar, por isso teve que realizar um tratamento especial”, explica Tatiane.


Próximo da cura

Como ele estava muito debilitado e emagrecido com a doença, após sua liberação do Hospital Sanatório Partenon sua fisionomia de melhora foi impressionante. Hoje registra mais peso e sua aparência já é saudável. Willian terá apenas dois meses de tratamento pela frente. “Por isso é importante não interromper o uso das medicações para chegar à cura”, conta Willian, que segue agora sob metodologia diretamente observada.


Tratamento Diretamente Observado (TDO)

No tratamento diretamente observado, um profissional da equipe da unidade de saúde observa a tomada da medicação do paciente desde o início do tratamento até a sua cura. Esta estratégia, também, oferece maior acolhimento ao doente, melhor adesão com aumento da cura e redução de abandono ao tratamento. As unidades de saúde, por exemplo, fornecem um lanche logo após o paciente receber os remédios, pois as drogas precisam ser ingeridas em jejum.

Alta taxa de abandono

Em Gravataí, cerca de 22% pacientes abandonam o tratamento antes do fim, ou seja, seguem doentes após melhora no quadro clinico.  Além disso, estão numa crescente os diagnósticos de tuberculose resistente. Pelo menos dois medicamentos anti-tuberculosos que são nucleares no seu tratamento estão perdendo a eficácia, tendo que optar por alternativas.


Mais sobre a tuberculose


A tuberculose pulmonar é a mais comum em todo o mundo. Entre os sintomas, o principal é a tosse persistente, com ou sem catarro. Mas, é preciso reparar no emagrecimento sem causa aparente, na febre baixa no final do dia e no suor excessivo durante a noite. Também pode haver cansaço intenso e a falta de vontade para atividades cotidianas


Diagnóstico e tratamento da tuberculose

O tratamento da tuberculose está disponível no SAE. Os medicamentos para tratar a doença não podem ser encontrados à venda em farmácias. “O tratamento das formas sensíveis da tuberculose dura no mínimo seis meses, com medicação diária. E o das formas resistentes é feito em unidades de referência, e duram de 18 meses. Tuberculose tem cura, mas o tratamento deve ser feito até o final”, ressalta a coordenara Tatiana.

A vacina BCG, prevista no Calendário Nacional de Vacinação e aplicada em crianças ao nascer (ou até os quatro anos, se nunca tiver sido vacinada), previne as formas graves da doença.

“E quando o paciente com tuberculose abandona por conta própria o tratamento, isto possibilita o surgimento de bacilos resistentes aos remédios que hoje usamos para tratar a doença, dificultando o tratamento. Além disso, há um aumento de casos de tubérculo resistente logo no diagnóstico”, explica Luiza Schuster.

Em geral, após 15 dias de tratamento, as pessoas infectadas já não transmitem mais a doença. Quando adequadamente tratada, o paciente é considerado curado. Mas a chance de ficar novamente doente é igual a de alguém que nunca teve a infecção.

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