CACHOEIRINHA

Surto de síndrome já atingiu 48 crianças em creches de Cachoeirinha

Síndrome Mão-Pé-Boca é uma infecção contagiosa comum em menores de cinco anos

Cachoeirinha – O Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), ligado à Secretaria da Saúde, divulgou essa semana uma nota informativa com esclarecimentos sobre o aumento das notificações de surtos de Síndrome Mão-Pé-Boca em escolas de educação infantil. A doença é uma infecção contagiosa causada por um enterovírus e é muito comum crianças, especialmente nas menores de cinco anos.

Nestes primeiros meses de 2023, já foram notificados 20 surtos da doença, que são caracterizados quando há mais de três casos em um mesmo local. Somados, esses surtos representam 210 casos em 15 municípios. Nos anos passado, foram 68 surtos em 35 cidades, que somaram 581 casos. O ano de 2021 se encerrou com 172 surtos em 76 municípios, que totalizaram mais de 3,3 mil casos.

Em Cachoeirinha já foram notificados 48 casos. A maioria dos registros foi de crianças entre 2 e 5 anos. Em 2022 não houve notificações e no ano de 2021, aconteceram quatro surtos, com um total de 25 casos. A secretária municipal de Educação, Isabel Fonseca, explica que as escolas estão recebendo visitas mais frequentes e orientações dos cuidados a serem tomados para que novos surtos sejam evitados.

Quase na totalidade, essas ocorrências de surtos no Rio Grande do Sul foram todas em creches. Essa doença só é de notificação às vigilâncias em saúde em caso de surto, por isso, não são contabilizados casos isolados ocorridos individualmente.

A transmissão é fecal-oral, ou seja, ocorre mediante contato com pessoas, fezes, saliva, secreções, objetos ou alimentos contaminados. Mesmo depois de recuperada, a pessoa pode transmitir o vírus pelas fezes durante aproximadamente quatro semanas. Dessa forma, a higiene das mãos deve se manter intensificada mesmo após melhora dos sintomas. Por isso, os profissionais de escolas de educação infantil precisam reforçar a atenção nas rotinas de troca de fraldas.

As principais medidas de controle são o afastamento dos sintomáticos até resolução dos sintomas e a intensificação das medidas de higiene de mãos e do ambiente e superfícies, com especial enfoque em objetos compartilhados, como brinquedos, nos casos das creches.

Sinais e sintomas:

  • Febre alta nos dias que antecedem o surgimento das lesões;
  • Aparecimento na boca, amígdalas e faringe de manchas vermelhas com vesículas branco-acinzentadas no centro, que podem evoluir para ulcerações dolorosas e ocasionar dificuldade para engolir e muita salivação;
  • Erupção de pequenas bolhas em geral nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, mas que podem ocorrer também nas nádegas e na região genital;
  • Mal-estar, falta de apetite, vômitos e diarreia.
  • De forma geral, o quadro é autolimitado, ou seja, melhora espontaneamente e tem duração de cinco a sete dias. O tratamento recomendado é sintomático e a orientação é para a criança aumentar o consumo de líquidos, repouso e alimentação leve.

Recomendações de controle e prevenção divulgados pela CEVS:

  • Manter uma boa higiene ambiental e um sistema de ventilação adequado em recintos fechados
  • Lavar as mãos com frequência, principalmente após ir ao banheiro (pois o vírus também é eliminado pelas fezes) e antes de manusear alimentos
  • Nas creches, é preciso ter muito cuidado com a higiene das mãos na hora de trocar as fraldas, para que os profissionais não transmitam o vírus de uma criança para outra
  • Afastar as pessoas contaminadas de suas atividades de trabalho e escola, até o desaparecimento dos sintomas
  • Lavar com água e sabão e desinfetar com solução de água sanitária diluída em água pura (1 colher de sopa de água sanitária diluída em 4 copos de água limpa) toda a superfície de objetos, brinquedos, paredes, interruptores, maçanetas, mesas, cadeiras, entre outros que possam entrar em contato com secreções e fezes dos indivíduos doentes
  • Retirar da sala brinquedos cujo material seja de difícil higienização (ex. bichos de pelúcia e objetos semelhantes) durante o período de ocorrência do surto
  • Descartar adequadamente as fraldas e os lenços de limpeza em latas de lixo fechadas
  • Não compartilhar mamadeiras, talheres ou copos
  • Evitar, na medida do possível, o contato muito próximo com o paciente (como abraçar e beijar); 
    Cobrir a boca e o nariz ao espirrar ou tossir
  • Trocar e lavar diariamente as roupas comuns e roupas de cama de doentes, pois podem ser fontes de contágio (principalmente se houver secreção das lesões da pele)

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