Sinaleiras, buracos e demissão de cobradores viram polêmica na Câmara - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Diretora de Mobilidade foi convocada para dar explicações - Foto: Roque Lopes/oreporter.net

Sinaleiras, buracos e demissão de cobradores viram polêmica na Câmara

Diretora de Mobilidade foi convocada para falar sobre os assuntos e bloco governista impediu questionamentos

Cachoeirinha – Na longa sessão da Câmara desta terça-feira (6), a convocação da diretora de Mobilidade da secretaria de Segurança e Mobilidade, Tatiana Boazão, para falar sobre a troca das sinaleiras da Flores da Cunha, tapa-buracos e a revogação de um decreto que obrigava a Transbus a ter cobradores nos ônibus acabou se transformando em uma polêmica.

O presidente da Câmara, Fernando Medeiros, chegou a suspender a Sessão quando vereadores do bloco oposicionista começaram a travar um debate com parlamentares alinhados com o Governo defendendo a necessidade de ser aberto espaço para perguntas.

Tatiana foi sucinta se manifestando sobre os três temas. A convocação para ela usar a Tribuna foi pedida pela Comissão de Constituição, Justiça e Infraestrutura Urbana, presidida pelo vereador Rubens Otávio.

Desde que oreporter.net revelou com exclusividade que a Prefeitura iria investir cerca de R$ 800 mil para trocar as sinaleiras da Flores da Cunha e fazer a pintura e sinalização das pistas de rolamento, Rubens Otávio passou a fazer críticas ao projeto. Ele, contudo, em postagens em rede social, omitia que o valor total incluia a revitalização completa da sinalização da via e afirmava que os R$ 800 mil seriam gastos apenas com as sinaleiras.

A diretora de Mobilidade acabou usando apenas metade dos 20 minutos que teria direito e foi breve nas explicações. Sobre as sinaleiras, explicou que a licitação realizada há poucos dias definiu uma empresa para fornecer os equipamentos por R$ 293 mil.

As atuais, segundo Tatiana, foram implantadas em 2007. “Elas são pesadas e estão defesadas. Nós fizemos um levantamento de valores e concluímos que seria melhor fazer a substituição”, disse. A diretora explicou ainda que as sinaleiras não precisam ter o contador de tempo, mas ela acha importante para orientar melhor os motoristas. Os recursos utilizados para a compra dos novos equipamentos são oriundos das multas de trânsito.

Sobre os buracos nas vias, Tatiana argumentou que a competência não é da secretaria na qual está lotada e sim da secretaria de Infraestrutura de Infraestrutura e Serviços Urbanos. Ela disse que a Mobilidade só trata de resolver o problema de buracos nas vias utilizadas por ônibus e nas que têm grande fluxo de veículos.

Já sobre os cobradores, Tatiana revelou que a revogação de um decreto que obrigava a Transbus a ter cobradores foi aprovada pelo Conselho Municipal de Transportes para evitar um impacto maior nos custos da empresa e posterior reflexo nas passagens.

Vereadores não gostaram dos poucos detalhes passados por Tatiana e tentaram fazer perguntas e iniciaram uma série de pedidos de ordem sendo rebatidos por parlamentares do bloco governista. Rubens Otávio foi o primeiro argumentando que não há como informações serem prestadas sem haver espaço para perguntas.

Já Cristian Wasem destacou que não poderia haver uma sabatina e um debate pois não havia previsão do regumento interno. Para tentar solucionar o impasse, Édison Cordeiro sugeriu que Tatiana fosse questionada se queria ou não responder salientando que ela não poderia ser coagida.

Fernando Medeiros tentou colocar em votação se o Plenário aprovaria ou não perguntas e com mais uma série de pedidos de ordem acabou suspendendo a Sessão por cinco minutos. No retorno, mais uma vez foram levantadas questões de ordem, mas Medeiros insistiu na votação. O bloco governista, com 10 votos, afastou a possibilidade de ela ser questionada.

O assunto, contudo, não foi esquecido e dominou as manifestações dos vereadores no espaço das comunicações. Rubens Otávio voltou à carga frisando que “o momento era triste para o parlamento”. Segundo ele, a diretora não iria responder perguntas para os vereadores e estaria prestando esclarecimentos para a comunidade.

“É lamentável o que aconteceu aqui. O constrangimento fica é para o parlamento. Por que não podemos fazer perguntas?”, questionou Marco Barbosa. O vereador Manoel D`Ávila pediu um aparta para dizer que era contra porque tinha notado que Tatiana estava constrangida. Barbosa, visivelmente irritado, chegou a dizer que colegas estavam servindo de capacho para o Executivo.

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