Seu Aguirre, figura histórica de Cachoeirinha, fala sobre seus dias na quarentena - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Pandemia tirou Seu Aguirre do combate - Foto: Álbum Pessoal

Seu Aguirre, figura histórica de Cachoeirinha, fala sobre seus dias na quarentena

Do que mais sente falta é de “incomodar os políticos” nas Sessões da Câmara, como ele mesmo diz

Cachoeirinha – Às vésperas de completar 80 anos, João Batista Aguirre, conta como tem sido seus dias durante a quarentena, que o impede de exercer sua principal função: caminhar por toda a cidade entregando panfletos. “Há 18 anos faço esse trabalho. Aprendi com um antigo contratante que, para se ter retorno com os panfletos, é preciso ter respeito pelo cliente, estar bem vestido, ser cordial e entregar pelo menos cinco mil unidades, se não o resultado não aparece”.

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Mas o que tornou Aguirre conhecido em Cachoeirinha foram os 15 anos em que trabalhou no departamento social da antiga Sociedade Esportiva Cachoeirinha, a qual ele recusa-se a chamar de SEC. “Foi lá que conheci minha ex-esposa, Marlene, com quem fui casado por 30 anos. Somos muito amigos até hoje”, relembra. Ele possui um arquivo fotográfico histórico da cidade, onde estão registrados os momentos de glória da SEC, que já não existe mais. “É uma pena a Sociedade ter acabado. Eram tantas coisas boas que aconteciam lá, como os bailes do chopp, festas no domingo à tarde, o futebol, a bocha, as piscinas”, recorda o saudosista ex-funcionário.

Após sua saída da SEC e entrada no ramo publicitário, Aguirre passou a visitar os clientes e oferecer seus serviços. “Trabalhei com muitos comerciantes daqui, tenho clientes que há mais de 15 anos presto serviços”. Mas a quarentena não impediu que o trabalho seja feito, pois a função de entrega de panfletos passou a ser executada pelo amigo Anderson de Oliveira da Silva, 37 anos, que trabalha com Aguirre desde os 13. “O movimento caiu 50%, então quando tem serviço, o Anderson faz pra mim, ele é meu braço direito”, conta.

Com o novo coronavírus, ele percebeu que precisava se resguardar e mudar sua rotina. “Precisei parar com as minhas caminhadas pela cidade e de conversar com as pessoas na rua. Desde então, passo os meus dias na lavagem que eu e o Anderson temos, na entrada da Rua Arnaldo Schüller, na parada 49. Ajudo ele com o que posso, limpo o pátio, estou sempre procurando algo para fazer, pois não é fácil esse tempo que estamos vivendo”, conta.

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Morador da Vila Márcia, Aguirre explica que tem se cuidado de todas as formas para se proteger na pandemia e conta com a ajuda da filha, Rita de Cássia, com quem mora, e do filho Maicom, de quem tem duas netas. “Uso máscara sempre que preciso sair, passo álcool gel nas mãos, tudo como tem que ser, e meus filhos me alcançam as coisas do mercado”.

O quase octogenário tem aproveitado o tempo de quarentena para relembrar as muitas histórias que já viveu enquanto morador de Cachoeirinha. “Estou na cidade desde 1970. Conheço muita gente, tanto pelas festas que organizava na Sociedade Esportiva Cachoeirinha, quanto pelo trabalho com divulgação. Fui eu que coloquei mais de 150 placas com nomes de rua pela cidade, ainda na época em que o Gilso (Nunes) era prefeito”.

Para Aguirre, o pior desta quarentena é não poder participar das Sessões na Câmara de Vereadores. “Toda terça estava lá, sempre levando algum pedido que os moradores passavam pra mim. Inclusive faz quatro anos que estão me prometendo um abrigo de ônibus para a rua Gildo de Freitas. Já está chegando a próxima eleição, quero só ver quem vai cumprir!”, frisa.

Os anos de experiência e convivência com os diversos ramos da sociedade, fizeram de Aguirre uma figura histórica em Cachoeirinha. “As pessoas gostam muito de mim, me dou bem com todo mundo, até com os políticos. Xingo eles se for preciso, mas eles me respeitam. Devem estar sentindo falta de eu incomodando lá na Câmara”, diverte-se.

A comemoração dos 80 anos, que vai completar dia 19 de dezembro, Aguirre espera poder fazer ao lado dos familiares em Itaqui, onde nasceu. “Acredito que toda essa crise ainda vai demorar muito para passar, mas espero poder ir festejar meu aniversário na fronteira”.

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