ESTADO

RS terá exames próprios para casos suspeitos de ingestão de metanol

Cevs celebra trajetória marcada por avanços e desafios

O Rio Grande do Sul passará a contar com diagnóstico próprio para casos suspeitos de ingestão de metanol, utilizado indevidamente em bebidas destiladas. O serviço será realizado pelo Centro de Informação Toxicológica (CIT), vinculado ao Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), que inicia nos próximos dias os exames laboratoriais para identificar a substância.

Atualmente, a análise é feita pelo Instituto Geral de Perícias (IGP), que continuará prestando assessoramento técnico ao CIT. Com a nova estrutura, o Estado se torna um dos poucos do país com capacidade para esse tipo de diagnóstico.

Segundo a secretária da Saúde, Arita Bergmann, a equipe técnica do CIT já possui experiência em análises toxicológicas e está finalizando a padronização e os testes dos equipamentos. “Queremos que o Rio Grande do Sul seja referência nesse tipo de atendimento”, afirmou.

Estrutura de atendimento

Além do diagnóstico, a Secretaria da Saúde realiza levantamento junto à rede hospitalar sobre estoques de etanol farmacêutico, utilizado no tratamento de intoxicações por metanol. O Estado também aguarda o envio de um antídoto específico, adquirido pelo Ministério da Saúde junto a fornecedores internacionais.


O CIT será o ponto de referência para recebimento de notificações de casos suspeitos, feitas pelos serviços de saúde. O atendimento funciona 24 horas pelo telefone 0800-721-3000, prestando apoio diagnóstico e orientações sobre tratamento.

Casos investigados

Até esta segunda-feira (6), o Rio Grande do Sul registrou um caso suspeito de ingestão de metanol: um homem de 38 anos, morador de Porto Alegre, atendido no Hospital de Pronto-Socorro no sábado. Ele já recebeu alta, mas segue em investigação laboratorial. Outro caso, em Santa Maria, foi descartado.

A bebida ingerida pelo paciente da capital, uma cachaça, foi preservada e será analisada pelo IGP. Caso seja confirmada a presença de metanol, a Vigilância Sanitária Municipal, com apoio do Estado, fará o rastreamento da origem, incluindo lote e local de venda.

Comitê intersetorial

Na última sexta-feira (3), o governo estadual criou um comitê intersecretarial para monitorar possíveis ocorrências relacionadas a bebidas contaminadas. O grupo reúne representantes das secretarias da Saúde, Segurança e Agricultura, além de órgãos como Samu, Cevs, Polícia Civil, Brigada Militar e IGP.

Uma reunião está marcada para esta terça-feira (7/10), quando será discutida a publicação de uma nota informativa conjunta para orientar municípios e serviços de saúde sobre procedimentos em casos suspeitos.

Sintomas e orientações

O metanol é uma substância tóxica usada em solventes e produtos químicos. A ingestão pode causar danos ao fígado, cérebro e nervo óptico, com risco de cegueira, coma e morte.

Os principais sintomas costumam aparecer entre 12 e 24 horas após o consumo:

  • dor abdominal;
  • alterações visuais;
  • confusão mental;
  • náusea.

Esses sinais podem ser confundidos com os de uma ressaca comum. Diante da suspeita, a recomendação é buscar atendimento imediato em uma unidade de emergência.

Na chegada ao serviço de saúde, é importante relatar:

  • o consumo de bebida alcoólica;
  • o contexto em que ocorreu (festa, bar, evento);
  • o tipo de bebida ingerida;
  • se havia rótulo na embalagem;
  • o horário aproximado da ingestão.

Essas informações auxiliam a investigação, o diagnóstico e o tratamento adequado.

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