Republicanos dão recado e impõem derrotas ao Governo Miki - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Cordeiro tomou decisões contra o Governo - Foto: Roque Lopes/oreporter.net

Republicanos dão recado e impõem derrotas ao Governo Miki

Partido tem dois vereadores e um deles ainda estava votando a favor de projetos do Governo até a noite desta terça

Cachoeirinha – A Sessão da Câmara de Vereadores da noite desta terça-feira (19), marcada pela presença de um grande número de professores em greve, que acompanharam a aprovação de uma moção de apoio do Legislativo à categoria e contra o pacote do Governo Eduardo Leite, também revelou uma nova crise do Governo Miki com a base de sustentação.

O Republicanos, antigo PRB, tem dois vereadores. Eduardo Keller já é oposição há tempo e Edison Cordeiro vinha votando à favor do Governo. Antes de a Sessão iniciar,  o presidente do partido, Nerisson Oliveira, revelou à reportagem que havia um certo descontentamento com a atenção recebida do prefeito Miki Breier ao ser questionado se havia acontecido um rompimento.

“Por uma questão de educação, eu tenho que falar com o prefeito primeiro. Temos que conversar e definr a nossa participação no Governo. O que eu posso dizer é que estamos nos sentindo bem desconfortáveis”, disse. A questão não são cargos, pois o partido tem 15 deles. O descontentamento está na falta de diálogo do prefeito com o partido, que não estaria sendo ouvido para contribuir com a administração em algumas áreas de interesse. Uma reunião ainda não foi marcada.

O descontentamento ficou claro quando Edison Cordeiro não quis assinar um acordo de lideranças para um pedido de suplementação ser feito liberando em torno de R$ 70 mil para ser iniciado o estudo da construção de uma ciclovia na Flores da Cunha. Sem a assinatura dele, faltou uma para as quatro necessárias para a matéria entrar em votação em regime de urgência.

O reflexo mais significativo do descontentamento aconteceu quando estava em discussão o requerimento para desarquivar o projeto no qual a Prefeitura pede autorização para dar uma área em pagamento de uma dívida com a Brasília Guaíba, liberando a conclusão da Fernando Ferrari.

Quando parlamentares da oposição iniciaram novamente um debate através de pedidos de Questão de Ordem, como aconteceu na semana passada, Cordeiro pediu a palavra e disse: “Eu vou facilitar as coisas. Eu retiro a minha assinatura deste requerimento.”

O documento somente seria considerado se tivesse a assinatura da maioria absoluta dos vereadores, ou seja, nove. Sem a de Cordeiro, restaram oito e a matéria ficou sem ter como avançar. Agora o Governo terá que encontrar uma nova alternativa para tentar destravar a continuidade da obra.

Quando Cordeiro retirou sua assinatura do requerimento e Medeiros encerrou a Sessão por não haver mais assuntos a serem tratados, oposicionistas foram até o parlamentar para agradecê-lo.

Republicanos já teriam votos para a eleição na Câmara

Mesmo antes de haver uma sinalização clara do Republicanos sobre seu posicionamento em relação ao Governo, já havia um desalinhamento na eleição da presidência do Legislativo para 2020. O Governo abriu apoio ao vereador Felisberto Xavier, mas Edison Cordeiro nunca escondeu o desejo de ser o presidente.

Na noite desta terça, a reportagem apurou que Cordeiro já tem os votos necessários para vencer a disputa com Xavier. A composição da Mesa Diretora até já estaria definida: Paulinho da Farmácia, que está na base de apoio ao Governo, seria o vice-presidente. Os oposicionistas Eduardo Keller e Jacqueline Ritter seriam reconduzidos como 1º e 2º secretários.

Governo corre riscos de nova tentativa de cassação

Desde o racha na base de apoio, o Governo Miki vinha trabalhando para reconstruir a maioria na Câmara. Tinha nove votos e conquistou mais um ao se acertar com o presidente do Legislativo, Fernando Medeiros, do PDT, há poucos dias. Caso o Republicanos rompa em definitivo, a oposição volta a ter oito parlamentares e há duas CPIs em andamento cujos relatórios serão votados em Plenário.

A votação, hoje, daria 8 a 8 e o presidente desempataria a favor do Governo. O problema é que as votações ficariam muito ajustadas e uma pequena instabilidade no relacionamento dos apoiadores com o Governo poderia render a abertura de um processo de cassação. Além disso, com uma base igual ao da oposição, muitas matérias podem não avançar com a agilidade que o Governo deseja.

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