Quando a arte acalma a alma até a vida melhorar - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Fiuza e Rubem destacam que Crepop fez bem - Fotos: Roque Lopes/oreporter.net

Quando a arte acalma a alma até a vida melhorar

Atividades de arte e artesanato realizadas para pessoas que moram nas ruas de Cachoeirinha contribui para a boa saúde mental

Cachoeirinha – Pessoas que usam o Albergue Municipal encontram no Centro de Referência da População Adulta de Rua (Crepop) atividades que as auxiliam a manter a serenidade e buscar alternativas para mudar de vida, sem deixar o desânimo tomar conta da vida. Neste ano, pelo menos dez oficinas de arte e artesanato foram realizadas nas sextas-feiras e o resultado dos trabalhos se transformou na exposição Mãos que Trabalham, apresentada na Cesuca e Câmara de Vereadores.

A exposição é resultado do projeto de estágio de psicologia de Mara Eloisa Tresoldi e investiga como o artesanato e a arte contribuem para que as pessoas reflitam sobre suas vidas e abram novas perspectivas em busca de uma mudança. A educadora social da Crepop, Bruna Kin, destaca que a iniciativa tem contribuído para mostrar que “todos podem ser autores da própria história.”

“Neste ano, estudamos pintores, fizemos releituras de obras e teve visita na Casa de Cultura, entre outras atividades, como estas criações de sabonetes, velas e enfeites natalinos. Este trabalho instigou eles a refletirem. Todos podem ser autores da própria história e um caminho é não se invisilizarem. A sociedade, muitas vezes, os invisibiliza porque é mais fácil do que se colocar no lugar do outro”, destaca Bruna.

Trabalhos foram expostos na Câmara nesta terça

Solteiro e com 41 anos, Adalberto Rubem, ficou desempregado há quatro meses. Não chegou a ser morador de rua porque tem casa própria e acabou descobrindo o Crepop. “Fui buscar um apoio para enfrentar esta fase difícil. As atividades me ajudaram a manter a sanidade mental e isto foi importante para eu aguardar a chegada de uma nova oportunidade para voltar a trabalhar”, conta. E ela chegou na última segunda-feira, quando começou a trabalhar como auxiliar em uma fruteira.

Já Ivan Fiuza, 52 anos, enfrentou um caminho um pouco mais difícil. Frequenta o Crepop há três anos, desde que ficou desempregado e sem casa ao ser demitido de uma empresa de capina e limpeza de ruas que prestava serviços para a Prefeitura no Governo passado. “Eu era de Viamão. Fiquei sem emprego e sem casa. Morava na rua e bebia muito. Busquei ajuda e comecei a frequentar o Crepop. Foi muito bom. Ali temos gente para conversar, recebemos orientações e aprendemos novas habilidades que podem ser úteis”, destaca. Hoje, Fiuza não bebe mais e voltou a estudar. Está no EJA e a vida já mudou para melhor porque deixou as ruas ao arrumar uma ocupação como caseiro.

Na Câmara de Vereadores nesta terça-feira (3), no lado esquerdo da recepção, a exposição estava montada. E muitos passaram por ali sem sequer olhar o que estava sendo apresentado. Era o exemplo prático do que Bruna comentava: a sociedade prefere não ver. Rubem e Fiuza, contudo, se faziam notar. Abordavam as pessoas e insistiam para que visem o trabalho que acalmou a alma até a vida melhorar.

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