PSL defende respeito às urnas e quer se descolar de disputa política - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
"Política deve servir para fazermos o bem", diz Azevedo - Foto: Divulgação

PSL defende respeito às urnas e quer se descolar de disputa política

Posicionamento do partido cria obstáculos para possível candidatura de Rubens Otávio em uma eventual eleição suplementar; Mano do Parque entra na Justiça para assumir a presidência

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Cachoeirinha – A movimentação da situação e oposição segue intensa nos bastidores em torno da nova tentativa de impeachment do prefeito Miki Breier e do vice Maurício Medeiros. O nome que surge como principal candidato em uma eventual eleição suplementar, no caso de haver a cassação do prefeito e vice, Rubens Otávio, já tem seu registro ameaçado.

O PSL passou por uma mudança radical com a destituição da comissão provisória e posse de um novo presidente no dia 20 de maio. David Azevedo assumiu o comando da sigla pregando respeito ao mandato do prefeito e defendendo uma atenção maior com a população. Apesar disso, ele frisa que não há uma defesa do atual governo. “Não concordamos com muitas coisas, mas agora a nossa preocupação é trazer emendas parlamentares para a cidade e para isso precisamos da parceria da prefeitura para os projetos sejam executados”, afirmou.

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O presidente do PSL no estado, deputado federal Nereu Crispim, também não deixa dúvidas sobre o novo posicionamento: “Não somos apoiadores de ninguém. Só respeitamos as urnas. Ninguém está apoiando ninguém. O resto é fake news. As pessoas honestas estão sem paciência para participar de política. Então, me faz um favor: minha mãe morou 65 anos em Cachoeirinha e meu pai 63 anos. Os dois falecidos. Essa cidade merece boas notícias. Publica aí”, disse à reportagem antes de listar uma série de emendas destinadas para cidade.

Boa parte dos cerca de R$ 3,5 milhões são para a saúde, mas há cerca de R$ 1 milhão para asfalto e dinheiro para uma creche na Granja Esperança para atender 98 crianças. O parlamentar ainda adiantou que está trabalhando para viabilizar recursos para uma nova UPA, esta destinada para o atendimento exclusivo de idosos, e também R$ 750 mil para a aquisição de um novo caminhão para os Bombeiros.

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“Cachoeirinha tem que se preocupar e com isso. Chega desses blá, blá, blá e de projeto pessoal. Aqui atuamos para coletividade”, frisou. De março do ano passado a abril deste ano, conforme dados revelados pelo deputado, Cachoeirinha já recebeu cerca de R$ 25 milhões do Governo Federal além dos repasses constitucionais. Boa parte, cerca de R$ 16 milhões, foram do socorro emergencial por conta da crise provocada pela Covid. O restante, são de recursos buscados pela prefeitura e emendas parlamentares de deputados com ligações à políticos da cidade. Crispim preferiu não entrar no debate travado para derrubar o governo.

Novo presidente não quer entrar em polêmicas

Para o novo presidente a sigla em Cachoeirinha, o partido estava abandonado. “Não sei o que aconteceu antes de eu chegar. Só sei que não montaram uma Executiva e sequem se preocuparam com a cidade, com emendas, em divulgar o que o partido vem fazendo pela população. Temos muitos planos”, destacou Azevedo.

Com passagens pelo PT na época de José Stédile, MDB e PSB, Azevedo contou que estava há tempo afastado da política e resolveu aceitar o convite de Crispim para reorganizar o PSL. “Eu não dependo de política para viver. Tenho meus negócios, como a cervejaria na Fátima. Política deve servir para fazermos o bem. Se eu tivesse sido eleito para algum cargo, doaria todo o meu salário”, salientou.

A possibilidade de haver a cassação dos mandatos do prefeito e vice não é uma preocupação de Azevedo. No caso de a Câmara aprovar o afastamento de Miki e Maurício, o partido tem como filiado o ex-candidato a prefeito, Rubens Otávio. Hoje, contudo, ninguém aposta que ele consiga a aprovação para concorrer em uma eventual eleição suplementar.

“Não estamos pensando nisso. Hoje, nós não temos candidato a prefeito e sequer sabemos se teremos um caso haja uma nova eleição. E se esse assunto tiver que ser discutido, não cabe apenas a mim decidir. A nossa preocupação não é com disputas políticas. Ela é com Cachoeirinha. Precisamos trabalhar para a população. Temos muitas coisas boas, muitos projetos, para fazermos”, enfatizou.

Troca na presidência parou na Justiça

O vereador Mano do Parque estranhou a destituição da comissão provisória e a posse de um novo presidente. Ele ingressou com uma ação na Justiça pleiteando o cargo de presidente. Segundo o parlamentar, o artigo 99 do Estatuto do partido não deixa dúvidas sobre o direito que tem.

O artigo 99 está Seção IV, que trata das Disposições Gerais: “Para que o crescimento e a consolidação do Partido nos municípios encontrem sucesso, os Parlamentares eleitos pelo PSL deverão ter preferência para presidir os Diretórios ou Comissões Provisórias Municipais.” Mano do Parque acredita que não terá dificuldades para fazer com que o Estatuto seja respeitado. Ele assumindo, uma eventual candidatura de Rubens Otávio para concorrer a prefeito, volta a ser viabilizada.

Azevedo não entra na discussão. “Eu não sei o que aconteceu no passado. Por que não fizeram nada antes e agora surge esse interesse? Eu não estou preocupado com isso. É preciso que as pessoas entendam que queremos o melhor para Cachoeirinha e esta é a nossa preocupação no momento”, disse.

Além da troca na presidência, o PSL já teria peticionado na Ação Judicial de Investigação Eleitoral contra a coligação de Miki e Maurício por abuso de poder econômico e político durante a campanha eleitoral do ano passado para se retirar dela. Na prático, isto não impede a continuidade da investigação que tem ainda como autores o Cidadania, Rubens Otávio e Antonio Teixeira, que foi candidato a prefeito pela Rede. A reportagem procurou o ex-candidato a prefeito Rubens Otávio. Ele não deu retorno até esta publicação. Caso responda, esta matéria será atualizada.

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