Protetora de animais faz denúncia na Câmara contra Jordan
Denúncia foi lida no início da Sessão e encaminhada para a Comissão de Ética
Cachoeirinha – O vereador Jordan Protetor foi alvo de uma denúncia protocolada na Câmara de Vereadores acusado de cometer uma série de irregularidades no exercício do seu mandato. Ele teria nomeado uma pessoa para um cargo em seu gabinete com a obrigação de ela destinar o salário para outra que não teria a escolaridade mínima para ocupar a função. Outra nomeada para o gabinete seria funcionária fantasma.
A denúncia ainda entra na polêmica da Clínica 4 Patas. Em fevereiro, a prefeitura suspendeu os atendimentos explicando que faria uma reestruturação. Jordan alertou que ela seria fechada e o prefeito Cristian Wasem chegou a fazer uma live para dizer que o fechamento era fake news. No mesmo dia, a clínica retomou o atendimento das emergências. Dias depois, um novo cadastramento de protetores de animais foi realizado e a clínica voltou a abrir para consultas.
Na denúncia feita na Câmara, Jordan é acusado de ter interferido na clínica e quando seus indicados foram demitidos teriam levado junto as fichas de atendimentos de animais. A denunciante aponta que o parlamentar se utiliza da causa animal para “alavancar sua carreira política”.
A leitura da denúncia em Plenário causou estranheza no vereador David Almansa porque o documento não estava na Pauta da Sessão e nem na retificação da Pauta feita na segunda-feira (3) depois de ele ter sido protocolado. Para Almansa, a leitura deveria acontecer na próxima Sessão.
“Eu fui presidente da Comissão Processante que investigou o ex-prefeito Miki [Breier] e lembro que toda denúncia constava em pauta. Portanto, não sei os outros vereadores, eu fui pego de surpresa com essa leitura. Nós tivemos uma denúncia contra um vereador dessa Casa [Gelson Braga] encaminhada à Comissão de Ética e que não foi lida no Plenário. Queria entender qual é o procedimento”, disse, ao se dirigir ao presidente do Legislativo, Paulinho da Farmácia.
“A Procuradoria [-Geral da Câmara] pediu para esse presidente ler em Plenário a denúncia porque o vereador Jordan Protetor é do meu partido e se eu não lesse estaria prevaricando”, explicou Paulinho. Não chegou a ser comentado durante o debate que se instaurou o fato de o nome da autora da denúncia, uma protetora de animais, não ter sido citado na leitura do documento. A reportagem apurou que é Ana Lopes. Jordan Protetor salientou que a denunciante terá que provar todas as irregularidades que apontou no documento.
O parlamentar ainda destacou, assim como Almansa, que a Câmara deveria ter um cuidado com relação a denúncias recebidas sem provas. E que a leitura em Plenário não segue o definido no Regimento Interno. Nele, está estabelecido que a denúncia deveria ser encaminha diretamente pela Mesa Diretora à Comissão de Ética.
Jordan destacou que se a Câmara passar a ler toda e qualquer denúncia sem provas vai acabar gerando constrangimento para todos os vereadores, que passam a ser alvos. “Se começar a vir denúncias aleatórias contra qualquer vereador, todas vão ser lidas? Eu nunca vi isso. Eu acho que a denúncia em si tem que ter base, tem que ter o mínimo de alguma prova. Essa moça que me denunciou, ela já me denunciou umas dez vezes. Tudo sem fundamento nenhum. Uma perseguição. Se ela mandar mais 20 denúncias contra mim, as 20 serão lidas?”, questionou, salientando que a Câmara deve ter um critério para tratar esse tipo de caso. O parlamentar ainda frisou que se a denunciante não apresentar provas será processada pelo fato de ter atingido sua imagem e honra.
Atualizada – 05/04/2023 – 08h42min


