GravataíREGIÃO

Projeto Cão Comunitário oportuniza cuidados com animais da cidade

Nas proximidades do Hospital Dom João Becker, na área central da cidade, um personagem inusitado chama a atenção de quem passa pelo local: um cachorro, de aproximadamente sete anos, convive harmonicamente com os comerciantes, moradores e visitantes da região. Batizado como Alemão, o grande vira-latas é alimentado pelos proprietários das lojas e já virou atração da área, sendo conhecido por quem circula pelo local. O simpático morador de rua de quatro patas é um dos 60 cachorros comunitários que estão espalhados por diversos pontos de Gravataí. O Canil Municipal realiza os procedimentos de castrações gratuitas aos cães de rua, assim diminuindo a natalidade dos animais.

Os cães resgatados das ruas são levados para o canil, e lá recebem atendimento veterinário, além dos tratamentos devidos, assim como o processo de castração. Todos os cães cadastrados recebem uma ficha de avaliação com a indicação de todos os procedimentos aos quais foram submetidos. Após esses cuidados, os animais são levados aos seus locais de origem sempre que a comunidade assim o desejar, e classificados como Cachorros Comunitários, cuidados e alimentados pelos lojistas próximos, após uma total aceitação destes com a convivência.

Canil Municipal foi totalmente reestruturado em 2013

O Canil Municipal de Gravataí é uma referência em acolhimento e atendimento veterinário na região metropolitana. O espaço passou por uma reestruturação completa em 2013, os investimentos chegaram a R$ 600 mil com obras de reforma e ampliação da área de acolhimento. Foram construídas 48 novas baias em um espaço de 1.250 metros quadrados. O espaço faz parte da Fundação Municipal do Meio Ambiente, mantido através da Prefeitura. “A reforma foi executada para transformar o canil em um ambiente de passagem dos animais, para que encontrem atendimento e sejam restabelecidos para retornar ao seu local de origem”, destaca o diretor técnico Jackson Müller.


O trabalho realizado no local acolhe animais abandonados de vários pontos da cidade. Atualmente, o canil abriga cerca de 380 cachorros.

Os atendimentos veterinários ocorrem para tratamento de doenças, avaliações clínicas e castrações em cães de ambos os sexos. Os animais recolhidos das ruas passam por procedimentos de esterilização, e podem ser encaminhados à adoção ou entregues as comunidades para que elas mantenham os animais, com alimentação e cuidados. “A castração é um dos métodos mais eficaz para o controle da natalidade dos animais urbanos, é uma das principais ações desenvolvidas dentro do canil”, avalia Müller.

Números

Desde a implantação do movo modelo do canil já foram atendidos 5.700 atendimentos veterinários, entre consultas, tratamento de doenças, e castrações. Entre os anos de 2015 e 2016 passaram pelo canil mais de 3 mil cães. Só em 2015 foram, cerca de 1.235 cirurgias de castração e retiradas de tumores de cães desabrigados, também foram realizados 700 atendimentos em clínica veterinárias terceirizadas.

Já em 2016, esse número subiu para 1.600 procedimentos de castração realizados. Esses processos de esterilização contribuem para a diminuição da comunidade canina na cidade, assim fazendo um controle de natalidade dos animais, evitando que mais cachorros nasçam e fiquem nas ruas. “Estamos iniciando um novo processo de castração menos invasivo aos animais, que pode ser esterilizado em dez minutos, e o pós-operatório é muito rápido, podendo voltar ao seu local de origem ou às famílias no mesmo dia da cirurgia”, explica Jackson.

Outra importante ação do canil está retomando é a microchipagem dos animais. Cada cão será identificado por um chip com número, assim será possível a identificação de quais tratamentos os animais foram submetidos. Essa microchipagem possibilita a identificação da área e qual o adotante estava com a responsabilidade do animal, se ele for abandonado novamente é possível localizar quem fez a adoção. “O canil municipal não foi construído para ser um depósito de animais, ou receber os cachorros que as famílias não querem. O canil foi concebido para ser um ambiente de passagem para esses cães desabrigados e, após todos os procedimentos necessários para restabelecer sua saúde, serem encaminhados para os adotantes ou devolvidos às comunidades que os acolherem”, conclui.

O número de cães na cidade é superior a 60 mil. Os animais abandonados e que vivem em situação de rua giram em torno de 5 e 6 mil cães.

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