CACHOEIRINHA

Presidentes da ACC, CIC e Sindilojas avaliam o perfil das novas vagas de emprego em Cachoeirinha

Andrea Correa, que está dentro do perfil que teve mais vagas no quadrimestre, conta que apesar disso não foi fácil se recolocar no mercado

Cachoeirinha – Conseguir uma vaga no mercado de trabalho nem sempre é fácil, mesmo para quem reúne o perfil mais procurado pelas empresas de Cachoeirinha. Aos 24 anos, com ensino médio completo e atualmente trabalhando na área administrativa de um escritório de advocacia no município, Andrea Correa conhece bem essa realidade.

“Estou há alguns meses trabalhando na área administrativa de um escritório de advocacia em Cachoeirinha. Mesmo tendo experiência na área e o ensino médio completo, foi um pouco difícil conseguir essa vaga. Dos três lugares em que trabalhei, em dois consegui por indicação, mesmo tendo cursos e concluído meus estudos. O que ainda pesa muito é a experiência profissional. No meu primeiro emprego, em uma loja, tudo era novidade, porque eu tinha acabado de concluir os estudos. Já nos outros, com mais experiência, estou conseguindo me adaptar bem. A demora para conseguir uma recolocação no mercado de trabalho, às vezes, é angustiante e desmotivadora, mas é preciso continuar procurando”, relata.

A história de Andrea representa exatamente o perfil que mais conquistou espaço no mercado de trabalho formal de Cachoeirinha nos quatro primeiros meses de 2026. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que as empresas do município geraram saldo positivo de 550 empregos, sendo 351 vagas ocupadas por mulheres e 199 por homens.

O levantamento também revela que os trabalhadores de 18 a 24 anos responderam pelo maior saldo de empregos, com 306 novas vagas, enquanto o nível de escolaridade mais procurado foi o ensino médio completo, responsável por 263 postos de trabalho.


Entre os grupos ocupacionais, o maior saldo foi registrado entre trabalhadores dos serviços, vendedores do comércio em lojas e mercados, com 172 vagas, seguido pelos trabalhadores da produção de bens e serviços industriais, com saldo de 143 empregos, e pelos trabalhadores dos serviços administrativos, com 92 vagas.

Setor de serviços explica predominância

Para a presidente do Centro das Indústrias de Cachoeirinha (CIC), Neiva Bilhar, o perfil das contratações está diretamente relacionado às características econômicas do município.

Segundo ela, os setores de serviços, logística e atividades administrativas costumam absorver jovens que estão ingressando no mercado de trabalho.

“Sem vícios corporativos, com sede de aprendizado e alta expectativa, esses jovens se inserem e se adaptam facilmente à cultura organizacional. A maioria ocupa funções administrativas e operacionais, onde a afinidade com ferramentas digitais se torna um diferencial.”

Neiva observa ainda que muitas empresas valorizam competências frequentemente encontradas entre mulheres, como organização, capacidade de lidar com múltiplas tarefas e relacionamento interpessoal, características importantes nas áreas administrativa, comercial, de atendimento e serviços.

Ao mesmo tempo, destaca que parte da indústria ainda concentra vagas em atividades operacionais tradicionalmente ocupadas por homens, principalmente aquelas que envolvem maior esforço físico ou operação de máquinas pesadas.

Perfil das vagas influencia resultado

A presidente do Sindilojas Cachoeirinha, Márcia Fialho, faz uma ressalva importante sobre a leitura dos números. Segundo ela, o fato de as mulheres terem ocupado a maioria das novas vagas não significa que exista uma preferência absoluta por gênero.

“Os dados mostram muito mais uma combinação entre o perfil das vagas ofertadas e as características procuradas pelas empresas do que uma preferência absoluta por mulheres ou jovens”, afirma.

Ela explica que comércio e serviços, segmentos que tiveram forte participação na geração de empregos, costumam exigir competências ligadas ao atendimento ao público, comunicação, organização e relacionamento interpessoal. “O mercado busca profissionais qualificados, comprometidos e alinhados às necessidades de cada função”, resume.

Competência acima de qualquer disputa

A presidente da Associação Empresarial de Cachoeirinha (ACC), Viviane Goulart, também evita atribuir os resultados exclusivamente ao gênero. Para ela, o crescimento da participação feminina acompanha uma tendência nacional e reflete mudanças sociais importantes.

“As mulheres cada vez mais estão à frente da família, sendo a base do sustento ou contribuindo de forma decisiva para a renda familiar”, observa. Viviane destaca que não acredita em uma disputa entre homens e mulheres.

“Cada um possui qualidades e virtudes que emprega em todas as áreas da vida. O importante é que as oportunidades sejam ocupadas por pessoas qualificadas.” Ela lembra ainda que Cachoeirinha possui diversos exemplos de liderança feminina tanto no setor público quanto na iniciativa privada, demonstrando que competência, dedicação e capacidade de gestão independem de gênero.

Perfil das novas vagas em Cachoeirinha

Os dados do Caged mostram que o perfil predominante das contratações formais no município, entre janeiro e abril de 2026, foi:

  • Sexo: mulheres (351 vagas)
  • Faixa etária: 18 a 24 anos (306 vagas)
  • Escolaridade: ensino médio completo (263 vagas)
  • Principais áreas de contratação: comércio, serviços, logística e atividades administrativas.

Embora o perfil seja predominante nas admissões, especialistas destacam que a experiência profissional continua sendo um diferencial importante, realidade vivida pela própria Andrea Correa, que precisou persistir até conquistar uma nova oportunidade no mercado de trabalho.

*Rodrigo Alves colaborou nessa reportagem

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