Presidente da EPPO explica como será a coleta do lixo e sonha com PPP - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
José Carlos e Júlio Cesar - Foto: Roque Lopes/oreporter.net

Presidente da EPPO explica como será a coleta do lixo e sonha com PPP

Empresa começa a operar oficialmente a partir de 28 de setembro, mas já colocou nas ruas quase mais de 100 contêineres para substituir os que foram retirados pela Conesul

Cachoeirinha – O presidente da empresa paulista EPPO, que cumprirá um contrato emergencial de 180 dias para a coleta do lixo mecanizada em Cachoeirinha, João Carlos Ventre, disse nesta terça-feira (17) que pretende revitalizar o processo até então adotado na cidade. Acompanhado do gerente comercial, Júlio Cesar de Oliveira, Ventre veio de São Paulo para uma entrevista coletiva na Prefeitura onde explicou em detalhes como vai funcionar o novo sistema.

Cerca de 100 contêineres, que são pretos e de plástico, de um total de 250 do primeiro lote que já chegou à cidade, foram distribuídos em pontos nos quais os equipamentos da Conesul foram retirados pela empresa depois de a Prefeitura comunicar a rescisão contratual. A medida atende uma necessidade da população que ficou sem o serviço.

Segundo Ventre, a modalidade de contratação, além de proporcionar uma economia na ordem de R$ 300 mil mensais aos cofres públicos, tem outra vantagem: o contrato antigo com a Conesul previa um pagamento por contêiner independentemente do que havia dentro dele e agora será por tonelagem.

“Esse contrato era lesivo aos cofres públicos. Se tinha uma latinha de cerveja ou uma carteira de cigarro dentro e a empresa recolhia, nós tínhamos que pagar”, comentou o prefeito Miki Breier em uma coletiva logo depois de Ventre encerrar a dele – o presidente da EPPO e o prefeito não chegaram a se encontrar na sala de reuniões.

A EPPO vai operar na cidade com quatro caminhões e gerar cerca de 60 empregos. A ideia inicial é aproveitar profissionais que já atuam na Conesul e ficarão sem emprego, mas não é regra. O Sine, que funciona junto ao prédio da Prefeitura, está recebendo currículos que serão repassados para o setor de RH da empresa paulista.

Embora a EPPO tenha feito um estudo aprofundado da cidade, a partir de um contato do então secretário de Planejamento e Captação de Recursos, Nilo Moraes, com um professor da USP, que indicou a empresa, Ventre estima que serão necessários 60 dias para o serviço ser ajustado conforme a demanda em cada ponto.

Hoje, a cidade tem cerca de 950 contêineres e a EPPO vai trazer 1,5 mil. Conforme o gerente comercial, Júlio Cesar, 1,2 mil serão colocados nas ruas em substituição aos existentes e os demais ficarão como reserva para trocas ou ampliação do serviço. Nestes 60 dias a empresa irá avaliar todos os pontos, podendo diminuiu ou ampliar o número de equipamentos, e definir o período de coleta que melhor se adapte às necessidades da população.

PPP ainda não está descartada

Durante o contrato emergencial, a Prefeitura irá preparar e lançar um edital licitando a coleta de lixo. A Parceria Público-Privada, barrada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), ainda não está descartada. Ventre revelou que acredita na possibilidade de o TCE aprová-la e disse que a empresa forneceu todos os dados solicitados.

A EPPO se interessou na PPP até porque já tem cinco contratos em municípios paulistas dentro desta modalidade: Itu, Cabriúva, Lorena, Itapira e São Roque. “Em São Paulo, a PPP diminuiu o investimento do poder público. Nós fizemos o estudo de Cachoeirinha e fomos classificados como a melhor empresa na manifestação de interesse”, conta Ventre.

Dentro da PPP pensada pela Prefeitura, a empresa continua sendo remunerada pelo que coleta, mas há um acréscimo nos serviços prestados e sem custo. “Temos que ter uma frota zero, usar biodiesel, criar ecopontos e trabalhar a educação ambiental, entre outros pontos”, revela.

Um dos maiores problemas na primeira experiência de Cachoeirinha com os contêineres é o grande acúmulo de lixo que não deveria ser depositado nos coletores, como móveis velhos e entulhos de toda a natureza. “Isso se revolve com educação ambiental nas escolas. As crianças vão ensinar os pais”, afirma

Para o prefeito Miki Breier existe ainda a possibilidade de o TCE liberar a PPP. “Nós tentamos duas. A da iluminação pública não passou e tivemos que licitar. Agora tentamos a do lixo e não avançou também. Como a PPP da iluminação em Porto Alegre foi aprovada agora pelo Tribunal, acreditamos que a do lixo possa voltar para a pauta. Nós ouvimos que eles iriam liberar todas”, revela Miki, salientando que espera resolver a questão dentro de seis meses. “Se não der a PPP, vamos licitar.”

Compartilhe essa notícia