Prefeitura busca ajuda do Estado para manter Hospital de Campanha aberto
Contratos terminam no próximo dia 28 e estrutura menor está sendo preparada, mas sem UTIs
Cachoeirinha – A prefeitura está buscando ajuda do Governo do Estado para manter o Hospital de Campanha, instalado no Ginásio da Fátima, aberto por mais tempo. Os contratos, tanto da estrutura quanto dos profissionais, terminam no próximo dia 28, um domingo.
Desde esta sexta-feira (19), quando pela primeira vez a região da qual a cidade faz parte ingressou na bandeira preta dentro do Distanciamento Controlado do RS, o secretário da Saúde, Juliano Paz, intensificou os contatos para buscar recursos.
“O fechamento do hospital foi algo pensado lá em novembro quando projetamos a prorrogação dos contratos até o final de fevereiro. Não tínhamos como saber que chegaríamos agora em um quadro muito delicado em termos de aumento de casos. A nossa dificuldade agora é orçamentária para mantermos ele aberto”, explica.
Paz disse à reportagem neste sábado (20) que vem conversando com gestores da 1ª Coordenadoria Regional de Saúde e existe uma possibilidade de o Estado socorrer Cachoeirinha. Também há conversas com a direção do Hospital Padre Jeremias.
O problema é que o Padre Jeremias, conforme o secretário, está sobrecarregado e não teria condições de absorver a crescente demanda de pessoas com sintomas associados à Covid-19. Não haveria sequer espaço físico para ampliar o número de leitos.
Dados deste sábado, disponíveis no painel Covid do RS, mostram que o hospital está com 70% das UTIs ocupadas sendo que dois pacientes estão intubados. Fora das UTIs há 17 pacientes, entre confirmados e não, havendo apenas oito leitos disponíveis.
O secretário de Saúde revela que no Hospital de Campanha a situação ficou crítica nesta sexta-feira e em dado momento os atendimentos tiveram que ser suspensos. “Mandamos as pessoas para casa e depois das 15 horas ligamos para que voltassem”, revela.
Foram em torno de 200 atendimentos. Quatro pessoas precisaram de respiradores e devido ao quadro agravado uma foi transferida para Porto Alegre e outra para o Padre Jeremias.
Paz revela que tem havido uma mudança no perfil das pessoas que buscam atendimento. Há muito mais jovens e eles estão chegando no hospital em estado grave. “Não sabemos se estão demorando para procurar atendimento ou se a doença está evoluindo mais rapidamente”, diz.
A maior preocupação é que os reflexos das aglomerações no Carnaval vão começar a ser sentidos na próxima semana, a última do funcionamento do Hospital de Campanha se o Estado não der uma ajuda financeira ou não for encontrada outra alternativa.
A secretaria projetou uma estrutura menor para não deixar a população sem assistência com a criação de 12 leitos no antigo posto 24 horas, ao lado do Ginásio da Fátima, mas sem UTIs. O orçamento disponível permite a manutenção desta operação por algumas semanas. “Esperamos ser possível encontrar uma alternativa durante a semana para mantermos o hospital aberto por mais um período”, destaca Paz. O custo da estrutura gira ao redor de R$ 1 milhão por mês.
Ter hospital e médicos disponíveis não é a única solução para o enfrentamento da doença. Paz salienta que as pessoas precisam se conscientizar de que devem manter as medidas de segurança sanitária. Em Cachoeirinha, isto não vem acontecendo. Nesta sexta à noite, por exemplo, todos os bares da avenida Flores da Cunha ou próximos estavam lotados.
Neste sábado, estes estabelecimentos não podem abrir em nenhum horário e a partir das 22 horas até as 5 horas não é permitida nem atendimento por tele-entrega.
O que muda em Cachoeirinha com a bandeira preta
A educação infantil em creches e pré-escolas, o Ensino Fundamental, de anos iniciais e finais, o Ensino Médio e Técnico e o Ensino Superior (incluindo graduação e pós-graduação) só podem ocorrer de forma remota.
O ensino presencial é permitido, com restrições, atendimento individualizado e sob agendamento, apenas para atividades práticas essenciais para conclusão de curso de Ensino Médio Técnico concomitante e subsequente, Ensino Superior e pós-graduação da área da saúde (pesquisa, estágio curricular obrigatório, laboratórios e plantão), e Ensino Médio Técnico subsequente, Ensino Superior e pós-graduação (somente atividades práticas essenciais para conclusão de curso: pesquisa, estágio curricular obrigatório, laboratórios e plantão).
No serviço público, apenas áreas da saúde, segurança, ordem pública e atividades de fiscalização atuam com 100% das equipes. Demais serviços atuam com no máximo 25% dos trabalhadores presencialmente.
Serviços essenciais à manutenção da vida, como assistência à saúde humana e assistência social, seguem operando com 100% dos trabalhadores e atendimento presencial.
Nos serviços em geral, restaurantes (à la carte ou com prato feito) podem funcionar apenas com tele-entrega e pague e leve, e 25% da equipe de trabalhadores. Essa definição também vale para lanchonetes, lancherias e bares. Salões de cabeleireiro e barbeiro permanecem fechados, assim como serviços domésticos.
O comércio atacadista e varejista de itens essenciais, seja na rua ou em centros comerciais e shoppings, pode funcionar de forma presencial, mas com restrições.
Equipes de no máximo 25% dos trabalhadores são permitidas. O comércio de veículos, o comércio atacadista e varejista não essenciais, tanto de rua como em centros comerciais e shoppings, ficam fechados.
Cursos de dança, música, idiomas e esportes também não têm permissão para funcionar presencialmente.
No lazer, ficam proibidos de atuar parques temáticos, zoológicos, teatros, auditórios, casas de espetáculos e shows, circos, cinemas e bibliotecas. Demais tipos de eventos, seja em ambiente fechado ou aberto, não devem ocorrer.
Academias, centros de treinamento, quadras, clubes sociais e esportivos também devem permanecer fechados.
Todas as áreas comuns de lazer dos condomínios devem permanecer fechadas, incluindo academias.
Locais públicos abertos, como parques, praças, faixa de areia e mar, devem ser utilizados somente para circulação, respeitado o distanciamento interpessoal e o uso obrigatório e correto de máscaras. É proibida a permanência nesses locais.
Missas e serviços religiosos podem operar sem atendimento ao público, com 25% dos trabalhadores, para captação de áudio e vídeo das celebrações.
Bancos, lotéricas e similares podem realizar atendimento individual, sob agendamento, com 50% dos funcionários.
No transporte coletivo municipal e metropolitano de passageiros, é permitido ocupar 50% da capacidade total do veículo, com janelas abertas.
Atualizada – 20/02/21 – 17h31min – As medidas da bandeira preta entram em vigor na terça-feira, exceto o fechamento de estabelecimentos das 22 horas às 5 horas, já em vigor neste sábado





