Pombas em revoada podem mudar de ninho - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí

Pombas em revoada podem mudar de ninho

Com a proximidade da eleição da nova Executiva do PSB de Cachoeirinha e a construção de possíveis cenários para as eleições do ano que vem, as pombas estão em revoada e parte delas pode não retornar para o ninho. Quem tem a caneta agora é o prefeito Miki Breier e ela garante uma vantagem que não agrada todo mundo.

É sabido por todos que o deputado federal José Stédile e o ex-prefeito Vicente Pires têm um projeto político que não se encaixa perfeitamente com o do grupo liderado por Miki. O atual prefeito construiu sua base do outro lado da ponte, se fortalecendo com alianças sólidas junto à Executiva estadual do partido.

A queda de braço se acentua agora com a proximidade da eleição do PSB municipal. O ex-vereador João Tardetti surge como nome apoiado pela dupla Stédile/Pires, mas não deve emplacar. Miki, segundo interlocutores, não quer um presidente torrando a paciência por cargos e mais representatividade no governo.

Um candidato que surge nas fileiras do grupo liderado pelo prefeito é Josué da Silva Francisco, o Josão. É um nome para cumprir com as funções inerentes a um presidente de partido sem ter pretensões de avançar sobre o governo. Miki já enfrenta hoje pressões constantes do PDT por mais cargos e isso basta.

E é justamente o PDT que pode ser o paradeiro das pombas descontentes. O ninho foi construído no ano passado por Vicente, fiel escudeiro de Stédile. O partido foi fortalecido e conseguiu eleger três vereadores, sendo o plano B da dupla. Vale lembrar que abandonar um partido levando consigo os nomes mais representativos faz parte da história do nosso deputado estadual.

Ele deixou o PT para migrar para o PSB e na época, entre tantas promessas, uma delas era a de que Tardetti seria candidato a prefeito no futuro. E essa conta é cobrada até hoje.

Candidaturas

Neste desenho dos possíveis cenários não fica de fora a eleição do ano que vem. Sem Stédile para sufocar o surgimento de novas lideranças, o candidato a deputado estadual por Cachoeirinha pode não ser o secretário de Governança e Gestão, Juliano Paz. Ele seria candidato por Gravataí, onde já foi vereador de 2001 a 2004 e candidato a vice-prefeito nas eleições de 2004 e 2008. Formaria dobradinha com Anabel Lorenzi, ex-candidata a prefeita.

Por Cachoeirinha, o presidente da Câmara, Marco Barbosa, seria testado em uma eleição para deputado estadual já focando uma candidatura a prefeito. E a na dobradinha não estaria Stédile e sim Saul Sastre. Ex-secretário municipal, professor universitário e escritor, Saul já estaria construindo sua candidatura e contaria com o apoio do empresariado e, especula-se, também da maçonaria.

E o que sobra para Stédile e Vicente?

Isto é uma incógnita. Stédile enfrenta um processo no qual foi apontado pelo Tribunal de Contas do Estado como responsável por uma operação de investimentos de fundos do Iprec gerando prejuízo ao instituto. Teria que devolver aos cofres públicos mais de R$ 1 milhão. Vicente também está enrolado com as contas da Prefeitura e tenta escapar de devolver mais de R$ 3 milhões por apontamentos feitos pelo TCE. Ambos podem se tornar inelegíveis até o próximo pleito.

Neste jogo de xadrez intrincado, Miki pode sofrer um xeque vendo a oposição crescer na Câmara. A vereadora Jacqueline Ritter, servidora pública, assumiu esse papel durante a votação do pacote que cortou vantagens do funcionalismo. Com uma migração das pombas lideradas por Stédile e Vicente para o PDT, Miki passaria a ter quatro vereadores oposicionistas. E essa base contrária poderia aumentar, já que outros vereadores são mais alinhados com Stédile/Vicente. Uma janela para troca partidária deverá ser aberta em março do ano que vem.

Por enquanto, nenhuma pomba se arriscou a esparramar as peças do jogo e o tabuleiro está limpinho.

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