Polícia acredita que família desaparecida em Cachoeirinha esteja morta
Ex-marido da filha do casal, que também sumiu, foi preso na manhã desta terça-feira (10) e preferiu ficar em silêncio

Cachoeirinha – A Polícia Civil passou a considerar que Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, que está desaparecida, juntamente com seus pais, Isail Vieira de Aguiar, de 69, e Dalmira Germann de Aguiar, de 70 anos, tenham sido mortos. Enquanto aguarda laudos do Instituto Geral de Perícias, a Polícia já começou a trabalhar para tentar localizar os corpos.
O ex-marido de Silvana, que foi preso temporariamente na manhã desta terça-feira (10) em ação da Polícia Civil e Corregedoria-Geral da Brigada Militar, já que é soldado da BM, preferiu permanecer em silêncio. Ele aguarda a contratação de um advogado para seguir orientações sobre como se comportar em relação à investigação.
Segundo o delegado titular da 1ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (DPRM), Anderson Spier, não está descartada a possibilidade de ter havido a participação de mais de uma pessoa no crime a ser confirmado.
O delegado aguarda laudos de perícias e também a análise das imagens de uma câmera de segurança sobre a movimentação de carros na casa de Silvana na noite do dia 24 de janeiro, quando ela desapareceu. Primeiro, um carro vermelho passa pelo portão da garagem por volta das 20h34min e permanece por alguns minutos antes de sair. Cerca de uma hora depois o carro branco de Silvana entra na residência e não sai mais. Já por volta das 23h32min um terceiro veículo entra no pátio e permanece por cerca de 12 minutos.
“Encaminhamos essas imagens lá para o Instituto Geral de Perícias porque a gente quer melhorar essas imagens para tentar identificar melhor a situação para poder estabelecer uma cronologia do que aconteceu. Então a gente aguarda esse trabalho do IGP para ver se consegue melhorar, até para tentar identificar as pessoas que estavam dentro desses carros”, disse.
Conforme Spier, a investigação é complexa. “É uma investigação muito complexa. Quando tu começa investigando um crime que tu já sabe qual é o crime e o que tu vai encontrar e qual é o desencadeamento básico das investigações, é mais simples do que um desaparecimento”, explica.
Ele lembra do caso do desparecimento de um casal, também em Cachoeirinha, no qual trabalhou. Rubem Heger, 85 anos, e sua companheira, Marlene Heger, 77 anos, sumiram em fevereiro de 2022 e os corpos nunca foram encontrados. O neto de Rubem acabou revelando que os corpos foram queimados na churrasqueira de uma residência em Canoas.

“Então, infelizmente, a gente não tem como como dizer que vamos conseguir localizar os corpos, porque é extremamente complexo, difícil de localizar e a gente vai fazer todo o possível, tudo que tiver ao nosso alcance. Se não tiver ao nosso alcance, nós vamos procurar alcançar de outras formas”, ressalta.
O delegado destaca que a região metropolitana é muito extensa com diversas áreas rurais. E acrescenta que o ex-marido de Silvana, sendo o responsável pelo crime, teria facilidade em escolher um local de difícil localização. “Ele é policial militar e conhece muito bem a região”, afirma.
Silvana e ex-marido tinham relação conturbada
Silvana e seu ex-marido têm um filho de 9 anos. Ela reclamava muito do ex pelo fato de ele não respeitar as restrições alimentares da criança. Conforme o delegado, depois que passava o final de semana com o pai, o menino voltava para casa e se sentia mal por ter comido o que não deveria. O caso chegou a ser comunicado por Silvana no Conselho Tutelar. O único registro existente contra o ex-marido é esse. Ambos não possuem ocorrências policiais registradas. Por enquanto, a única motivação para o crime seria esse desentendimento entre Silvana e o ex-marido, o que é considerado muito pouco para levar ela a matar a família.
Denúncias podem ajudar a polícia
O celular, que pode ser o de Silvana, encontrado em um terreno baldio a três quadras da casa e minimercado dos pais dela, no bairro Anair, foi localizado depois de uma denúncia anônima. Segundo o delegado, quem tiver alguma informação que possa auxiliar na localização dos corpos pode entrar em contato com a Polícia pelo 181. Não é necessário se identificar.





