“Pedro e Paulo” voltam a patrulhar as ruas de Cachoeirinha
Do passado aos dias atuais, o policiamento em duplas continua aprovado pela população

Cachoeirinha – Para as gerações mais jovens, a expressão “Pedro e Paulo” pode não ter significado imediato. Já para quem passou dos 60 anos, a denominação está associada a uma prática histórica da Brigada Militar: o policiamento em duplas. O modelo foi implantado em Porto Alegre em 1956 e, a partir de 1963, expandido para todas as unidades da corporação no Rio Grande do Sul. Naquele mesmo ano, a então região de Cachoeirinha, ainda vinculada a Gravataí, também passou a contar com o formato.
Em janeiro de 2025, a modalidade completou 69 anos de implementação. Ao longo das décadas, não foi descontinuada, mas passou por adaptações em função de mudanças na dinâmica social e nos métodos de segurança pública. Atualmente, continua a ser utilizado em situações específicas, como eventos, praças, parques, centros comerciais, períodos de maior movimento em datas comemorativas e locais de intensa circulação de pedestres.
Na quarta-feira (27), a presença de policiais do 26º Batalhão de Polícia Militar patrulhando a pé a Avenida Flores da Cunha, na parada 58, chamou a atenção da aposentada Marieta Castorina, de 76 anos. Enquanto aguardava o ônibus para Santo Antônio da Patrulha, ela relatou que fazia anos que não via o policiamento em duplas, conhecido no passado como “Pedro e Paulo”, nas ruas de Cachoeirinha. Segundo Marieta, a presença dos policiais contribui para ampliar a sensação de segurança e também funciona como ponto de apoio à população em situações do dia a dia.
A moradora também mencionou lembranças da infância em Porto Alegre. Conforme contou, os pais a orientavam que, caso se perdesse na cidade, deveria buscar auxílio junto aos “Pedro e Paulo”, que permaneciam em locais de grande fluxo, como a rodoviária e o centro da capital.
Na região central da cidade, os comerciantes também perceberam o retorno do modelo. Silva Mallmam, que mantém um ponto de venda de lanches há mais de 30 anos próximo ao antigo prédio da Barriga Verde, destacou que a atuação dos policiais é percebida tanto por lojistas quanto por clientes. Ela afirmou que a presença das duplas ajuda a inibir ocorrências e permite resposta rápida em caso de necessidade, reforçando a segurança na área.

Segundo o tenente-coronel Roberto dos Santos Donato, comandante do 26º BPM, o policiamento em duplas foi retomado de forma simultânea em todas as unidades do Comando Regional de Polícia Ostensiva Delta do Jacuí (CRPO-DJ), ao qual o batalhão de Cachoeirinha é subordinado. A iniciativa teve início na segunda-feira (25) e ocorre prioritariamente no período da tarde até as 20h, com equipes formadas por um policial e uma policial que percorrem trechos definidos da avenida. “A medida tem como objetivo ampliar a cobertura policial em áreas de maior circulação de pedestres, como centros de compras, shoppings e regiões bancárias”.
Ele destacou que a estratégia contribui para a prevenção de crimes, especialmente roubos a pedestres, que vêm registrando queda nos últimos meses no município. Os resultados, segundo o comandante, são reflexo de ações conjuntas entre diferentes órgãos de segurança, incluindo Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal e fiscalização de trânsito, além do uso de ferramentas tecnológicas, como sistemas de videomonitoramento e cercamento eletrônico.

O oficial também enfatizou a importância da colaboração da comunidade. Ele lembrou que a população pode auxiliar por meio de grupos de WhatsApp ou pelo telefone 190, canais que ampliam a capacidade de resposta da Brigada Militar e fortalecem o enfrentamento à criminalidade.
Origem do termo
O policiamento em duplas foi introduzido no Brasil na década de 1950, seguindo práticas já adotadas em centros urbanos de maior porte. No Rio de Janeiro, os policiais que trabalhavam em pares ficaram conhecidos como “Cosme e Damião”. No Rio Grande do Sul, a designação foi adaptada com a criação da Companhia Pedro e Paulo, em 12 de agosto de 1955, em Porto Alegre. A escolha do nome remeteu a São Paulo e ao padroeiro do Estado, São Pedro.

As primeiras duplas começaram a atuar em janeiro de 1956 em locais estratégicos da capital gaúcha, como rodoviária, aeroporto e estação ferroviária. O modelo se consolidou como referência dentro da Brigada Militar e permanece em atividade até hoje em diferentes cenários, como reforço à presença policial e ao atendimento direto à população.





