Pandemia acabou com feiras e artesãos perderam principal fonte de renda

Categoria espera por mais reconhecimento e pela criação da Loja do Artesão, projeto que está na prefeitura desde 2018
Cachoeirinha – Quem trabalha com artesanato sempre viveu na luta para se manter. É o que afirma o artesão e presidente da Associação Gaúcha do Artesanato de Cachoeirinha (AGAC), Xicão Deggon. “Somos uma categoria que nunca foi valorizada ou recebeu algum tipo de apoio. É um povo guerreiro que já está acostumado a passar por dificuldades”.
Segundo Xicão, a situação vem se agravando há tempos, desde a chegada dos produtos chineses, feitos em escalas, contra os quais não há como competir. “São produtos feitos em série com preço muito baixo. E a pandemia veio para acentuar essa situação, com o fechamento das feiras, que era de onde conseguíamos tirar parte da nossa renda”.
Autodidata e criador de mosaicos em vidro, Xicão conta que a criação da Loja do Artesão em Cachoeirinha será uma forma de garantir aos artistas um local onde poderão comercializar as peças. “O projeto está na prefeitura desde 2018. Estamos atrás de um espaço para colocá-lo em prática”. Segundo ele, a prefeitura está fazendo um recadastramento dos artesãos do município para saber quantos estão ativos. “Acredito que em Cachoeirinha somos mais de mil, mas nem todos estão atuando”.

Xicão foi o responsável pela organização da feira que ocorria no Parcão de Cachoeirinha a partir de março de 2018 e também organizou mutirões para que os artistas da cidade pudessem fazer suas carteiras de artesãos junto ao Sine. “O sonho de todo artesão é ser reconhecido como profissional e ter seus direitos garantidos”.
De acordo com o titular da Secretaria Municipal de Sustentabilidade, Trabalho e Desenvolvimento Econômico, Sérgio Luís Gouvêa, há um cadastro na prefeitura de cerca de 700 artesãos. “Estamos tentando agilizar a locação do espaço para ser montada a Loja do Artesão, mas a pandemia tem dificultado esse processo. Acreditamos que em breve esta questão será solucionada. Nosso objetivo é criar formas de auxiliar os artesãos do município”.
Para o artesão Paulo Gomes, a pandemia gerou uma queda de 70% nos seus rendimentos. “A maior parte da minha renda com as vendas das peças que produzo vinha das feiras que participava. Com a chegada da quarentena, tudo parou. Ainda mantenho a produção, pois dois clientes bons que tenho continuaram comprando”.
Morador do bairro Moradas do Bosque, o artesão trabalha há 20 anos com a produção de peças em MDF cru. “Já me sustentei bastante com o artesanato e conseguia tirar em média R$2.500 por mês, agora não chega a R$1.200. A renda da minha esposa e o auxílio do governo é o que está segurando as contas. Perdi boa parte dos meus clientes, pois pararam de produzir por não terem pra quem vender”, lamenta Paulo.




