SAÚDE

Os riscos da combinação do álcool com medicamentos

Sílvia Muxfeldt Chagas, farmacêutica e presidente da Regional RS da Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag), tira as principais dúvidas sobre o assunto e alerta para os riscos dessa combinação

Uma pesquisa do Ministério da Saúde revelou que Belo Horizonte foi a capital que mais consumiu bebidas alcoólicas no ano de 2021. Os dados mostram que 25,20% dos moradores ingeriram mais de quatro doses em 30 dias, o que colocou a capital na liderança do ranking, seguida por Vitória (ES) e Cuiabá (MT). Diante desse consumo expressivo, uma das principais dúvidas que surgem para quem precisa tomar alguma medicação é: será que posso beber? Será que meu medicamento perde o efeito? Quais serão as consequências da interação da bebida com o antidepressivo?

Para sanar essas e outras questões, Helbert Bontempo, farmacêutico e presidente da Regional Minas Gerais da Anfarmag, entidade responsável pelas farmácias de manipulação no Brasil, explica que as consequências da interação entre álcool e medicamentos dependem de vários fatores. Entre eles está a composição do medicamento, o organismo do paciente e a quantidade de álcool ingerida. Por isso, de forma geral, a recomendação é evitar essa mistura.

De acordo com o farmacêutico, o principal órgão prejudicado é o fígado, que metaboliza o álcool e grande parte dos medicamentos, ficando sobrecarregado. O álcool também afeta especialmente o sistema nervoso central, que comanda nossas ações, alterando substancialmente as capacidades cognitivas estruturais e comportamentais.


Como a bebida altera o metabolismo, o tempo de eliminação do medicamento será alterado, podendo ocorrer antes ou depois do previsto, com possibilidade de prejudicar o tratamento. Aumenta a gravidade quando são utilizadas drogas para tratar problemas neurológicos e psiquiátricos, pois o álcool em geral potencializa o efeito dessas substâncias.

“Antidepressivos agem diretamente no sistema nervoso central. Inicialmente, as bebidas alcoólicas aumentam o efeito do antidepressivo, deixando a pessoa mais estimulada; porém, após passar o efeito da bebida, os sintomas da depressão podem aumentar. Já quando os ansiolíticos são misturados ao álcool aumenta o efeito sedativo, deixando a pessoa inabilitada para realizar atividades que necessitam de atenção, como operar máquinas ou equipamentos, além de ocasionar uma maior probabilidade de efeitos adversos graves, a exemplo de coma”, explica o farmacêutico.

A mistura de alguns antibióticos e álcool, por sua vez, pode causar desde vômitos, taquicardia e até toxicidade hepática grave. “Essas reações podem acontecer com substâncias como, por exemplo, o metronidazol”, diz o especialista.

Helbert completa explicando o efeito com analgésicos e antitérmicos. “O efeito do álcool pode ser potencializado e a velocidade de eliminação do medicamento do organismo será maior, diminuindo seu efeito. Em alguns casos, o uso do álcool com paracetamol pode danificar o fígado, uma vez que ambos são metabolizados nesse órgão. Já a mistura com ácido acetilsalicílico pode causar, em casos extremos, hemorragia estomacal, pois ambos irritam a mucosa estomacal. Portanto, na dúvida, a regra é: não misturar álcool com nenhum tipo de medicamento”, destaca.

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