Oposição diz que não trava a Fernando Ferrari - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Obras na Fernando Ferrari iniciaram em 2016 - Foto: Fernando Planella/Arquivo

Oposição diz que não trava a Fernando Ferrari

Prefeitura segue tentando aprovação de dação de área em pagamento de dívida, mas oposicionistas não concordam e projeto não anda

Cachoeirinha – Apesar de estarem criando diversos obstáculos ao projeto da Prefeitura que quer dar uma área em pagamento de uma dívida com a construtora Brasília Guaíba, vereadores da oposição afirmaram na Sessão desta terça-feira (26) que não estão travando a obra. Na noite em que oposicionistas se revezaram nas críticas ao Governo, Felisberto Xavier saiu em defesa da gestão Miki/Maurício salientando que os parlamentares deveriam apresentar alternativas para solucionar o problema e não somente serem contra.

Na Tribuna estava o vereador Alcídes Gattini. Ele retomou o assunto depois que viu aportar na Casa um novo projeto pedindo autorização para uma área de 70 hectares ser dada como pagamento de uma dívida de R$ 8 milhões, desta vez com duas alterações: vai constar os dados do contrato de acordo extrajudicial e fica de fora a isenção de ISS sobre faturas não emitidas.

Gattini lembrou que o primeiro projeto teve um parecer contrário da Comissão de Constituição, Justiça e Infraestrutura aprovado, provocando o arquivamento do projeto. Depois houve uma tentativa de desarquivar a matéria, mas Edison Cordeiro retirou sua assinatura do requerimento e ele também foi arquivado.

Segundo Gattini, a Lei Orgânica veda a dação de área em pagamento, devendo ela ser vendida em leilão. “Prefeito não pode dar em pagamento bens públicos imóveis, salvo colocá-lo em venda havendo licitação. Não houve ainda informação sobre o perdão da dívida (multa) desta empresa que abandonou a obra”, disse, salientando ainda que na planilha de cálculo consta juros de mora sem que isto esteja previsto no acordo extrajudicial.

Edison Cordeiro argumentou que a Fernando Ferrari está trancada devido a multa cancelada e não explicada. Para ele, o Município está sendo lesado. Já Eduardo Keller ressaltou que é mentirosa a afirmação de que oposicionistas não querem ver a obra em andamento.

“Isso é um assunto que tem que ficar bem claro para a sociedade. Vir dizer que vereadores desta casa estão trancando a obra é mentira. É mentira. O que os vereadores estão fazendo é defender o patrimônio público e o dinheiro público”, enfatizou. Para Marco Barbosa, a Prefeitura quer colocar na Câmara a culpa pela conclusão da Fernando Ferrari estar parada.

“Ela traz para a Câmara um projeto inconstitucional para colocar a culpa na Câmara. O cancelamento da multa de R$ 4 milhões tem que ser explicado”, disse. Jacqueline Ritter também pediu um aparte para lembrar que a construtora é citada na Lava Jato e que para ela ainda existem muitas dúvidas sobre a dívida. “Para mim essa dívida é forçada. Então, ela (empresa) ganha uma licitação porque bota o menor preço, não realiza o trabalho, deixa a Prefeitura e o cidadão em prejuízo e depois vem dizer que a Prefeitura deve? E a Prefeitura aceita isso? Algo tem nisso. Enquanto eu não tiver a certeza que isso está correto, não vou concordar.”

Líder do Governo não usa informações para contrapor oposição e afirma que vereadores dizem bobagens

Os vereadores da base governista, embora tenham informações para contrapor cada um dos pontos levantados pelos oposicionistas, estranhamente não se manifestam. Se mantiveram em silêncio, com exceção do Líder de Governo, Cristian Wasem. Ele, porém, em vez de utilizar informações para esclarecer a oposição, passou do tom, não concedeu apartes e irritou Rubens Otávio.

“Ninguém está dizendo aqui que vereadores estão trancando. Nós estamos tentando achar uma solução de um problema que não é do prefeito Miki Breier e nem do vice Maurício Medeiros. É um problema do passado que tem que ser resolvido agora. Estou aberto ao debate. Venham conversar comigo. Estou emocionado porque me sinto fragilizado. Eu fico sentido aqui porque eu sou uma pessoa pura de coração, pura de honra e pura de caráter e vocês vêm para cá falar um monte de coisa que é bobagem”, criticou.

Rubens Otávio levantou uma Questão de Ordem para rebater o governista. “Os vereadores se manifestam aqui de acordo com seus entendimentos, posições, ideologias, visões e nem por isso aquilo que se fala aqui é bobagem. Peço que o Líder de Governo redimensione suas palavras, que tenha mais cordialidade com os colegas.” Neste momento acabou ocorrendo um bate-boca e o presidente, Fernando Medeiros, interveio para encerrar o caso.

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