OPINIÃO: secretário da Saúde mente ao dizer que há transparência - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Dyego Matielo - Foto: Divulgação

OPINIÃO: secretário da Saúde mente ao dizer que há transparência

Dyego Matielo tem usado redes sociais para se queixar de quem reclama e faz denúncias

O secretário da Saúde, Dyego Matielo, mente em redes sociais e lives da prefeitura ao afirmar que está à disposição de qualquer um para dar esclarecimentos sobre o que vem acontecendo diante de inúmeras reclamações sobre ações adotadas no enfrentamento do novo coronavírus em Cachoeirinha. O hospital de campanha, como denunciam oposicionistas, é uma caixa preta. O contribuinte não sabe o que foi gasto na estrutura, quanto custa a manutenção e, principalmente, quantas pessoas estão sendo atendidas/internadas.

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Esta semana, fizemos uma reportagem revelando que a estrutura não estava credenciada pelo estado e que os leitos não tinham nenhuma utilidade para efeitos da definição da bandeira do Distanciamento Controlado. Nesta quinta-feira (2), depois de muitas cobranças que fizemos junto ao Estado, e uma ação mais efetiva do próprio secretário, o problema foi resolvido. É verdade que o prefeito, que se disse surpreso com a notícia, deve ter feito uma bela cobrança. Na próxima segunda-feira os dados já deverão começar a aparecer no painel da Covid.

Também esta semana, uma mulher teve que denunciar em redes sociais que havia um jogo de empurra para ela ser submetida ao teste da Covid. Relatou todo o sofrimento que vinha passando. Somente depois disso providenciaram o exame e o resultado deu positivo. Foi o suficiente para vários outros casos do sofrimento de famílias virem à tona.

Desde a manhã desta quinta, eu tento uma entrevista com o secretário sobre uma possível mudança no fluxo de encaminhamento dos testes, uma vez que o volume de casos suspeitos aumentou e o protocolo adotado não estava funcionando. Matielo minimizou as reclamações afirmando que fazem 200 testes por dia e que duas reclamações eram pouca coisa. E disse que estava em reunião e que há tarde outra pessoa entraria em contato.

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Pois a outra pessoa entrou e disse que no final do dia passaria os dados. Já era noite e ela fez contato rápido e expliquei que gostaria de saber o que havia mudado no fluxo. Ele pediu um tempo para tomar um café. E pediu para eu combinar com Matielo de as informações serem publicadas como se ele tivesse falado. Não faço isso. Não é ético com o leitor. O cidadão deve estar tomando café ainda, pois novo contato não foi feito.

Eu sei que a Covid-19 está deixando todo mundo na área da saúde sobrecarregado. Se eles estão, nós, profissionais de imprensa também estamos. Quando procuramos uma autoridade não é para satisfazer uma curiosidade pessoal. Estamos representando leitores. E respostas vagas, como as dadas em redes sociais, não satisfazem a necessidade de leitores de um veículo de comunicação.

O secretário já disse em lives que falam muita bobagem em redes sociais. Concordo com ele. E não culpo quem fala bobagem. Quem não tem informação, vai falar bobagem. Se existisse a tal transparência tão propagada por Matielo, somente os mal intencionados falariam as ditas bobagens.

É tão difícil entrevistar o secretário que eu até evito. Hoje eu teria outra pauta, mas abortei. Estão faltando medicamentos anestésicos para entubar quem precisa do ventilador mecânico. Canoas já fechou 8 UTIs. Será que o hospital de campanha tem? Alguém pode perguntar: mas isso não é assunto para ser divulgado. Como não?

Podemos ter a melhor estrutura do mundo para atender quem precisar, mas as pessoas precisam saber disso em detalhes. Elas merecem saber como seus impostos estão sendo geridos e também merecem saber que podem ficar tranquilas se precisarem do hospital. O secretário pode dizer em rede social que está tudo dominado, tudo tranquilo. Para um jornalista, contudo, isso não basta. Ele precisa saber os detalhes para escrever seu texto.

É muito estranho o que vem acontecendo. A relutância em dar transparência a dados e atos na secretaria da Saúde só dão margem para desconfianças. Tudo pode estar, e acredito que esteja, dentro da maior retidão possível. Mas se nada é divulgado, como acreditar? O que começou bem, na elogiável iniciativa do prefeito de montar uma estrutura para atender a população, começa a ser destruída pela falta da transparência. Ela não existe.

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