OPINIÃO: se a prova é mostrada, ataque o jornalista?! - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí

OPINIÃO: se a prova é mostrada, ataque o jornalista?!

Vereadores dedicaram bastante tempo na Sessão desta terça para criticar este colunista

Cachoeirinha – Na Sessão da Câmara desta terça-feira (12), vereadores da base e da oposição usaram seus espaços na Tribuna e ainda os de apartes, para criticar a atuação deste jornalista nos últimos dias.  Como não tenho espaço no Legislativo para me defender, ao contrário deles que sempre terão os seus aqui no site, vou usar a coluna para fazer algumas considerações. Depois cito o que disseram e, no final, concluo.

O primeiro ponto criticado foi a divulgação de uma gravação feita quando liguei para o telefone da Diretoria Geral. Primeiro eu ouvi gargalhadas e comentavam o cancelamento da Sessão Extraordinária. O telefone estava, ou ainda está, com defeito. Ele não foi atendido, mas a chamada se completou. Postei isso na minha conta pessoal do Facebook e apaguei em seguida, mas lá na Câmara devem ter ‘printado’. Tentei novas ligações e deu o mesmo problema, só que desta vez filmei o celular captando o áudio.

Ele ficou ruim, mas era necessário publicar para mostrar o que acontece nos bastidores. Nesta gravação aparece uma pessoa na sala dizendo que o conteúdo da minha postagem excluída, e provavelmente ‘printada’, era mentiroso . Vejam, era mentira. Antes mesmo de eu fazer a matéria sobre a gravação já afirmavam que minha postagem era mentira. O que aconteceria se eu fizesse uma matéria sem mostrar a prova? Iriam dizer que era mentira, claro.

Como este argumento foi soterrado, restou o que, então? Atacar a atitude que tive de fazer a gravação e de publicá-la. Eu fiz a publicação porque achei relevante para o leitor saber o que acontece nos bastidores da política. A ordem parece sempre ser a de acusar alguém de mentir e se ele tem prova, o certo parece ser atacá-la ou criticar como foi obtida.

Não diferente foi o que aconteceu no caso de uma matéria sobre uma filiada do PSL. Ela participou de uma atividade do partido sem serem respeitadas as normas de distanciamento social e foi positivada com Covid-19 e está internada no hospital de campanha. O presidente do partido, vereador Ruben Otávio, pré-candidato a prefeito, estava na atividade sem máscara e em fotos postadas na página do PSL aparece abraçado com filiados. Quando ficou sabendo do caso de Covid-19 da filiada, deveria ter se recolhido ao isolamento como recomendam as autoridades de saúde, pois teve contato direto com uma pessoa infectada. Um parênteses para dizer que torço para que ela tenha uma recuperação rápida.

Voltando ao vereador, ele estava na Sessão desta terça. E posso dizer que se não fosse a matéria publicada ele não teria aberto publicamente que estava na atividade do partido. Mas se eu não publico a imagem da notificação que ela recebeu é possível que dissesse que era mentira. Recebi o documento de uma pessoa que não trabalha na prefeitura e sequer na Câmara. A única coisa que fiz foi a checagem para saber se era verdadeiro. E era. Restou o que, então, atacar o jornalista e querem saber como o documento vazou, culpando, claro, o governo.

Alguns dos que passaram na Tribuna para fazer críticas ao trabalho deste colunista, são os mesmos que pregam aos quatro ventos a transparência. Estão a todo momento falando nela, na transparência, que nada deve ser escondido, que tudo precisa ser claro. Mas quando eles são os alvos, e com provas, aí a transparência não serve, é imoral, inútil e o jornalista nem é digno da sociedade. O presidente da Câmara chegou a dizer que eu afirmei que ele está brincando de ser presidente. Quem fez a afirmação foi o vereador Joaquim Fortunato dizendo “pode colocar aí que eu digo mesmo”. Não é correto distorcer fatos para fazer as pessoas chegarem a conclusões erradas.

Não tenho absolutamente nada contra nenhum parlamentar e mesmo que não queiram falar comigo, por um dever profissional eu faço contato. Eu não me interesso pessoalmente pelo que fazem. Eu estou a serviço do cidadão. Quando falo com alguém, estou ali como representante dos leitores. Nada além disso. E se algo publicado não está exatamente correto, basta solicitar que seja reparado. Existe o direito de resposta e se eu não der há a Justiça. Simples, mas se dá para complicar e tirar um proveito político, para que simplificar, não é mesmo? Os ataques a jornalistas e a imprensa, que revelam a verdade, chegou em Cachoeirinha.

Vamos a partes do que disserem, sem querer tirar algo de contexto com intenção de distorcer. Quem tiver dúvidas, pode acessar o vídeo da Sessão da Câmara.

A gravação que revelou bastidores na Câmara:

Fernando Medeiros – O vereador Fernando Medeiros foi acusado [ ele disse que foi questionado e não acusado ] de estar gravando conversas para repassar para a imprensa. Foi injustamente, pois a gravação eu captei devido ao defeito no telefone da Câmara. Vejam que mesmo eu explicando isso na matéria e mostrando a prova, o acusador não acreditou. Medeiros usou a Tribuna para explicar isso e ainda disse Na quinta-feira aconteceu um fato um tanto quanto inusitado … durante a nossa reunião chegou o vereador O Marco Barbosa na sala e relatou uma situação que havia ocorrido uma publicação que nos deixou um tanto quanto surpresos, que seria algo que ouve uma gravação … ficamos surpresos, como nos preocupou. Fomos na sala da diretoria e o que nós conversamos lá também foi gravado. Como uma gravação desta Câmara, da Casa do Povo, ela não se coaduna com os ares democráticos e republicanos do nosso estado brasileiro. Quero aqui deixar muito bem claro para toda a sociedade que não gravei, não gravo e jamais gravarei qualquer colega meu aqui desta Câmara … queria deixar esse pedido ao presidente, ao que consta haveria uma falha técnica no aparelho telefone fixo, que solicitou a abertura de sindicância interna … para que possa apurar essa falha técnica e que esse problema não se repita”.

Jacqueline Ritter –  “Falta muita questão de ética, moralidade, respeito. Essa questão a gente começa a perceber o quanto o ser humano se rebaixa. Falta muita a disciplina da ética. É lamentável mesmo”.

Marco Barbosa – “ Tamanha falta de ética, sei lá o que podemos dizer. Porque quando se fala quem não deve não teme, o que se comentou ali não havia nada de mais na conversa a não ser de alguém de fora bisbilhotando [ liguei para a diretoria geral para esclarecer o caso da higienização, pois o presidente poderia estar sendo acusado injustamente de ter determinado a higienização para não fazer a Sessão Extraordinária quando a responsabilidade seria da Diretoria Geral, embora ela não tenha mais poderes de quem comanda o Legislativo ]”.

Alcides Gattini – Sobre esse episódio, eu entendo que tenha que ter um encaminhamento … fica uma coisa mal explicada. O repórter, na verdade é o Roque, não sei porque não falam o nome dele … tem batido, diga-se de passagem, no parlamento … Eu acho que tem que haver uma ação e com esse cidadão … talvez mal intencionado … devemos ter um esclarecimento dele porque essas atitudes … eu sempre o tratei com respeito e não gostaria que ele me colocasse neste mesmo saco de farinha … ele não está sendo imparcial, está sendo parcial … eu gostaria que essa questão dessa conversa que foi gravada, que eu não entendi bulhufa nenhuma … eu acho que abrir um inquérito sobre isso aí para ver o que realmente está acontecendo dentro desse parlamento”.

Paulinho da Farmácia – “Eu não entendi nada daquele áudio e achei de tamanha chinelagem. Armaram um circo aqui dentro e prejudicando pessoas que estão trabalhando sério aqui. Muita picuinha, muita coisinha. Um dia vazou um áudio que eu repassei para um vereador que seria usado para o Ministério Público. Gravar alguém é uma chinelagem”.

Manoel D’ Ávila – “… a pessoa se fez. Deveria ser expulso do parlamento. Não entrar mais na casa porque que eu acho que um homem e uma mulher que grava e sai na rede uma conversa não é digno da sociedade … na minha opinião essa pessoa não tem valor nenhum … e ainda se diz repórter … uma questão de imoralidade … hoje é uma marezinha, mas amanhã pode ser uma coisa mais grave ainda …”

O caso da Covid-19

Rubens Otávio – “…começo pelo hospital de campanha. Algumas notícias falaciosas, aliás eu quero dizer que foi confirmada a Covid-19 da servidora desta casa [ CC do vereador] … assim como foi confirmada a Covid do senhor vice-prefeito, da mesma forma … pessoas felizes … participaram de festas, não foram para isolamento … o hospital de campanha de forma falaciosa, muito nojenta, alguns dizendo … que combatemos duramente a questão do hospital de campanha. Muito pelo contrário. Deixamos muito claro que éramos favoráveis. O que não somos favoráveis é com desvio de verba pública [o líder de Governo, Cristian Wassem, considerou grave a acusação do vereador, que é pré-candidato a prefeito, e par ele mostrar ] … agora vem algumas reportagens dizendo que vereador teve contato com assessora [ eu não disse na matéria que a positivada era assessora do parlamentar ]  vai na Sessão da Câmara. E porque não mostram o senhor prefeito quando fez o ato de filiação em plena pandemia, sem máscara, sem nada … rompendo e violando o seu próprio decreto, juntamente com o secretário de Saúde … tão brincando com o que, aqui? Vão tirar alguém para idiota que não sou eu, então vamos ter que ter cuidado. E mais, vão ter que responder … na citada reportagem … documento oficial da secretaria de comunicação de isolamento … foi parar como nas mãos de um repórter [o documento que recebi não foi de servidor da Prefeitura ou da Câmara e fiz a checagem para saber se era verdadeiro]? …expliquem de que forma vão usar documentos particulares de pacientes para uso de reportagem a favor de governo [o vereador é pré-candidato a prefeito e entende que a publicação visava favorecer o governo, embora tenha sido apenas uma notícia do ocorrido] … chega, não dá mais para aguentar, passaram dos limites … reportagem a favor do governo, não dá mais para aguentar .., passaram dos limites …”

Eduardo Keller – “ … tem que ser levado adiante … esse documento é pessoal do paciente que caiu em uma rede social … parece que é só um lado que proporciona isso … fizeram algo direcionado a sua pessoa [ Rubens Otávio] , a uma pessoa que trabalha com o senhor de forma maldosa e ilegal … tem que ficar claro aqui quando se conversa de ataques em redes sociais é de todos os lados, não tem santinho na história …e acabaram de fazer com o senhor … como é que um documento oficial foi parar nas mãos, nem sei de qual é a reportagem, como é que foi parar lá?”

Alcides Gattini  – “ … vou sugerir que ´seje´ comunicado oficialmente o senhor prefeito municipal desse ato de ter passado, sabe quem, para essa reportagem … isso é um crime … para que abra uma sindicância para saber quem é que está fazendo isso … e que puna para que possa ser dado o exemplo…”

Bom, concluindo este texto longo, digo:

Não existe parcialidade ou imparcialidade. Existe, sim, o que convém ou não. Não tenho dificuldade em publicar o que falam sobre meu trabalho de quase 30 anos que já me rendeu prêmios de jornalismo. Nunca tive nenhuma objeção desde que não invadam a vida particular. Deixo o julgamento para o leitor.

Para terminar, então, a transparência que bate no Chico, também tem que bater no Francisco senhores vereadores.

Atualização 14/05/2020 – 6h30min – Algumas pessoas entenderam que o vereador Paulino da Farmácia disse que enviou um áudio ao vereador Marco Barbosa e que ele vazou, considerando isso uma chinelagem. Paulinho não citou nomes e Barbosa nega que seja ele. Aproveitando, tudo o que está entre colchetes [ ] são citações/observações minhas e não dos vereadores.

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