OPINIÃO: quando você poderá sair de casa? - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí

OPINIÃO: quando você poderá sair de casa?

Esta é a pergunta que todos querem uma resposta e ela já foi dada pelas autoridades de saúde. É só tentar entender

Cachoeirinha – Vejo nas redes sociais um movimento crescente pela reabertura do comércio e serviços em Cachoeirinha, mas ainda não é o momento. Muitas pessoas ainda não entenderam que a quarentena serve para que o vírus se propague mais devagar enquanto a estrutura de saúde é montada para atender pacientes cujos sintomas não sejam leves. O prefeito Miki Breier agiu rápido e estamos bem avançados na montagem da estrutura na comparação com Gravataí, por exemplo. No hospital de campanha no Ginásio da Fátima já chegaram as camas para os 60 leitos.

Além disso, o secretário da Saúde, Dyego Matielo, já providenciou barracas e containers para o antigo posto 24 horas e na UPA para a triagem de pacientes com sintomas gripais, evitando contato com outras pessoas que apresentam patologias diversas. Neste sábado, o Exército montou barracas nos postos Carlos Wilkens na Betânia, duas que atendem boa parcela mais carente da população. Elas também servirão para não misturar pacientes.

A cidade tinha até esse sábado, conforme dados da Prefeitura, apenas quatro casos ainda sendo investigados e dois confirmados. Um deles é do vice-prefeito Maurício Medeiros, que já na segunda-feira deverá ser declarado o primeiro curado do Covid-19 em Cachoeirinha.

Neste sábado, em entrevista coletiva, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabardo, explicou que vai chegar o momento no qual as medidas poderão ser flexibilizadas, conforme a realidade de cada município.

A estratégia que vem sendo adotada, explicou Gabardo, é a de evitar um grande número de infectados ao mesmo tempo porque o sistema de saúde ainda não está pronto para absorver quem precisar de internação. E nem estará a ponto de todas as atividades econômicas serem liberadas a pleno. Por isso, a flexibilização será feita de forma gradativa para que sempre haja leitos disponíveis.

O cálculo não é exatamente esse que vou usar, pois depende de uma série de variáveis, mas a título ilustrativo creio ser útil para tentar explicar a importância do isolamento social. Cachoeirinha tem cerca de 127 mil habitantes e se todos pudessem levar suas vidas normais, em pouco tempo todos estariam infectados. Cerca de 10% deste grupo precisaria de hospitalização, o que daria 12,7 mil pessoas. E a cidade terá 60 leitos. Deste total, pelo menos 6 mil precisariam de respiradores e haverá apenas 18. Bom lembrar que 50% de quem vai para uma UTI, infelizmente, acaba falecendo. Imaginem milhares de pessoas precisando de hospitalização quase que ao mesmo tempo. A maior parte morreria sem sequer conseguir chegar perto de um médico.

Liberar tudo, como pedem nas redes sociais, é o mesmo que quer matar em poucas semanas umas 4 mil pessoas em Cachoeirinha. Uma tragédia. A liberação de todas as atividades ficará mais fácil quando tivermos pelo menos 50% da população curada. É o que os epidemiologistas chamam de imunização de grupo, ou de rebanho. Os testes que estão chegando no Brasil ajudarão a ter uma dimensão mais próxima da realidade a quantas andamos nos números de infectados e curados. Eles permitirão estimar como a flexibilização poderá ser feita.

Bom lembrar ainda que ir liberando atividades econômicas em Cachoeirinha não é adequado, apesar dos casos serem baixos, porque estamos em uma região metropolitana. Centenas de pessoas circulam diariamente entre vários municípios. Fosse no interior, onde a circulação entre cidades é menor, até seria possível avaliar a liberação do comércio e serviços, mas mesmo assim dependendo de regras do Governo do Estado e ainda do que recomendam as autoridades de saúde. Por enquanto, o melhor é ficar em casa.

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