OPINIÃO: presidente da Câmara passou do limite do aceitável - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Edison Cordeiro - Foto: Câmara de Vereadores/Divulgação

OPINIÃO: presidente da Câmara passou do limite do aceitável

Edison Cordeiro insinuou que prefeitos podem estar envolvidos com suposta máfia de funerárias em enterros de pessoas diagnosticadas com Covid-19

O que o presidente da Câmara de Vereadores de Cachoeirinha, Edison Cordeiro, disse na Sessão desta terça-feira (9) é, no mínimo, lamentável. Passou dos limites. Estar na oposição e querer atingir opositores não dá o direito a alguém de se aproveitar da morte de uma pessoa para levantar suspeitas de envolvimento do prefeito com um suposto esquema de funerárias.

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Vamos ao que ele disse ontem, sem correções, e depois sigo comentando:

 “Antes de nós entrar no intervalo, eu só queria, como presidente dessa casa, eu pedi um minuto de silêncio para a dona Maria Terezinha Neres.  Eu não queria que a morte das pessoas que estão passando por essas situações do Covid-19, eu não quero acreditar que prefeitos ou pessoas venham se usar da morte das pessoas para se beneficiar. Eu ouvi falar muito sobre a máfia das funerárias. Vocês sabem quanto é que custa ou dois caixão para enterrar a pessoa com Covid-19? A pessoa tem que ser colocada em dois caixão e lacrado. Aí a pessoa morre de câncer e aí tem que se sujeitar a essa situação. Eu não quero acreditar que um prefeito ou um município se sujeite a uma funerária ou a um sistema desses e colocar famílias nessas situações.Quem vai arcar com esse custo, que é altíssimo? Isso só os caixão, foram onde a pessoa vai ser colocado, se no chão ou se vai ser colocado numa gaveta. Eu não quero acreditar que prefeitos façam parte dessa máfia que está querendo se instalar juntamente com esse problema do Covid-19”.

Para quem não sabe, a mulher de 67 anos foi diagnosticada com Covid-19 em um hospital de Porto Alegre e a Prefeitura apenas recebeu informações do Centro de Operações de Emergências (COE) do Estado. Nada passou por Cachoeirinha e mesmo que tivesse passado, não é um prefeito ou uma funerária que emite um atestado de óbito. Nem vou entrar no mérito de familiar dizer que a pessoa morreu de câncer e questionar o resultado positivo para Covid-19.

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A questão aqui é outra. Não chega a me surpreender o presidente da Câmara não se interessar em buscar informações para embasar o que vai dizer. Na Tribuna ele já usou dados errados divulgados redes sociais sobre o que Cachoeirinha iria receber de socorro da União e ainda queria que o dinheiro fosse investido no Hospital Padre Jeremias, ignorando que a maior fatia dos recursos vai suprir a queda na arrecadação e garantir o pagamento dos salários dos servidores e fornecedores – a outra, bem menor, vai para a assistência social e saúde.

Usar uma morte para atacar o opositor que deixou de apoiar depois de não conseguir mais espaço no Governo chega a ser irresponsável, ainda mais partindo de um homem que prega a palavra de Deus, já que é pastor. Ele pode usar o Regimento Interno da Câmara para atrasar a tramitação de projetos e pode criticar livremente o Governo, mas não pode fazer o que fez ainda mais ocupando um cargo de tamanha responsabilidade.

Cordeiro, assim como qualquer cidadão, tem o direito de negar a pandemia, de questionar o resultado de exames, mas não pode insinuar que pode estar em curso em Cachoeirinha um esquema de funerárias envolvendo prefeito e outras pessoas. E muito menos levantar algo tão sério, de forma praticamente leviana, com o claro objetivo de gerar desgaste político ao opositor em um ano eleitoral.

Se ele sabe de algum esquema, deveria denunciar e mostrar as provas. Não é de hoje que vemos políticos se aproveitarem da ingenuidade das pessoas. Nas mídias sociais, um território fértil para a disseminação das fake news e do ódio, é muito comum. Não era no Legislativo. O pastor parece ter se deixado dominar pelo capeta para realizar desejos eleitorais. Que Deus o liberte das pragas que fazem muitas pessoas terem nojo da política.

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