OPINIÃO: periferia mandou recado e Miki precisa ouvir - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí

OPINIÃO: periferia mandou recado e Miki precisa ouvir

Votação de Rubens Otávio e eleição de vereadores identificados com áreas que recebem pouca atenção não deixam dúvidas

Esta eleição em Cachoeirinha fez brotar das urnas um sinal muito claro da insatisfação de moradores da periferia. A campanha de Rubens Otávio, construída com a tentativa de cassação do prefeito Miki Breier, CPIs e depois com a disseminação de fake news e divulgação de meias verdades por seus apoiadores, distorcidas para provocar a indignação das pessoas, não encontraria guarida se estas áreas estivessem recebendo uma melhor atenção do poder público.

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O gabinete do ódio, como está sendo chamado o grupo que traçava estratégias de campanha no whatsapp, tornado público por um cidadão que se infiltrou na organização, encontrou material farto para desconstruir Miki/Maurício e fazer com que o eleitor pensasse se não era a hora de mudança.

Um detalhe que chama a atenção no resultado da eleição é que Rubens Otávio, apesar de ter sido quase eleito, não conseguiu fazer sua aceitação se reproduzir na escolha de vereadores. O eleitor praticamente aniquilou os parlamentares oposicionistas que tentaram derrubar Miki. Dos cinco vereadores eleitos na oposição, apenas quatro são do grupo que integraram a estratégia de usar o Legislativo como ferramenta de campanha eleitoral lançando mão de mecanismos regimentais para engessar o Governo e ainda para tentar derrubá-lo.

Dando mais um zoom na nova composição do Legislativo, temos um indicativo claro do grito que vem da periferia, das minorias. E, necessariamente, eleitos não são da oposição. É o caso de Juca Soares, do PSD, da região da Vila da Paz. Na comemoração da noite deste domingo, apoiadores gritavam que “a favela venceu”. Na oposição, temos o mais votado, David Almansa, do PT. Representante da periferia, dos excluídos, pretos, LGBTs e por aí afora. Na lista dos não eleitos, aparecem muitos candidatos com boa votação igualmente das regiões mais afastadas.

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Não seria um exagero o prefeito Miki Breier pensar em criar uma secretaria especial para tratar da periferia. Ela poderia fazer a interlocução com as demais secretarias e poderia ter um projeto para contemplar as maiores necessidades destes moradores. Temos uma questão sem fim da falta de água na região da Canarinho. Todos sabem que o maior problema são as ocupações irregulares e as ligações de água clandestinas. Até quando a Corsan coloca uma bomba para evitar a falta de água para quem paga pelo consumo, o equipamento é roubado.

As pessoas, contudo, enxergam como sendo responsabilidade do poder público, o que não chega a ser de todo uma mentira. As ocupações irregulares, embora algumas sejam em áreas do Estado, precisam ter uma solução. É necessário o poder público buscar alternativas. Temos aqui mais um problema. Quem poderia ajudar é o secretário estadual de Obras, José Stédile, que todo mundo sabe não ter boa relação com Miki, embora sejam do mesmo partido. Nesta hora, contudo, o povo precisa ser colocado em primeiro lugar. Imagino que Stédile possa alimentar o desejo de concorrer na próxima eleição e talvez isso possa ou não ajudar. Mas isso é assunto para outra coluna.

Todo mundo sabe que Cachoeirinha cresceu a partir de invasões de terras. O poder público nunca fez nada para impedir e a conta sempre ficou para ele pagar. Na verdade, para o contribuinte. Ocupações trazem diversos problemas sociais. Falta infraestrutura, saneamento básico, ligação de água e energia. E essas pessoas precisam de segurança, saúde e educação. Verdade que este governo já avançou muito na regularização fundiária, mas um título de propriedade, apesar de ser um avanço, não resolve as demais questões.

Temos agora a cidade se desenvolvendo na região da Souza Cruz. Em pouco tempo teremos lá de 15 a 20 mil pessoas. É uma região que precisa de posto de saúde e escola. O que tem na Betânia não dá conta, além de ser muito distante. Vejo como indispensável o novo governo de Miki/Maurício ter um projeto para essas regiões, para a periferia.

Acreditar que cada secretaria poderá dar conta de criar projetos e programas não vai funcionar. A de Infraestrutura e Serviços Urbanos, por exemplo, poderia ter uma equipe de patrolamento e um cronograma para a manutenção de ruas nestes locais. Mas sozinha, não vai funcionar. Sempre vai ter que haver pressão e aparecer um vereador que vai se apresentar como salvador da pátria porque conseguiu saibro para uma rua.

Uma secretaria especial vai significar mais cargos, será necessário mudar a lei, e teremos mais gastos. Mas não vejo outra saída. Reforço que deixar para cada secretaria cuidar do que compete a ela, não vai dar certo. Somente uma equipe dedicada poderá realizar um estudo e buscar os caminhos, agindo em parceria com as demais secretarias e fazendo cobranças para que as coisas andem.

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