OPINIÃO: Miki leva a melhor no primeiro debate dos prefeituráveis - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Debate aconteceu na noite desta quinta - Foto: Reprodução

OPINIÃO: Miki leva a melhor no primeiro debate dos prefeituráveis

Um candidato não foi convidado pela rádio web que promoveu o debate na noite desta quinta

Foi o primeiro debate entre cinco dos seis candidatos a prefeito de Cachoeirinha. E foi fraco. Sem a presença do candidato do DC, Pablo Hernandez, que não foi convidado pela rádio web Local Mais, os demais postulantes ao cargo de prefeito tiveram a oportunidade de apresentar propostas. E foi o que menos fizeram. Antônio Teixeira, da Rede, decepcionou. Jeferson Lazzarotto, do PT, estreava e demonstrou nervosismo. Rubens Otávio, do PSL, não trouxe nada de novo em relação ao que já faz na Tribuna da Câmara. Já outro estreante, João Paulo, surpreendeu e se saiu bem. Nenhum deles, contudo, conseguiu desafiar o candidato Miki Breier. Com mais experiência e conhecendo a realidade de Cachoeirinha, passeou pelo debate.

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Conhecer a realidade de Cachoeirinha não é uma vantagem para Miki por ser o atual prefeito. Digo isto porque a situação financeira da Prefeitura, os projetos em andamento, os contratos, o orçamento, tudo isso é público. É só pegar no site da prefeitura. Nenhum oposicionista conseguiu confrontar Miki com dados, informação. Ficaram no mesmo de sempre afirmando que pessoas ficam na fila de posto de saúde, aguardam horas por um ônibus, que tem denúncia relativa ao hospital de campanha e por aí afora. Proposta concreta, mesmo, quase nada. E o pouco apresentado não veio acompanhado da explicação de como fazer.

De todos os oposicionistas, João Paulo foi o melhor. Fez um discurso mais alinhado com a realidade demonstrando que está ciente das graves dificuldades financeiras da prefeitura e que será necessário muita criatividade para governar. Rubens Otávio foi mais do mesmo fazendo terra arrasada, como faz na Tribuna da Câmara, mas sem apresentar propostas para resolver o que vê de errado. Antonio Teixeira e Jeferson Lazzarotto não foram bem, como disse acima. O primeiro ficou no discurso de cortar CCs, de revisar contratos, reformar todas as escolas e por aí afora. Deu a entender que muita coisa pode ser feita cortando CCs, o que é impossível. Já Lazzarotto rezou pela cartilha do PT sem conseguir se aprofundar em propostas. Quer dar atenção à periferia, mas faltou explicar como vai arrumar dinheiro.

Um pouco de cada candidato

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Miki Breier – Fez um breve resgate de como encontrou a prefeitura, que comprometia 77% da receita corrente líquida para pagar o funcionalismo. “A maior crise da história. Arrumamos a casa e agora vamos dar um passo para o futuro”, disse. Ressaltou que recuperou as finanças e melhorou a saúde e a segurança. Lembrou que reduziu o número de secretarias de 19 para 12 e cortou o número de CCs em mais de 20%. Armou a Guarda Municipal, fez a praça do Eco Turismo, recuperou outras. Miki lembrou de obras abandonas que encontrou. Concluiu a UPA e duas escolas de educação infantil e a terceira esté 98% pronta. Lembrou que a cidade tem sistema de câmeras em todas as escolas e praças e ainda wi-fi gratuito. Faltou ao candidato apresentar propostas e se aprofundar nelas. Não chega a ser uma novidade. Na última eleição, ele seguiu esta mesma linha.

João Paulo – Disse que é preciso investir no hospital Padre Jeremias e construir outro hospital na cidade. Prometeu a retomada das vans no transporte coletivo. Quer qualificar a Guarda Municipal para enfrentar o tráfico de drogas e melhorar o monitoramento com a integração de câmeras de empresas ao sistema. Uma maior integração entre a Guarda Municipal e Fiscalização de Trânsito também foi defendida. Reconhece a dificuldade financeira da Prefeitura e diz que será necessário o próximo prefeito ter muita criatividade para enfrentar a falta de recursos. Defendeu um distanciamento institucional com a Câmara afirmando que os projetos devem ser votados como desejarem os vereadores, sem haver pressão do Executivo. Em um mundo ideal, digo que isto é maravilhoso. No mundo real, isso não funciona. Sem ter maioria na Câmara, nenhum prefeito governa.

Jeferson Lazzarotto – Usou a surrada cartilha do PT e o que mais preocupou foi o uso repetido da expressão “vamos radicalizar a democracia”. Ele quis dizer que quer retomar o orçamento participativo e dialogar muito com a periferia, que chama de invisíveis. O povo já não aguenta mais radicalizações. E quando um candidato diz que vai radicalizar já causa preocupação. As pessoas não entendem facilmente o que ele quer dizer com esse jargão petista. Defendeu programas sociais e demonstrou maior preocupação com as classes mais pobres mas sem dizer como pretende mudar a realidade de Cachoeirinha, pois para ter uma atenção acima do que existe para os mais pobres, é necessário ter dinheiro. Falou em incentivar a criação de cooperativas para geração de emprego e renda.

Rubens Otávio – Para quem acompanha o vereador na Tribuna da Câmara, foi mais do mesmo. Acusou Miki de desgoverno, citou apontamentos do Tribunal de Contas sobre o hospital de campanha, criticou o não pagamento do Iprec afirmando que no futuro isto se tornará em um grande problema para a prefeitura e reclamou da falta de atenção à saúde. Prometeu criar um aplicativo para atendimento da população nesta área, como marcação de consultas e distribuição de medicamentos. Sobre esse ponto, eu explico que esse sistema já está sendo implantado. Rubens ressaltou mais de uma vez que a cidade precisa ser gerida para todos e não para um grupo que está no poder. Quando foi questionado sobre como enfrentar o tráfico de drogas, o candidato disse que precisa ser feito um enfrentamento verdadeiro, mas desviou para denunciar que a Guarda Municipal está com um efetivo 35% reduzido e que a BM chega a 47%. Disse ainda que a Guarda está com munição vencida. Rubens ainda reclamou que as escolas estão sucateadas e que no IDEB, que mede a qualidade do ensino, nenhuma atingiu a meta. Ele ainda criticou o turno inverso argumentando que o modelo existente hoje é inferior ao mínimo que deveria ser colocado em prática. Como vai resolver tudo isso, ele não explicou.

Antonio Teixeira – O segundo colocado na última eleição, decepcionou. Falou do hospital de campanha, mas sem profundidade e criticou um episódio no qual vereadores foram impedidos de entrar na estrutura. Disse que vai diminuir o número de CCs e salientou que se eleger com vários partidos seria fácil e depois se tornaria difícil acomodar todos em cargos. Não abordou como vai governar sem ter a maioria na Câmara. Ressaltou que Cachoeirinha “tem um orçamento muito bom” de R$ 500 milhões e disse não entender como faltam medicamentos. Em mais de uma oportunidade afirmou que Cachoeirinha parou no tempo e que chegou a ser a oitava economia do RS. Para resolver o problema de arrecadação, defendeu a criação de uma casa do empreendedor e salientou que a vice-prefeita Ester Ramos ocupará uma secretaria destinada a atrair investimentos. Prometeu no primeiro mês de governo reformar todas as escolas e afirmou esperar que a vacina contra a Covid esteja disponível para vacinar todos os estudantes. Ainda disse que a prefeitura precisa se preocupar com as calçadas em toda a cidade e não só na Flores da Cunha, mas sem dizer se vai usar dinheiro público, e de onde vai tirar, para arrumar os passeios públicos em todos os bairros. Hoje, isto é responsabilidade dos moradores.

As alfinetadas

  • O candidato João Paulo questionou Miki Breier sobre o que acontecia com ele com relação a licitações travadas pelo Tribunal de Contas. Não só na prefeitura, mas também quando foi presidente da associação de prefeitos, Grampal. Miki explicou que os apontamentos se relacionaram a possíveis falhas administrativas, corrigíveis, e não a má fé. E na tréplica, sem chance de João Paulo responder, lembrou que o candidato também esteve envolvido em uma investigação sobre o sumiço de uma arma quando ocupou cargo no estado. Miki não disse textualmente, mas para meio entendedor: a investigação do sumiço da arma não significou que João Paulo tenha sido o responsável.
  • João Paulo questionou Jeferson Lazzarotto trazendo um assunto nacional lembrando que deputados federais de esquerda, em especial do PT, votaram contra ao agravamento de pena, durante a pandemia, para casos de corrupção. Lazzarotto devolveu que o PP tem o maior número de políticos envolvidos em casos de corrupção e João Paulo completou salientando que nenhum gaúcho tinha sido condenado.
  • Antonio Teixeira questoniou Rubens Otávio sobre o fato de ele ter estado pelo menos dois anos no governo Miki e agora ser oposição. Rubens argumentou que até casamentos e amizades podem não durar para sempre e que saiu da base de apoio por não concordar com o que estava sendo feito.

As notas para os candidatos

Miki Breier – Contou o que fez e se defendeu dos ataques. Faltou se concentrar mais em propostas – Nota 7
João Paulo – Demonstrou saber que estamos em crise e apresentou propostas – nota 6
Rubens Otávio – Fez terra arrasada e não disse como vai resolver os problemas que vê – Nota 5
Antonio Teixeira – Discurso distante da realidade e abordagem simplista de temas que sempre geram reclamações em qualquer parte do pais, como transporte coletivo e saúde – Nota 3
Jeferson Lazzarotto – Usou a cartilha desgastada do PT e não conseguiu apresentar propostas concretas – Nota 3

Para quem não viu o debate e quer tirar suas próprias conclusões, segue abaixo o vídeo:

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DEBATE

DEBATE ENTRE OS PRINCIPAIS CANDIDATOS A PREFEITO DE CACHOEIRINHA – #localmais

Posted by Rádio TV Local Mais on Thursday, October 1, 2020

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