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Maurício está ao lado de Miki - Foto: Arquivo

OPINIÃO: Maurício pode virar prefeito?

Denúncia que pede a cassação do prefeito e vice deixa brecha para somente Miki ser cassado

Poucos se deram conta até agora, mas o processo de cassação do prefeito Miki Breier e do vice Maurício Medeiros tem espaço para um desfecho diferente do imaginado por quem pensa em ver o presidente da Câmara, Fernando Medeiros, comandando a cidade por 90 dias até ser realizada eleição direta para um mandato tampão.

A denúncia é composta de 14 possíveis irregularidades que serão investigadas pela comissão processante. Deste total, em 11 delas figuram o prefeito e o vice. Já nas três restantes, o acusado é apenas o prefeito.

Para haver a cassação, basta 11 vereadores (2/3) concordarem que houve irregularidade em qualquer uma das 14 arroladas. Para podermos avançar nesta análise, primeiro é preciso entender um ponto importante:

O relatório final a se produzido pela comissão processante, por mais perfeito que seja, podendo ser considerado juridicamente uma peça inquestionável, não tem valor algum na votação em plenário. Se ele chegar ao ponto de considerar que ocorreram irregularidades político-administrativas e couber aos vereadores a decisão final de cassar ou não os mandatos do prefeito e vice, o voto seguirá o que cada parlamentar pensa.

O voto será político e não técnico.

Sendo assim, para Maurício virar prefeito é muito simples: basta votos pela absolvição de Miki e Maurício nas 11 possíveis irregularidades atribuídas aos dois e votos pela condenação de Miki nas três restantes onde apenas ele é apontado como responsável.

Feito isso, Maurício vira prefeito. Obviamente, o vice do MDB não quer e nem sonha com esta possibilidade. Vereadores pregariam em seu peito a placa com a inscrição golpista. Um caso desses lembraria o feito por Michel Temer com Dilma, mesmo não sendo culpa de Maurício qualquer movimento desta natureza.

O bloco de sete vereadores apoiadores da cassação tem uma ambição que supera manchar a história política de Maurício de forma mais gravosa: quer o poder. Mas caso se desentendam na divisão dos cargos, tipo jogadores da Seleção Brasileira de Futebol negociando o bicho antes da estreia na Copa do Mundo, como já aconteceu, pode surgir o plano Maurício prefeito.

Querendo ou não, Miki e Maurício estão na mãos dos vereadores enquanto a Justiça não decide se os procedimentos de aceitação e abertura da investigação seguiram ritos legais. E a cidade perde por interesses pessoais de parlamentares que em mais de dois anos não cumpriram com suas atribuições de fiscalizar o Executivo, se insurgindo agora apenas porque não tiveram suas vontades atendidas.

Vale lembrar que Miki e Maurício não pagaram mensalinho, não desviaram recursos, não receberam propina ou agiram para causar prejuízos ao erário. Erros administrativos, muitos já cometidos em administrações passadas e que ocorrerão nas futuras, são plenamente sanáveis. Aliás, o Tribunal de Contas do Estado já cuida disso fazendo apontamentos.

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