OPINIÃO | Errei: denúncia contra Miki e Maurício não é patética; Eu, sim - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí

OPINIÃO | Errei: denúncia contra Miki e Maurício não é patética; Eu, sim

Patético por imaginar que a política deveria ser de uma forma que ela não é

Na sexta eu classifiquei aqui na minha coluna de opinião que a denúncia que pede a abertura de processo de impeachment de Miki Breier e Maurício Medeiros era patética. Pois ela não é. Patético sou eu mesmo. Primeiro eu quero explicar para quem não sabe, e não tem a obrigação de saber, que julgamentos feitos por Câmaras de Vereadores são apenas políticos. O “verdadeiro” julgamento acontece é no Judiciário.

Isto significa que prefeitos e vices podem perder o cargo se assim desejarem os vereadores. E para que isso aconteça não é nada difícil. Um prefeito que não atende pedidos de informações formulado por parlamentar, por exemplo, já dá motivo para ser alvo de um processo de impeachment. Não precisa nem ter cometido alguma fraude ou desvio de recursos.

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O nosso sistema político, para ficarmos na esfera municipal, transforma um prefeito em refém de vereadores. É impossível ele governar e até permanecer no cargo se não tiver o apoio da maioria dos integrantes do Legislativo.

Para isso, ele deve ter uma boa interlocução com o parlamento, ser um negociador. Se todos estão imbuídos em buscar o melhor para o cidadão, abertos ao diálogo, convencimento, tudo anda perfeitamente. A questão é que na vida real não funciona desta forma.

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Um vereador, e não é uma particularidade de Cachoeirinha, tem muitas necessidades. A primeira são seus cargos no governo e vagas de empregos em empresas terceirizadas. A segunda, não menos importante, é ver seus pedidos atendidos para satisfazer compromissos assumidos na campanha com financiadores, apoiadores e eleitores. Há muitas outras ainda, mas podemos ficar nestas duas. É preciso ser dito que nem todos têm essas necessidades como principais.

Mas quando as coisas começam a ficar complicadas? Bom, um prefeito não tem como atender plenamente tudo o que os vereadores querem e pedem. O que decide como será sua administração está em como ele vai lidar com essa questão. Quando o descontentamento começa a se generalizar chegamos ao que temos hoje em Cachoeirinha.

Quando a crise se instaura de vez, como agora, tudo fica muito mais complicado. Os vereadores vão aprovar a aceitação da denúncia para que Miki e Maurício sejam investigados, pois não querem ser alvos de críticas dos eleitores. O que vai acontecer depois, na hora da decisão, vai depender de muitos fatores.

Um é de quanto o Governo está disposto a ceder para atender necessidades reivindicadas por alguns vereadores e conquistar os votos que precisa. O que se ouve nos bastidores são sinalizações de apoio feitas por alguns de uma forma que poderia ser classificada como quase extorsão. Outro é como a oposição está se articulando. Ela já começou bem desenhando a abertura da investigação.

Numa eventual cassação e nova eleição o único candidato posto até o momento é Rubens Otávio, que já está nas ruas praticamente em campanha. Com tudo bem negociado com a maioria dos vereadores para a distribuição de cargos, venceria o pleito com larga vantagem.

Pois bem, o patético sou eu como disse lá no começo. E por acreditar que na política todos os eleitos colocam em primeiro lugar as necessidades da população e não seus interesses pessoais ou do grupo que fazem parte. Não se iludam. Quem fala em defender o povo, na maioria das vezes está, na verdade, de olho nos benefícios do poder para si e seu grupo. Quem prova isso? O tempo.

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