OPINIÃO: como foi arquitetado o plano para derrubar Miki - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Maurício e Miki - Foto: Arquivo

OPINIÃO: como foi arquitetado o plano para derrubar Miki

Planejamento chegou na reta final em maio e foi colocado em prática em junho com a denúncia de cassação

A série de eventos que culminou com a denúncia aceita pela Câmara de Vereadores e o consequente início do processo que pode acabar resultando na cassação dos mandados de Miki Breier e Maurício Medeiros não aconteceu por acaso. Tudo foi planejado.

O primeiro passo necessário era ter do lado do movimento páginas e grupos do Facebook com muitos integrantes. Isto se resolveu com a viabilização de fontes de renda para alguns, seja com empregos, cargos, ajudas e outras formas de apoio valendo até a promessa de cargos no futuro. Também era importante ter alguém para ser o porta-voz contra o Governo e isto já existia em uma página e um grupo associado muito usado na última campanha eleitoral.

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Com alguém para dar voz ao impeachment e outras páginas e grupos na mão para se posicionarem de forma favorável, estava garantida a parte da estratégia digital para influenciar parcela da população que acredita em tudo que é divulgado sem fazer a checagem da veracidade.

Desta vez, ao contrário do que aconteceu na Legislatura passada, quando vereadores oposicionistas se desgastaram tentando cassar o Prefeito, esta nova ofensiva não poderia partir deles. O ideal, para passar a mensagem de que a denúncia nasceu da população descontente, era ter um cidadão comum como autor e assim foi feito.

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Com estas duas ações resolvidas, faltava chegar na população desligada de redes sociais. Aqui entra o panfleto produzido com manchetes de sites sobre a Operação Proximidade do Ministério Público que investiga possíveis irregularidades no contrato com a SKM Empreendimentos, responsável pela limpeza de ruas e praças.

A peça é assinada pelos partidos Cidadania, Republicanos, PTB, PP e Rede. Os vereadores de oposição, Mano do Parque, Marco Barbosa, Nelson Martini, David Almansa e Edison Cordeiro também assinam assim como o ex-candidato a prefeito Rubens Otávio que tem o apelido Dr. Rubinho citado no material. Um caminhão de som para fazer um chamamento do cidadão para o impeachment também integra o plano de comunicação.

A parte mais difícil do planejamento não precisou da ação dos oposicionistas, pois o próprio governo se encarregou de se sabotar. Primeiro por erros na condução de contratos de prestadores de serviços que tiveram apontamentos do Tribunal de Contas e estão sendo investigados. Por enquanto, tratam-se apenas de erros sem comprovação de desvio de recursos.

Segundo por uma relação muito difícil com a base de apoio na Câmara formada por 12 vereadores. Com uma pessoa encarregada de fazer a interlocução entre Executivo e Legislativo sem nenhuma habilidade política, a base passou a ficar incomodada. Não havia diálogo, demandas não eram atendidas e ainda se viam obrigados a cumprir ordens vindas do Governo através de um interlocutor classificado por alguns como garoto de recados.

Com o governo se sabotando, faltava apenas um fato de impacto para o plano ser colocado em prática e ganhar o apoio da população. Foi quando aconteceu a Operação Proximidade citada no panfleto que está sendo distribuído. O cenário ficou perfeito para atrair a presidente da Câmara de Vereadores, Jussara Caçapava, que não esconde a vontade de ser prefeita. Ela já vinha dando sinais de esgotamento como no dia em que criticou o setor de comunicação da Prefeitura por ter omitido o nome dela em um evento no qual representava o Legislativo.

Este lado da história da relação entre o Governo e sua base na Câmara é muito semelhante com o que acontece com um casal. Não há diálogo, necessidades não são atendidas e um dos lados só fica dando ordens achando que por dar presentes está tudo resolvido, até que um dia tudo explode de uma forma que nem uma terapia pode resolver.

O Governo não pode reclamar que está sendo vítima de um golpe, embora a revolta da base indica se tratar de um, porque deu elementos para a oposição agir e subestimou a capacidade dela. Até no dia da votação cometeu erros e um deles quase acabou em briga de soco com um vereador até então aliado. Pode, isto sim, criticar o lado sujo da política envelopado pelo ódio, abusos e mentiras.

Havendo a cassação do prefeito e vice será colocado em prática a segunda parte do plano. Esta ainda não é possível identificar. Jussara tem o desejo de ser prefeita, mas se não for concorrer fica por 90 dias apenas. Se quiser concorrer vai ser difícil passar pelo aval do PSB dominado por aliados de Miki. Mesmo que encontre uma forma, não vence Rubens Otávio nas urnas. Ela poderia ser vice de Rubens, mas o Cidadania não abriria mão de repetir a chapa com Jacqueline Ritter.

O certo é que alguns vereadores da base já alinhavam ou sonham com a recompensa pela cassação. Na política tudo gira em torno de cargos. O problema é que a lealdade não costuma ser regra. Quem sonha com algo melhor no futuro pode acabar sem nada. Isto me lembra roteiro de filme. Dois se unem para arrombar o cofre porque são necessárias duas pessoas. Depois de ele estar aberto, um acaba sendo executado por quem quer ficar com todo o dinheiro.

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