Operação Lilliput mira esquema de lavagem de dinheiro em Cachoeirinha
Conforme a Polícia Civil, o grupo seria composto por setores de liderança, financeiro, empresarial, apoio à ocultação de bens e um núcleo político-administrativo, responsável pela utilização de empresas que mantinham relações comerciais com o poder público
Cachoeirinha – A Polícia Civil do RS deflagrou, na manhã desta terça-feira (28), a Operação Lilliput, com o objetivo de desarticular um esquema de lavagem de dinheiro que, segundo as investigações, era utilizado para movimentar recursos de uma organização criminosa com atuação na Região Metropolitana de Porto Alegre. A ofensiva é coordenada pela Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), vinculada ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC).
Ao todo, foram cumpridas 168 ordens judiciais, incluindo mandados de busca e apreensão, sequestro de bens, apreensão de veículos de luxo, bloqueio de ativos financeiros e quebras de sigilos. As medidas atingem investigados apontados como integrantes de uma célula da organização criminosa cuja principal base de atuação seria o município de Cachoeirinha.
As diligências ocorreram em Porto Alegre, Canoas, Cachoeirinha, Gravataí, Charqueadas e também em Itajaí, em Santa Catarina, com apoio da Polícia Civil catarinense. A investigação teve início após a prisão, em abril de 2025, de um homem apontado como liderança regional da facção, detido em Xangri-lá. A partir desse caso, a Delegacia de Repressão à Lavagem de Dinheiro Contra as Organizações Criminosas (DRLD-OC) aprofundou as apurações para identificar o funcionamento da estrutura financeira do grupo.
Segundo a Polícia Civil, as investigações identificaram movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada dos investigados, ocultação de patrimônio, utilização de terceiros como possíveis “laranjas” e um conjunto de empresas que, conforme os investigadores, teria sido utilizado para dissimular recursos provenientes de atividades criminosas.
As apurações também apontam que o dinheiro movimentado pelo grupo teria origem em crimes como tráfico de drogas, delitos violentos e exploração de jogos de azar, sendo posteriormente reinvestido para financiar a atuação da organização criminosa. Outro ponto destacado pela investigação é a estrutura interna da facção, dividida em diferentes núcleos responsáveis por funções específicas. Conforme a Polícia Civil, o grupo seria composto por setores de liderança, financeiro, empresarial, apoio à ocultação de bens e um núcleo político-administrativo, responsável pela utilização de empresas que mantinham relações comerciais com o poder público.
Durante a investigação, os policiais identificaram uma empresa que, segundo a apuração, não possuía sede física definida nem funcionários registrados e que teve administradores substituídos sucessivamente. Conforme dados reunidos pelo Ministério Público de Contas junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS), essa empresa recebeu aproximadamente R$ 3 milhões do Executivo de Cachoeirinha e mais de R$ 10 milhões do Executivo de Canoas nos últimos três anos.
Outro fato mencionado pela Polícia Civil é que um dos investigados integra o núcleo apontado como responsável por ações violentas da organização criminosa. Segundo os investigadores, trata-se do homem que fugiu da Penitenciária Estadual de Charqueadas em uma ocorrência que também é alvo de investigação por suposta facilitação de policiais penais.
Com base nos elementos reunidos durante a investigação, a Justiça autorizou o bloqueio de contas bancárias, investimentos e outros ativos financeiros, além do sequestro de bens, em um valor que pode chegar a R$ 81,5 milhões. De acordo com a Polícia Civil, o objetivo da operação é atingir a estrutura financeira da organização criminosa, interromper a circulação de recursos considerados ilícitos e reduzir a capacidade operacional da facção.
O diretor da DRACO e responsável pela Delegacia de Repressão à Lavagem de Dinheiro Contra as Organizações Criminosas, delegado Max Otto Ritter, afirmou que a estratégia da Polícia Civil é intensificar as investigações voltadas ao patrimônio das organizações criminosas, buscando bloquear recursos financeiros, indisponibilizar bens e enfraquecer a estrutura econômica dos grupos investigados.
O delegado Luis Firmino, que responde interinamente pela direção do DEIC, destacou que ações voltadas à descapitalização das organizações criminosas fazem parte da estratégia adotada pela Polícia Civil para combater o crime organizado no Estado.





